sábado, dezembro 27, 2008

questões de pequeno ou grande porte

Estou achando isso tudo um pouco muito chato... ou triste. E na verdade nem sei se alguém vem até aqui e lê alguma coisa de fato... (?)

Nos últimos meses investi muito em tornar esse espaço numa coisa respeitável, mas acho que não tive muito êxito. De que adianta se ninguém vem até aqui? Aliás, até cadastrei naqueles sites que abrigam milhões de blogs, mas minha paciência é restrita no que diz respeito a explorar esses serviços.

Também ando me sentindo um tanto triste e impaciente comigo mesma. Tenho muitas coisas a serem feitas mas não tenho saco para fazê-las. Acho que sempre fico meio assim no final do ano. É como se num tivesse jeito de melhorar as coisas que fiz durante o ano, por que ele simplesmente está acabando.

E também tem essas festas e todas as pessoas gastando todas suas economias para presentear outras que nem se sabe se vão valorizar o presente. Aff... Tem também os compromissos de família. Obrigatórios...

Tem as festas que você ouve de longe e que sempre parecem mais animadas e mais interessantes que a sua. Isso se você estiver ou tiver um... Tem a chuva e um clima chato pra cacete.

Aí você vê um filme... fica andando de meias dentro de casa... lê um livro inteiro... Come muuuito chocolate, panetone, chocotone, pernil, lombo, peru... etc. Ou seja, você engorda! E isso é deprimente... rs... mas é gostoso, rs.

Então se lembra que se tivesse alguém realmente importante e amável, e amada e que te amasse por perto, poderia compartilhar essas sensações... ou com o furor do amor não senti-las.

Mas como estou só, não espero sentir nada além desse gosto de tédio. E já começar a marcar os compromissos para janeiro... Que, querendo ou não, promete boas coisas já de começo (mesmo que isso seja só ilusão). Veremos.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

[ ]

um momento de silêncio.
não pelos outros
por mim.

é que às vezes fica pesado demais.
e nem sei o que mais pesa
deve ser eu...

nem um capuccino
nem um bom filme
me curou.

talvez só mesmo
esse ficar sozinha
sem ruído nem vento

apesar da chuva
da água
do clima

por isso, silêncio!
que meus pensamentos
já me ensurdecem.



sexta-feira, dezembro 05, 2008

O mudo no cinema

Nos primórdios do cinema, final do sec XIX, a 7ª arte ainda não dispunha de recursos para empregar o som no filme, só a imagem. Mas nem por isso as exibições se passavam em completo silêncio. A trilha sonora era tocada ao vivo nas salas de exibição por pequenas orquestras ou por um pianista. Esse elemento externo dava mais sentido e emoção às cenas, levando o público à compreensão total da história. Esse era o “Cinema Mudo”.


Quem não se lembra de Charlie Chaplin e todo seu encanto mudo? Chaplin foi um dos poucos que resistiu ao emprego do som em seus filmes. Ao mesmo tempo em que essa nova tecnologia era febre nos EUA, Chaplin ainda fazia filmes mudos e nem por isso deixou de emocionar platéias fazendo grande sucesso. Além disso, com tanta destreza corporal, fazendo-se entender pelos movimentos do corpo, quem necessitaria de ouvir o que ele falava com a voz? Seu primeiro filme sonorizado foi Tempos Modernos, em 1936, mas muito timidamente. A sonorização era somente em alguns momentos, talvez para criticar justamente a falta de voz nas máquinas.


Até hoje, é fácil repararmos em elementos que nasceram junto do cinema mudo. As legendas são um exemplo. Como não era possível ouvir as falas dos personagens, o recurso de legendas era utilizado para auxiliar a compreensão do público para coisas que não fosse possível a mímica.

Mas, além disso, talvez o sentido do silêncio tenha se expandido com o passar dos tempos. Quantas cenas utilizam do absoluto silêncio para extremar sensações, emoções. O silêncio é muito utilizado em cenas de profunda comoção. Com tanta informação sonora de hoje em dia o emprego do silêncio absoluto pode causar mais impacto do que grandes produções sonoras. Me lembro do filme “O Demolidor”, adaptação dos quadrinhos para cinema. Quando o personagem principal fica cego na infância a cena do fato transcorre em profundo silêncio. O impacto que isso causa é muito interessante, pois o personagem estava ficando cego naquele momento, não surdo, porém para o espectador vê-lo ficar cego é mais importante do que ouvi-lo ficar cego, por isso o contraponto dos dois elementos.

Também o silêncio pode ser usado na construção de personagens que se deslocam na trama sem proferir mais do que 10 palavras. Me lembro da história do jardineiro do “Muito além do jardim”. Na história o personagem principal, Peter Sellers, praticamente não fala e é justamente esse seu silêncio que causa nas pessoas as mais variadas reações e interpretações. Ali o silêncio vale como 1000 palavras. O engraçado no filme, é que o jardineiro é uma pessoa que não entende do mundo, parece uma criança. Isso porque viveu a vida inteira até seus 40 anos na casa do patrão tendo somente a televisão como fonte de informação e o próprio patrão. Quando o patrão morre, ele se vê sozinho tendo de se virar. Daí começam as interpretações erradas das pessoas. Pensam que ele é isso ou aquilo. Ninguém pergunta e espera a resposta, e assim transcorre a história, cheia de interpretações errôneas.

Por outro lado, o silêncio pode ser esquecido completamente, como na maioria dos filmes de ação dos dias de hoje. O volume de informação sonora é tão grande que, às vezes, deixa de causar impacto no espectador, como julgo ser o intuito desses filmes. São barulhos e bombas, de motores automotivos, de socos, de gritos. Além das músicas frenéticas de conteúdo rítmico apenas com a intenção de excitar o espectador, deixando-o atento à toda ação. Nesses filmes os cortes de imagem geralmente acompanham a trilha sonora frenética, dando mais ênfase à excitação.

Esse uso exagerado da trilha sonora é também percebido no Expressionismo Alemão, quando a intenção era justamente impressionar o espectador. No Expressionismo as músicas são sempre muito grandiosas e tocadas por orquestras, eliminando os detalhes pequenos de um solo. As canções são intensas para não dispersar a atenção do público. Alguns críticos dizem esse elemento foi justamente usado dessa forma para que outras culturas entendessem melhor o que o filme propunha, pois nem todos iriam entender certos elementos típicos da cultura alemã. É certo que as músicas dessa escola impressionaram o público.

Alguns elementos da composição do cinema mudo ditaram e ditam até hoje certos climas para certos tipos de personagem. Por exemplo, sabemos bem a estrutura de acordes que são compostos quando um vilão aparece em cena. Geralmente o tom sombrio e perigoso é bem representado por tons menores, graves e mais lentos. O mesmo pode acontecer com sensações de medo, ou nesse caso, dependendo do medo, algo mais excitante. Um exemplo clássico para essa sensação é a trilha da cena do assassinado no chuveiro de “Psicose” de Hitchcock. Aqueles violinos frenéticos e ascendentes impressionam até hoje. Já para as sensações de alegria e amor os tons são maiores, mais agudos e cheios de vida no ritmo. As emoções foram muito bem representadas no Cinema Mudo justamente pela falta de falas dos personagens. E hoje, a mesma estrutura é percebida nos mais variados segmentos de representação. Mas, claro, sempre há exceções. No filme “Laranja Mecânica”, por exemplo, a 9ª Sinfonia de Beethoven vira a música do vilão sem respeitar essa estrutura básica, entretanto não tira a sensação de perigo quando ouvimos a composição na película.

O certo, até hoje, e talvez isso nunca mude, é que tanto o silêncio quanto os mais variados elementos sonoros são partes importantíssimas do cinema. Sem eles, talvez o cinema não fosse capaz de passar tanta emoção e causar tanta catarse. Que bom...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

outra divisa

Talvez pelo certo cansaço, talvez pelo tédio que anda acontecendo. Um vazio esgotante enche as horas e é como se passassem em branco. Um branco pastoso, denso e impenetrável. Será o vento de chuva? Será as últimas notas da canção na cabeça? Será mesmo só a sensação de uma nova divisa em nada e tudo é. Um vale, uma cerca









viva, um buraco no chão que deixa bem claro os esforços para ultrapassa-lo. O fim de mais um estágio e o presságio de um novo. Uma nova rotina, novas prioridades, novo prisma. E isso por que começa uma nova fase e continua uma velha que por mágica são separadas e unidas como nunca. Mais uma divisa e a dificil parte












de assimila-la e adptar a ela. Até que passe e venham novas renovadoras...


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sábado, novembro 29, 2008

A Fofoca Erudita

Nunca falei muito sobre minha banda aqui não é? E nem sei por que...

O nome é Fofoca Erudita e vocês podem encontrar links sobre ela por esse blog afora. A Fofoca é formada por mim e minha irmã Juli. Juntas fazemos uma música discontraída sem grandes pretenções...

Essa é a história da Fofoca Erudita. Como tudo começou......



E o primeiro clipe fofoqueiro. A música se chama Balde Encantado, mas na época do clipe ainda estava sem nome e ficou mesmo para contar a história da galinha.



Para saber mais acesse o site oficial.

sexta-feira, novembro 28, 2008

questão

O egoísmo é inerente ao ser humano?

terça-feira, novembro 25, 2008

O mundo ainda tem jeito!!

Nas minhas aulas de Tópicos em Comunicação deste semestre foram bastante transformadoras na minha vida. Me deparei com o estudo da realidade como nunca tinha me acontecido antes.

Nas aulas, regadas a discussões sobre as formas de governo e economia, sobretudo o vigente neoliberalismo, percebi que o mundo está realmente numa grande crise. E não somente econômica lá com os EUA. Não. A crise é social, educacional, emocional, de identidade, de cidadania e principalmente ambiental. E sobre este último ponto é que venho me manifestar agora.

Ontem resolvi ficar na TV até mais tarde, já que hoje não precisaria ir à aula. Passeei por vários canais, assisti vários pedaços de uma péssima programação. Mas enfim pousei na TV Cultura. Estava passando do programa A Invenção do Contemporâneo e me interessei logo na primeira frase que ouvi. Se tratava de uma palestra/conversa com Hugo Penteado, um economista ambientalista. Não pude nem me mexer ouvindo aquilo tudo. Um esclarecimento após o outro. Virei fã do cara, por assim dizer.

E hoje procurando na Internet achei uma entrevista dada a Marilia Gabriela no início deste ano. Vale a pena conferir toda a entrevista, mas deixarei aqui somente as primeiras partes.
















Agora só falta mudar meus hábitos. Espero também que ao ver esses vídeos vocês mudem também.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Na Divisa de cara nova


Senti que precisava de mais espaço para colocar todo o conteúdo que gostaria. Então taí a nossa nova coluninha à esquerda. Nela vão aparecer mais opções de navegação para o nosso querido leitor. Espero que gostem.

segunda-feira, novembro 17, 2008

pode saber!

Um abraço sincero é sempre apertado, pode saber!
Os corpos se encostam quase que por inteiro
os calores são trocados e os cheiros...

Um olhar sincero é sempre demorado, pode saber!
Os olhos se pousam e confidenciam
coisas inenarráveis e profundas.

Um beijo sincero é sempre devagar, pode saber!
Os lábios se tocam lentos, se sentem lentos
salivas se trocam lentas e minuciosamente.

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quarta-feira, novembro 12, 2008

notas

Uma das primeiras interações diretas com outros blog! O texto sobre o show do Marcelo Camelo aqui em Bh está no blog Meio Desligado, do amigo Marcelo Santiago. Designer e estudante (quase formado!!) de jornalismo, Marcelo está sempre interado nas últimas novidades do mundo alternativo musical.

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No último dia 29/10 um pessoal muito bacana veio a BH. Me refiro aos Barbatuques. E quase perco o show, mas um amigo deu o toque na desavisada aqui e fomos. Pra falar do show vou me resumir a uma expressão: "do caraleo!!!" Mas para outros detalhes, leia o texto no blog amigo diretamente do fundo do mar,
Em Um Bar no Fundo do Mar.

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Começa hoje a 1ª edição do Festival Favela É Isso Aí - Imagens da Cultura Popular. O festival vai de 12 a 21/11 com a programação toda gratuita. Além dos filmes outras atividades, como palestras e oficinas, acontecerão paralelamente a mostra.

"Produzido pela ONG Favela é Isso Aí, o festival selecionou filmes produzidos em diversos formatos e linguagens, de até 15 minutos, cujo foco principal são as comunidades de periferia do Brasil. A mostra exibirá filmes produzidos em Belo Horizonte, interior de Minas, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Brasília, Rio de Janeiro e estado de São Paulo." (
Favela é isso aí)

Local: Usina Unibanco de Cinema (Rua Aimorés, 2424, St. Agostinho - BH)
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Enquanto eu não estava na Terra o Festival Planeta Terra aconteceu. Trouxe os Breeders e eu quase nem fiquei sabendo... Ah, meu coraçãozinho! Tudo bem... Tem vez que a gente fica por fora mesmo. O foda é depois que tomamos consciencia! Ahrg...
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Radiohead vem ao Brasil! ... uhm... espectativas?

segunda-feira, novembro 10, 2008

cine indie #3

Indie 2008 _ São Paulo
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Para quem vive, mora, visita, ou está em São Paulo fique esperto que o Indie está por aí. Uma parte da programação da mostra que movimentou Belo Horizonte no mês passado chega à maior cidade da America Latina!!

Está rolando no CINESESC, de 6 a 12/11 . Cerca de 28 filmes serão exibidos em 34 sessões, numa realização conjunta com o SESC SP. Os ingressos estão a R$ 6,00 (inteira), R$ 3,00 (estudante e idosos), R$ 1,50 (Trabalhador do comércio e serviços matriculados e dependentes).
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(CINESESC - Rua Augusta, 2075 - São Paulo - SP)
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Confira a programação!


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Mas, como prometi continuarei aqui meus comentários sobre os filmes que assisti. Se você vai assistir a Mostra em SP, pelo menos dê uma passada de olho no ranking que fiz dos filmes que assisti na Mostra de cá.

Continuemos... agora com o 6º e 5º lugares!
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6° lugar

Como Ser ("How To Be", dir Oliver Irving, Reino Unido, 2008)

Na fila, antes de entrar na sala escura, uma moça passa cheia de pop cards distribuindo-os. Me ofereceu um e aceitei. Logo vi que se tratava do filme que iríamos assistir nos instantes seguintes. As fotos do cartão eram bonitas, bem produzidas e tudo. Me deu até mais ânimo para assistir à película.


Ao ler a sinopse confesso que fiquei no mínimo curiosa. Um cara que volta para a casa dos pais depois de romper com a namorada pra mim foi um tanto curioso. Ainda mais levando em consideração a foto do filme na programação da Mostra, ele na cama dos pais como uma criança com dificuldades de dormir, apesar de sua expressão de travessura no rosto (foto acima).

Fato é que o filme, pra mim, não acrescentou em nada. Uma história insossa... Nem os fatos dignos de uma boa comédia me comoveram...

É que Art é um músico frustrado. E, diga-se de passagem, ele nem chega perto de ser músico mesmo! rs. Mas às tantas ele volta à casa dos pais. O problema é que o jeito como é tratado pelos pais desencadeia (tardiamente) uma crise existencial no rapaz. Para tentar resolver tal crise ele se apóia em conselhos de um livro de auto-ajuda. Logo depois o próprio autor do livro vai morar na sua casa e da palpites o tempo todo na conduta de Art. E isso resolve alguma coisa? Nada.


A questão talvez do filme seja justamente mostrar como a geração de Art é (ou está?) desorientada quanto a tudo. Amor, profissão, amizade, família etc. Ele é um desorientado sem motivação, sem objetivo nem nada. Um cara que eu fugiria dele, rs. (ah... e parece que não toma banho há séculos!)

Chegou aqui no 6º lugar por essa falta de questionamento relevante para mim. Não que não questione nada, aliás, questiona justamente a posição de Art na sociedade. Mas é que pra mim não fez muito efeito. Só isso.

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5° lugar

Rio ("River", dir Mark Wihak, Canadá, 2007)

Um homem e uma mulher, afinal, podem ter uma amizade digna de grandes sentimentos?? Mas, só amizade? Será que tudo não passa de um estágio anterior ao amor? Ou é tudo amor, mas sem sexo? Amizade e amor, qual a diferença?

Uma história de amizade. Profunda e super recíproca, até chegar a confundir um dos lados. Está a grande questão de Rio. Regada a fotografias e poemas, a relação de dois amigos transcorre com o passar do tempo.


São dois jovens cheios de sonhos e expectativas e frustrações na vida. Com a amizade, cada um supre o vazio do outro numa relação cheia de signos às vezes difíceis de serem absorvidos e interpretados pelos próprios personagens.

Stan e Roz vivem juntos, mas como amigos somente. Quando Roz dorme com um cara estranho, Stan reage com uma crise de ciúmes que acaba com a confiança de amizade que cada um tinha pelo outro. Um ponto delicado e muito, muito sutil. Afinal, onde acaba a amizade e começa o amor? E o desejo? Onde fica?


Rio se passa e o espectador fica com uma certa sensação de inacabado. Eu fiquei. Por isso essa posição no ranking. Nada de grandes emoções, ou momentos de comoção total da platéia. Nenhum personagem de tirar suspiros ou provocar tamanha ira... Uma história que se aproximou da realidade pela falta desses itens quase fantásticos, próprios das novelas, cinemas e tal. Os personagens parecem pessoas comuns até demais. Com problemas comuns e nada demais... É isso. Nada, nada demais...

Se tivesse uma cor seria uhm... azul bebê. Ou cor de hospital. Sabe? Muito suave, quase imperceptível...

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Ainda temos 4 filmes na lista. Conforme o tempo e os acontecimentos permitirem... vou escrivinhando aqui, rs. Aguarde...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Marcelo Camelo em BH

Acabo de pisar em casa e a vontade de descrever a experiência é tamanha que nem vou esperar o amanhã, com todo o meu ar descansado. Não, vai agora mesmo, rs.

Belo Horizonte, Minas Gerais - 05/11/2008
Show de Marcelo Camelo - Lançamento do álbum Sou
Palácio das Artes, 21:00h.
Grande teatro. Platéia II, fila II, cadeira 3.

Muitas pessoas conversando, procurando seus assentos. Amizades revistas, beijos trocados, fofocas contadas, piadinhas sem graça, expectativas à flor das peles. Um burburinho ensurdecedor. As luzes se apagam e mesmo antes de qualquer pessoa subir ao palco, os mais excitados já bradam suas tietagens.



Somente as luzes do centro estão acesas. Todas convertidas a um banco atrás de um microfone. Então entra a razão da noite. Marcelo, um cara magro e um pouco curvado, anda até o banco iluminado e pega seu violão. A imagem é linda e singela. Delicada, assim como o moço, que com tanta barba é difícil ver sorriso ou qualquer outra expressão assim delicada. E era pra ser aquele momento de profunda concentração no silencio oco do teatro, mas infelizmente alguns muitos da platéia pouco deixavam o show começar. Os gritos e palmas fora de hora chegaram a ser profundamente irritantes.

A principio a sensação total, em relação à tamanha manifestação do público, era de que aquele cara ali era realmente ovacionado e até idolatrado por alguns. Mas o tempo passou e o artista tentando fazer o seu papel, mas esses agitadores simplesmente não deixavam o espetáculo rolar. Queriam aparecer mais que o artista. Os gritos e os intermináveis aplausos atrapalhavam e deixavam o músico até sem jeito. Mas pouco a pouco esses foram se calando e deixando o moço falar e tocar... e cantar. É, em alguns momentos...


Apesar disso, devo dizer que Marcelo Camelo é um cara muito carismático em toda sua simplicidade e na tal timidez. Mas isso eu já tinha comprovado em outras ocasiões. O novo aqui, pra mim, foi a energia ao lado de uma banda muito diferente da Los Hermanos. Com sons mais delicados o Hurtmold ajudou a moldar a atmosfera do show e do disco, dando uma cara realmente nova para o trabalho do Camelo.

O disco Sou foi tocado quase que de cabo a rabo. Algumas do Hermanos, como não poderia ser diferente, fizeram parte do set list, para delírio dos tietes de plantão. E mais uma, que talvez tenha dado o clima mais intenso e incrível de todo o show, Despedida (nessa os aplausos e contorias super alvoroçadas sessaram um bocado... será que não sabiam a letra?).


Quase todas (quando eu digo todas é verdade!!) foram entoadas pelo forte coro animadíssimo (às vezes até frenético demais) da animada platéia. Canções como Janta, Copacabana, Menina Bordada, Vida Doce, Morena, Moça e as outras muitas. Às vezes era até impossível ouvir a voz do moço lá no palco, o que me deu até um pouco de raiva. Pô, tinha ido ali pra ver a performance dele, não de outros desconhecidos e desafinados que faziam questão de gritar as poesias... Sinseramente, me senti profundamente desrespeitada com platéia. E a sensação que tenho em relação ao Camelo é de que ele também não achou assim tão do caraleo essa intromissão do público...

Assim foi o show todo, que foi até rápido. No final algumas canções para finalizar de violão e voz mesmo. Mas aí todas as vozes estavam no meio, inclusive a minha. Pelo menos metade das pessoas deixaram seus assentos e foram se aproximando do palco. Cantando, dançando. Uma catarse carnavalesca em coletivo, rs. E pronto, ele se despediu e foi indo embora. Aí foi que aconteceu o que eu nem de longe previa. Os tietes subiram no palco atrás do ídolo... Achei deseducado... Fiquei sem entender...


Por fim teve bom, mas poderia ter sido melhor se aquela parte do público respeitasse a apresentação. E fico aqui tentando analisar o por quê de tamanho frisson... Uhm...


**fotos do companheiro de guerra João Pé de Feijão

sexta-feira, outubro 31, 2008

10 mãos e 1 piano


Ontem, uma noite de quinta sem chuva, sem vento, de calor e quase sem cor. Depois de um dia um pouco apático e sem graça minha noite foi cheia de beleza. É que fui ao teatro ver mais um show da série cordas do Sabará Musical, projeto que elogiei neste espaço outras vezes, rs.


E não podia ser diferente o bom gosto da curadoria do projeto. Mais uma vez uma incrível atração surpreendente. A Pianorquestra, e seus mil sons. 5 pessoas e suas 10 mãos envolvendo um piano, ali no meio do palco cheio de microfones de todos os tamanhos, tipos e em todos os lugares. O repertório basicamente brasileiro surpreendendo mesmo naquelas músicas super-conhecidas e de quase domínio público. John Lennon, Milton Nascimento, Toninho Horta e Villa Lobos foram alguns dos belamente interpretados com aquela leveza quase inimaginável.

Sons de cavaquinho, bumbo, harpa, violino... O piano virou uma orquestra completa e até mais complexa. Perguntado sobre o tempo em que as músicas são arranjadas, o músico e diretor artístico do grupo, Claudio Dauelsberg, responde que os arranjos são demorados e minuciosos, pois a atenção tem de ser dobrada quanto a espaço e as limitações físicas do instrumento.


Além da música, os elementos cênicos são de suma importância na construção de sentido das canções. A interação entre músicos/atores, melodias e instrumento dá o tom mais alegre e divertido da apresentação, muito distante da pomposidade de recitais eruditos de piano. E talvez aí, além do trabalho musical, seja o grande trunfo do grupo na conquista definitiva do público.
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E o publico... enlouquecido! São poucos os shows que temos a oportunidade de fazer parte de um grupo de pessoas que compartilham ali no momento um dos maiores prazeres da vida e dedicam as muitas palmas com completa admiração ao artista. Foram muitas palmas. E todas merecidíssimas. A cada música a manifestação da platéia quase não deixava o show continuar. E o sorriso das belas moças e do único moço não mentia o orgulho e um quê de timidez... Muita humildade... hehe. Muito lindo, gente! Parabéns.

Na saída do teatro comprei o DVD, e estou doida para desvendá-lo em casa logo. Espero que seja tão bom quanto o show, pra eu poder mostrar pra todo mundo a qualidade da música brasileira, da criatividade dos brasileiros e a beleza de projeto de 10 mãos e 1 piano, rs.

Para finalizar, mais um viva à cultura brasileira e um parabéns para a Bangalô, produtora do projeto. Pelo segundo ano consecutivo conseguiu levar a Sabará grandes nomes musicais do país e vem formando um público cada vez mais assíduo e maravilhado com as atrações.

segunda-feira, outubro 27, 2008

questão

Onde amarrei o meu burro?

sábado, outubro 25, 2008

nota policial

Foi assim. Me levaram dinheiro, celular, documentos. Talvez também uma parte de mim. Fiquei perplexa, atônita. Imóvel. Nem sei por quê. Então criamos coragem de sair do lugar, mesmo assustadíssimos. E os guardas até tentaram pega-los. Mas já era tarde, já tinham corrido o bastante. O nervosismo, a imaginação percorrendo por possibilidades que não ocorreram, mas que pela simples possibilidade me aterroriza até então. Não aconteceu nada demais, só levaram coisas materiais. Graças a Deus.

É que fui assaltada um dia desses. E aquele sentimento de culpa ainda me persegue. A gente se culpa pelo lugar e horário, mas quem será o realmente culpado? Nem sei se até poderia nomear os assaltantes para isso. Outros muito sucintos diriam que é culpa do sistema. Esse sistema... Não sei de quem é a culpa, só me sinto ainda culpada. Depois de conviver diariamente pela mídia com a notícia de um mundo violento, ainda dou sorte ao azar... Isso é motivo de culpa. Mas estou superando. Pouco a pouco. Sono a sono. O problema agora é só tirar as segundas vias de tudo o que me foi tirado. E é caro...

terça-feira, outubro 21, 2008

cine indie #2

Continuando a minha critica pessoal dos filmes indies vistos no Indie.

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8° lugar

A Ameaça
("La Minaccia", dir Silvia Luzi e Luca Bellino, Itália/Ve
nezuela, 2008)


O tal documentário sobre a Venezuela. Um tema bacana, mostrar os vários lados do "socialismo bolivariano venezuelano" e seja lá o que isso significa de verdade. Pois a proposta é tentar entender isso sob vários pontos de vista.

Um documentário no estilo clássico. Houve-se o maior número de fontes e
amarra as informações formando uma linha de pensamento. Clássico, funcional, mas um pouco muito cansativo. O problema todo foi o ritmo. Quase me fez dormir em alguns momentos.

Mas mesmo assim é interessante entender como funciona um governo que se diz para o povo, mas se preocupa demais com o petróleo. Um governo que apresenta todos os domingos um programa de TV de 8 horas de duração. Que se diz socialista e democrático ao mesmo tempo. O que é isso?

A alta classe, no seu clube, reclama que o governo não governa para todos. Que a violência ainda é um problema sem solução. Que o medo toma conta de suas vidas, que nada podem fazer e o governo não faz o que devia. As classes baixas, em seus casebres nas enormes favelas, reclamam da falta de saneamento básico, falta de água potável e, claro, também da estúpida violência que tiram seus filhos de casa direto para o necrotério.


Um país em que a gasolina é extremamente barata e a água é uma coisa rara e muito cara. Onde o socialismo bolivariano venezuelano (democrático) está no poder há 9 anos e que continua convivendo com milhões de problemas não ou mal resolvidos.

Fica uma dúvida. Será um caminho para os países emergentes de todo o mundo? Ou é só mais uma promessa descumprida e ilusória? Mais uma utopia latina, mais uma tentativ
a frustrada. Por que, afinal, o mundo é neoliberalista e não poupa ninguém.

Este filme ficou no 8° lugar aqui, mas talvez por que eu não estava no clima dessas discussões, desse tema. Mas mesmo assim é interessante entender sobre o assunto. Recomendo.

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7° lugar

Estrada 20 ("Kokudô Nijûgô-sen", dir Katsuia Tomita, Japão, 2007)


Ultimo dia de Indie. Já havia assistido a 2 filmes e esperei um amigo para assistir a saideira. Chegamos atrasados à sessão. Uma pessoa que este amigo esperava nos atrasou um pouco, mas tudo bem. Conseguimos assistir assentados no chão, mas nem foi ruim por que a sala era bem íngreme.

Como chegamos atrasados o filme já estava há uns minutos na tela. E não sei bem se o que deixei de ver faria muita diferença na minha impressão final. Pois bem, vai aqui.

Resumindo bastante, o tema do filme é a vida louca de um viciado em jogo e em drogas, no caso o que parece ser removedor de tintas. Seus dias, todos regados a jogos vão se passando e o dinheiro junto. Com isso acaba fazendo muitas dívidas com um agiota, assessorado por um amigo. Para tentar arranjar a grana tenta entrar no ramo de vender tacos de golfe, mas não sabia que ia ser tão difícil. E também não faz muito esforço.

Fato é que nosso protagonista Hisashi é um preguiçoso que a
dora as viagens através do cheiro de removedor, ou outras coisas. Sua namorada, também viciada no pachinko, gasta toda a grana que eles têm.


Mas o que não fez este filme ficar numa pior posição nesse ranking foi o sotaque (ou jeito de falar?) de Hisashi, assim muuuuuito arrastado. O que rendeu vários momentos de risadas da platéia. Além disso, o final surpreendente deixa um gosto um pouco diferente na boca. E quando falo surpreendente é sim, pois ninguém imaginaria tamanha inconseqüência, rs. Mas não contarei aqui o final, né...

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No próximo cine indie os 6° e 5° lugares. Aguarde...

segunda-feira, outubro 20, 2008

2 anos na divisa...

No último dia 17 este espaço completou 2 aninhos de idade.
Uhu!!!
Acho que vou dar uma festa...

sábado, outubro 18, 2008

cine indie #1


Então o Indie passou e eu acompanhei quase que cada passagem, cada passo. Das 121 sessões durante os 7 dias de festival, dos 134 filmes de 17 países consegui assistir apenas a 10 longas. Do jeito que deu assisti ao máximo, mesmo com sono ou outras programações pendentes... Persisti.

Nas filas muitas conversas e pessoas novas a todo o momento. Talvez o mais interessante de festivais... conhecer pessoas e trocar contatos e as mais variadas informações. Rever amigos e levar outros desacostumados à boa cultura e, no final... boas conversas na mesa de um bar.

A contabilidade final do Indie deste ano foi bem positiva. Dos 10 filmes que vi posso dizer que pelo menos a metade valeu muito a pena. Uns talvez foram no momento errado,
outros eu nunca recomendaria a ninguém vê-los, coisa de gosto. Mas uma coisa é certa: uma mostra de cinema independente com uma qualidade como essa é muito gratificante e estimulante. É uma prova de que bons filmes podem ser feitos das mais diversas condições, financeiras e técnicas.

Segundo meu ranking pessoal farei aqui a ordem crescente em qualidade, para que no final tenhamos uma bela sobremesa!

10°_ Ferias ("Ferien", dir Thomas Arslan, Alemanha, 2007)
9° _ Deixando Barstow ("Leaving Barstow", dir Peter Paige, EUA, 2008)
8° _ A Ameaça ("La Minaccia", dir Silvia Luzi e Luca Bellino, Itália/Venezuela, 2008)
7° _ Estrada 20 ("Kokudô Nijûgô-sen", dir Katsuia Tomita, Japão, 2007)
6° _ Como Ser ("How To Be", dir Oliver Irving, Reino Unido, 2008)
5° _ Rio ("River", dir Mark Wihak, Canadá, 2007)
4° _ A Fotografia ("The Photograph", dir Nan Triveni Achnas, Indonésia, 2007)
3° _ Palmas Brancas ("Fehér Tenyér", dir Scabolcs Hajdu, Hungria, 2006)
2° _ Fix ("Fix", dir Tao Ruspoli, EUA, 2007)
1° _ A Cabeça de Mamãe ("La Tête de Maman", dir Carine Tardieu, França, 2005 )


Mas, como o tempo é pouco, escreverei aqui a conta gotas. E vocês também terão mais tempo para digerir os comentários...

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10° lugar

Ferias ("Ferien", dir Thomas Arslan, Alemanha, 2007)


Depois de ter assistido a um filme talvez mediano, vou novamente para a fila lá fora deste filme. Na sinopse parecia interessante, salvo o ar de depressão que senti na foto da programação. Tudo bem, encarei de bom grado o segundo filme do dia, afinal estava disposta a passar ali o resto do Indie intensamente cinéfila, já que era o último dia de festival.

Bom, se pudesse resumir tudo numa única palavra seria a palavra 'tédio'. Um tédio to
tal. Todo o filme, toda o enredo. Os personagens, as paisagens, as movimentações. Tudo é parado demais. Soa até falso.

Um filme que conta do vazio da vida de uma família, de seus problemas mal resolvidos, de suas relações conturbadas. Fala da calma do campo sem qualquer charme ou beleza. E o clima de fim de domingo em que pode predizer grandes acontecimentos ou o tédio total é constante.

O longa tenta retratar uma família e suas relações, mas não se atém a nenhum foco. Nem mesmo só a família. E talvez o foco fosse mesmo a paisagem de sítio, da calma do campo... E sinceramente, se foi essa a intenção de seus realizadores não ficou muito claro e nem convidativo. Ou seria mesmo só o jeito de contar como é passar as férias em família. Mas daquelas famílias que sempre se espinham quando se ajuntam.



Os planos são na maioria abertos e nem a paisagem merecia tão vaga atenção
. E as cores pouco exploradas. É tudo parado demais, esperando uma tempestade, um vendaval, uma coisa qualquer. Sabe a ressaca do mar?

E quando um personagem morre e você acha que ali é o ápice do drama, não se vê única lágrima. Não se ri nem se chora. É um filme frio em que nem a brisa, super presente nos cafés na mesa do jardim, tem seu merecido lugar, apesar de chamar a atenção do espectador quando 'briga' com o jornal do moço ou avacalha os cabelos da senhora. No fim fica só a sensação de que se viu um filme para nada. Sem catarse nenhuma.

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9° lugar

Deixando Barstow ("Leaving Barstow", dir Peter Paige, EUA, 2008)


Pra começar não era pra eu ter visto este. Nos planos estava ver aquele documentário sobre a Venezuela e o governo Chavez na sala ao lado. Meu amigo já estava lá me esperando sair da outra sessão para vermos juntos. Mas minha irmã, com seu jeitinho meio discreto de dizer "fica comiiiigo", me puxou pra outra fila. Ficamos pra ver um drama de tom adolescente e nem um pouco atrativo já de início (e isso só lendo a sinopse e observando a foto de divulgação).

Mais um filme de conflitos adolescentes. Não que não seja importante retratar esses conflitos de alguma forma, mas é que a maneira foi assim... um pouco insossa. Talvez a paisagem e o clima desértico do oeste americano... Com aqueles cenários áridos e sempre muito suados. Fico me perguntando se as pessoas tomam banho nesses lugares.

Aquela famosa imagem de lanchonetes americanas com suas garçonetes sofre um pequena mudança se transformando num restaurante chinês. Parece até bizarro, no meio do nada americano um restaurante chinês onde se trabalham mulheres de meia idade cheias de sonhos e vontades, mas todas frustradas.

A impressão mesmo é que nesses áridos lugares não existe alegria ou qualquer vontade de vida. Há os que se matam, os que se mudam, os que fogem. E quem fica está triste a aceita essa condição simplesmente. Não dá pra entender. Realmente não dá. E isso se repete em quase todos os filmes desse cenário. Resta-me pensar que a realidade não é diferente.

No final, se você gosta de personagens sem as rédeas de seus movimentos, sem vida, sem graça, sem borogodó nenhum, vai gostar do protagonista. O que salva é a paixonite do garoto que 'deixa Barstow'. Ela sim tem vida. Mas infelizmente ninguém mais. Não pra mim...


Entretanto o filme tem uma ótima qualidade técnica. Os atores são bons, a luz, as cores, a imagem, tudo... Pena a história ser tão sem graça. Inrrecomendável.

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Aguarde os outros lugares da lista, rs.

Até.

quarta-feira, outubro 15, 2008

INDIE 08

Passeando pelo Indie 2008 - Mostra de Cinema Mundial por esses dias...
Assistindo tudo o que dá. Filmes bons, filmes ruins... expectativas e frustrações. Normal, né...
Mas em breve comentários críticos a respeito dos melhores por mim vistos. Aguarde.

Quem estiver em BH e não está a par do Indie, fique esperto e acesse a programação no site oficial e se organize. Lembre-se cinema de graça e
de boa qualidade não é todo dia, hein...

terça-feira, outubro 07, 2008

questão

Toda maioria é burra?!

domingo, outubro 05, 2008

;

Me sinto distante de todos
assim como se fossem ameaças
mas talvez quem seja mesmo
sou eu.

As voltas e meias
no varal e nas janelas
por onde eu vá ou veja
um cinza e chuva gélida.

O que acontece nem sei
só aconteceu e comigo
será o tempo ou meu coração
que esqueceu mesmo de amar?

Ou isso nem seja amor
só mesmo um jeito de ser
distante, parado
como se o movimento do mundo fosse o bastante.

Lembro de uma fala
de que tudo passa
mas se passa isso tarda
pois o tempo voa!

quarta-feira, outubro 01, 2008

notas ligeiras

Estou largando o estágio para tratar das minhas coisas. Em breve entrarei em processo de gravação das minhas canções, para em seguida disponibiliza-las aqui na Internet. Agora, como a gravação será caseiríssima, eu não faço a mínima idéia de quando isso estará pronto, rs. É preciso paciência... daqui e daí.

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Novas idéias surgem a cada segundo para um novo projeto. Há duas semanas a empolgação está tomando boa parte de meus pensamentos para o desenvolvimento deste. Mas, infelizmente não posso adiantar mais nada além de se tratar de um projeto relacionado à música e seu processo de produção. Aguardem.

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Uma das coisas mais interessantes da faculdade tem sido a disciplina que trata do neoliberalismo. Já ouviu falar sobre isso? Pois é... uma loucura, rs. Uma verdadeira aula de história que me deparo a cada dia com mundos diferentes e completamente desconhecidos por mim. Aula de hoje? México. E a incrível informação: lá existe um movimento dos indígenas que discute o neoliberalismo usando a Internet! E o mais incrível!! Como um grupo rebelde e situado no meio da floresta (que agora não me lembro o nome) consegue se comunicar com o mundo utilizando a Internet? Ficou curioso? Acesse:
http://www.ezln.org.mx/ .

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Estou me reciclando tecnologicamente. Tomando vergonha na cara e tentando entender como funciona essas coisas que você agora encontra em todas as páginas... Assim como rss (esse é fácil, rs), tecnorati, delicious, podcast (até hoje não consegui usar tal ferramenta, rs), twitter... etc. A cada dia eles inventam uma coisa nova e a gente fica pra trás... aff.

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Acho que é isso. Por enquanto... rs.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Fórceps e 4

Algumas mudanças na minha vida estão sendo primordiais. Talvez por algum tempo deixe um pouco de lado este espaço. Mas não antes de escrever e descrever aqui o que foi por mim vivido nos últimos tempos... rs.

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Há um ano nascia um coletivo na minha querida Sabará City. O nome desde já mostrava seu caráter adverso ao estilo sabarense, Fórceps. E quem começava tal jornada eram velhos conhecidos meus. O que ninguém acreditava, ou esperava de fato, era que o Coletivo Fórceps iria dar certo e abrir portas antes nunca imaginadas na cena local.



Manolo's Funk

Foi com um evento pequeno e tímido que as atividades começaram em 2007, a primeira edição do Festival Escambo. Muita chuva, um lugar apertadinho e um público ainda um pouco perdido. O Escambo I não conseguiu nem dar idéia do que viria acontecer meses depois. Foi quando realizou em praça pública o Minas Instrumental, donde saiu umas das revelações da música instrumental dos último tempos: o 4.

A banda é formada por amigos meus, que apesar de terem tocado durante toda a vida em outros projetos sempre senti certa insatisfação por parte deles na música. Depois de vê-los tocar pela primeira vez, logo percebi que nascia ali um grande projeto, profissional ou até mesmo de vida de cada integrante.



Então a segunda edição do Fest. Escambo aconteceu recentemente ali na praça do coreto, no centrinho de Sabará. Foram 2 dias (20 e 21/09) de programação com palestras, reuniões e shows. Cinco bandas, cada uma de uma cidade e todas ligadas a um coletivo, se apresentaram durante todo o domingo, revolucionando o hábito domingueiro dos nativos que passavam pelo local.

4



O rock, o rap... a boa música reverberou nos ouvidos de toda a galera e rendeu muitos elogios. Mas esse texto na verdade nasceu por causa do estrondo 4... Foi o auge do dia, já diziam os Gomas. Todo mundo parou pra ouvir apesar da chuva que ia e vinha. Os meninos estão muito bons e cada vez melhores. Não perdem pra ninguém em todos os quesitos da boa música. Mas digo aqui não comparando só à música instrumental, mas à boa música da atualidade. E eles merecem.


Para terminar, vão aqui uns elogios pra galera do Fórceps que estão se superando cada dia mais, rs. Valeu galera por fazerem acontecer boas coisas por aqui e aí...

terça-feira, setembro 23, 2008

hásão

é assim
sempre falta um ás
uma grama de atração
uma vírgula de ão

o que há
hão de ser em vão
em paz
um pão

pode ser
nada má
ser mão
de cá

quanto falta
e eu na maré
só de esperar
com dor no pé

terça-feira, setembro 16, 2008

Sou nóS

É certo que a sensibilidade e a incrível inventividade melódica de Marcelo Camelo não são nenhum mistério. Não é assim a toa que o moço é consideradíssimo por todos um grande compositor e tudo o mais. Não acho ele um gênio, mas é realmente incrível! Dá até inveja, rs, aquela da boa sabe.... rs.

Sou é seu novo cd, ou será que seria nós?... uhm, mais uma boa tirada. E mais, está disponível em parte nesse
endereço, gratuitamente. Adoro essa coisa de disponibilizar música gratuitamente pela net...

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Sou parece uma carta de férias no Caribe ou no Rio... Daquelas que mandamos pra alguém que gostamos demais enquanto vivemos um momento pulsante na vida. É um sorriso calmo no rosto sereno com gosto de limonada geladinha no beijo. É aquela dorsinha de solidão de fim de tarde com cheiro de chuva. É um assovio solitário numa caminhada pelo parque olhando os pés passarem por meio-fios e gramíneas verdes. É um abraço gostoso e revigorante com uma lata linda de biscoitos amanteigados...

Marcelo parece leve, sem amarras de qualquer categoria. Mostra-se todo. Pelado. Parece o amor, assim sem protagonista, só o sentimento. Mesmo a solidão não abala o coração nem o afunda na depressão. Apesar de dizerem que é um disco depressivo... não. É aquela solidão normal, inerente, que todos vivemos um pouco. Aquela de escrever poesias sozinho no quarto escuro e comer uma barra inteira de chocolate ao leite. Seu violão está mais violão que nunca... uma graça. Uma pena é às vezes pouco se ouvir a voz dele, ficou baixa demais em alguns momentos.

Hurtmold é sutil e na medida necessária para emocionar a mais cândida das almas tolas desse mundo, rs. Já conhecia a banda de anos e anos atrás, mas me esqueci dela durante muito tempo pra me surpreender novamente agora. Lindos timbres e um jeitinho de balanço que me faz quase chorar. Parceria gostosa como goiabada cascão e queijo canastra. Doce de leite com queijo e coco...

A participação de Mallu é lindinha demais, quase do jeitinho que ela parece ser na vida real. Aliás, parece maduro demais pruma menina de 16 anos que gosta muito de folk e tem um voz linda pro inglês. Parece não ser a Mallu que canta Tchubaruba, parece ser uma moça cheia dos amores passados na vida. Mas, sei lá, só parece, rs.

Dominguinhos é, como sempre, incrível. Sou fã e a-do-ro acordeom. Simplesmente. Assim como os próprios Dominguinhos e Camelo.

Sabe aqueles suspiros? Ahh... de se dar durante todo o disco (apesar d'eu ter ainda somente as 10 faixas livres da net, mal posso me segurar de vontade de ouvir o resto, rs)...

Próximo passo? Vou ali colocar o som bem alto (alto) na sala de estar e afastar os móveis pra dançar daquele jeito meio desengonçado, o mais gostoso... e comer uma barra de chocolate ao leite com castanhas do Pará, rs.

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Pra finalizar? Escolhendo um hit? ... uhm... um não, dois! “Menina Bordada” e “Mais Tarde” E um grande abraço de parabéns pro Marcelo e Hurtmold! Valeu!!!

segunda-feira, setembro 15, 2008

Papo pop, pra lá e pra cá...

Se entre olharam...

- Desculpa, mas não desce.
- Faz uma forcinha.
- Num dá pra engolir!
- Mas por quê?
- Não sei... deve ser aquele olhar de peixe morto... ou a bichesa que não sai pra fora...
- Ái, quanto preconceito!
- Preconceito que nada! Só acho ele um bocado arredio demais, forçando amizade. Não é do tipo de gay que eu e dou bem...
- E todo bicha tem de ser extrovertido?
- Não! Mas ele me irrita... rs
- Na verdade também nem gosto dele.
- Hahahahaha. Tá vendo?
- Hehehehe... pois é.

sábado, setembro 13, 2008

Adeus MBC 2008... e Milenium por hora


Então acabou. Assim, de uma vez. Duas últimas apresentações e pronto, foi-se mais uma etapa. Nos despedimos do Mercantil do Brasil Cultural 2008 assim...


10.09 - Governador Valadares


A terra do calor, dizem. Pois bem. Fez um calor muito danado, mas disseram os nativos que fica ainda mais quente... Não fiquei com vontade alguma de experimentar, é verdade, rs. Mas foi suportável e sudoríparo. Além das roupas normais, os figurinos ficaram um pouco muito suados...

Regados a água de coco e alguns picolés montamos as coisas e fomos almoçar, como de costume, esperando pacientemente pela passagem de som. Antes ainda de irmos para a praça meu ouvido direito entupiu quase totalmente. Meu Deus! Como ia fazer com o espetáculo do dia? Tentei todas as formas de desentupimento, mas não resolveu nada... Tudo bom, vamos para a praça.

Já no local as coisas atrasaram um pouco. O som não estava todo pronto e o calor estava quase insuportável. Na passagem de som, claro, estava tudo meio estranho. Sem a referencia do meu ouvido direito confiei na sensibilidade dos outros, que também reclamaram do som. Foi mais tarde, à noite, quando a última música começou que tudo ficou mais estranho ainda. O retorno parecia desregulado e assim a música desandou e o público mal mal aplaudiu. Uma pena... Mas, além deste detalhe, no decorrer do espetáculo muitas coisas estavam com quinas, sem a energia necessária.


No final, compartilho do ponto de vista do Diretor quando, depois do espetáculo ter terminado e estar tudo desmontado, nos reuniu e disse que a apresentação foi terrível!! Com todo o calor do momento culpou alguns detalhes e pediu mais atenção, concentração e disposição para fechar o ano com chave de ouro.

11.09 - Ipatinga


A praça, ou melhor, Parque Ipanema é uma lugar enorme!! E muito bonito, com lagoa e tudo. Foi no meio dessa imensidão que montamos o caminhão para nos apresentarmos prum público muito grande, segundo a expectativas dos muitos barraqueiros que estavam do lado de fora do parque. Muito bem, calor demais também. Mas tudo bem...

Um almoço demorado e uma visita ao teatro da Usiminas dentro do shopping da cidade. Muito bonito e com infraestrutura desejável de qualquer artista. Bora pro hotel que mais parecia uma grande vila, com casinhas em vez de andares de um enorme prédio.

Uma montagem tranqüila e uma passagem de som menos conturbada começou o fim de tarde. Um ensaio a mais de músicas chaves do espetáculo deu um gás a mais para o grupo. Uma reza com quase todos da equipe do projeto também fortaleceu as energias todas. Tanto de elenco como de técnica, produção etc. Todo mundo concentrado e pronto pra mais um espetáculo.

Então transcorreu talvez a melhor apresentação de toda a temporada MBC 2008. O ritmo bem acertado, as piadas todas funcionaram, as canções com as energias necessárias. O público incrivelmente atento e presente. Tudo certo demais até, rs. Bom isso...

Para fechar o projeto, uma despedida da galera rolou mesmo na beira da piscina do hotel, já que infelizmente não foi encontrado qualquer restaurante ou mesmo bar que pudesse servir algo de comer pro pessoal da técnica e nos abrigar para a última confraternização. Mas em posse de algumas poucas latas de cerveja, um violão e um pandeiro entramos madrugada adentro. Teve muito bom.

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Em nome de toda Cia de Yepocá, e em meu nome, claro, agradeço por tudo:

À toda equipe técnica que teve papel de suma importância para que tudo transcorresse sempre bem. Agradeço à toda equipe de produção da ArtBHz por fazer possível tantas apresentações e dar tudo certo. Aos motoristas que levaram e trouxeram tantas vezes equipamentos, pessoas e outras coisas mais. Agradeço ao Banco Mercantil do Brasil por nos dar a oportunidade de fazer a arte acontecer nesse país, principalmente leva-la a tanta gente que pouco tem esse contato. Agradeço a todo o público que nos prestigiou, nas boas e más apresentações. E aos meus grandes colegas e amigos de elenco. Valeu!!

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Milenium é uma peça da Cia de Yepocá patrocinada na sua montagem pelo Banco Marcantil do Brasil, que no decorrer deste ano também levou sua apresentação para 13 cidades de Minas Gerais.


Ficha técnica:

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Concepção, dramaturgia e direção geral:_ Bruno Godinho
Assistente direção e colaboração de t
exto:_ Débora Mazochi
Direção/consultoria musical:_ Fernando Muzzi
Trilha sonora original:_ Bruno Godinho e Mariana Lima
Direção teatro de sombras:_ Suzana Louzada
Elenco:_ Bruno Godinho, Camilo Rocha, Fernanda Linsk, Jéssica Tamietti, Luisa Goreti, Mariana Lima e Michelle Braga
Iluminação:_ Henrique Machado e e Joana D'Arc
Cenografia:_ Bruno Godinho e Juliana Buli
Preparação vocal:_ Valéria Braga
Oficina "O Corpo do Ator":_ Vanessa Alves
Assistente direção musical e vocal:_ Mariana Lima
Concepção e confecção de figurinos:_ Juliana Buli
Confecção de perucas (espuma):_ Camilo Rocha
Cenotécnica:_ Nilson Santos

Maquiagem:_ Cacá Zech
Confecção narizes de látex:_ Anita Fernandes
Coordenação de produção:_ Bruno Godinho e Luisa Goreti
Produção e realização:_ CIA DE YEPOCÁ

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Agora, que venham outras apresentações por aí. Se você se interessou, entre em contato com a produção da Cia de Yepocá.

Quer relembrar como foi a temporada MBC 2008 de Milenium? Clique aqui então.

domingo, setembro 07, 2008

questão

Um criado mudo uma vez me disse que no mundo muitos iguais a ele existiam, mas por estar sempre no canto da parede pouco os via.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Ricardo Herz

Um show inesquecível. De energia, excelência dos músicos e vibração da platéia. Um show realmente inesquecível.


Ao ver na programação o nome e foto de Ricardo Herz não pude imaginar o que me esperava na Casa de Ópera de Sabará. Os cabelos rebeldes, desgrenhados e o violino em posição podia ser somente mais um desses músicos que fazem um estilinho despojado, mas na verdade não tem nada de diferente ou bom. E creio que as outras pessoas que desconheciam o músico pensaram parecido a mim.

O show foi no Sabará Musical Edição Cordas, produzido pela Bangalô Produções e patrocinado pela Natura. No projeto é mostrada uma atração local, no caso foi de um grupo de músicos representantes da Orquestra Santa Cecília, na qual toquei durante 2 anos. Logo depois a atração principal que na grande maioria das vezes é um grande nome da música instrumental, que infelizmente nem sempre é conhecida pelo público presente.

Eis que entra ao palco os quatro músicos um pouco acanhados. Os primeiros compassos de bateria não contam o que vem pela frente. De repente tudo se transforma em pura energia e descontração, o que dá o tom da noite e contagia toda a platéia. Ao fim da primeira canção, agora sim, é possível prever o que vem pela frente.



Tom Jobim, Milton Nascimento e Pixinguinha... Todos com uma leveza e descontração irrefreáveis. Inimagináveis até que aconteçam. Lindo e espetacular. Até que toda a platéia nem se contém, bate palma junto, sorri e podia até chorar. Depois de cada música me sentia quase num estádio de futebol, era tamanha a vibração dos ouvintes, atônitos ao mesmo tempo extremamente participativos.

A palavra de ordem no fim das contas era "mais um, mais um", ou quem sabe "mais dois, mais três"?! Mas teve um único bis, rs. Tristeza minha e de mais alguns. Mas teve ótimo! rs

Na saída não pude me conter e comprei o primeiro CD do rapaz, "Violino Popular Brasileiro" . Lindo, claro.

*Fotas: M a r i a n a L i m a

quinta-feira, agosto 28, 2008

por que as coisas são assim... nada mais

Afinal, o que é essa tal de moda? Essa coisa toda de estar sempre se vestindo supostamente bem e com tudo de mais novo no mercado. Apesar de muitas vezes aquela blusinha da vovó guardada no fundinho do armário nunca perder seu charme. Ou isso tudo seria mesmo só mais uma forma de se identificar com os outros? De se incluir num grupo de pessoas, naquela descolada tribo urbana.

Fui ao shopping hoje. Pois é, eu fui...rs. E como de costume não pude comprar nada. Não que não pudesse comprar uma blusinha que fosse. É que a oferta sempre é tão grande e são tantas as opções que além de ficar um pouco desnorteada com aquela sensação de que há sempre em outra loja o mesmo produto mais barato. Além disso, ir a um centro comercial deste calibre me desperta a reação de repulsa a consumir todas essas coisas.

Assim eu entro pela porta, bato minhas pernas olhando vitrines, constato que ali não existe vida real e vou-me embora pela mesma porta. Mas não pense que é tão tranqüilo assim! Não pense que estou imune às propagandas, às promessas, às belezas estéticas mais avançadas. A verdade é que fico um pouco mal comigo mesma, como se a culpada fosse eu. E é justamente essa a sensação que aquele que vende quer que sintamos. E a gente se sente uma porcaria não é?!

Então vêm cartões de crédito com as contas que se dividem suavemente durante tempos a perder as próprias vistas. Por 10x sem juros ou 15x no cartão. Daí por diante. Entretanto por esse lado posso até dizer que consigo me safar quase sempre.

Enfim, é de doer esse consumismo todo e sua influencia negativa na vida da gente. As dívidas, o carro do ano, o tênis do mês, as parcelas e os juros. É preciso ter cuidado... rs.

E eu ia colocar aqui uma foto ou talvez um vídeo. Mas acho que carece não... Não vou fazer propaganda pra ninguém. Ham!!

\\nos fones// _ J o s h R o u s e

quarta-feira, agosto 27, 2008

Milenium minha...

E foi-se mais uma etapa Mileniana... Desta vez bem pertinho de casa.
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20/08 - Betim
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Chegamos cedo na praça, nada tinha sido montado ainda. Então fomos tomar café, relax... Conversar um pouco, colocar o papo em dia. Depois direto para a labuta. O bom é que não era um lugar muito movimentado (além de terem fechado as ruas que circundavam a praça, quanta mordomia! rs). Hotel ali do ladinho, restaurante mais perto ainda, quanta folga... Montamos tudo tão rápido e logo tínhamos toda a tarde para descançar, tirar umas sonequitchas para de notche estar com as energias totalmente recarregadas.
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Pois bem, mal dormi à terde e voltamos à praça. Tudo normal. Passagem de som... de luz... Ensaios de música e mínimas mudanças para dar agilidade. Então o confinamento no camarim para nos maquiar e nos vestir.
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No horário de costume começamos um pouco mornos demais. As modificações no tema de abertura ainda não tinham pegado. Tudo bem, melhoramos depois. Vão as cenas e o público morno demais. Consequentemente não fizemos o nosso melhor. Aquela coisa de interação mesmo sabe, sem resposta fica mais difícil fazer as piadas darem certo.
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Por fim, tudo bem. Peixe e camarão no jantar. Nem frio nem calor durante a noite.
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21/08 - Contagem

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Noite mal dormida. A constatação da existencia de uma linda piscina ali do lado do quarto. Tristeza com a cena. Nunca podemos usufruir dessas coisas... rs. Entretanto o café da manhã estava lindo, rs. Prontos para zarpar para Contagem. É, só 20 minutinhos...
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Que cidade feia. Cinza, marron, sem cor nem graça. Um pouco perdidos no trânsito local, até chegarmos na tal praça que era bonitinha demais, de jardim bem cuidado e até uma queda d'água. Quanta discrepância! Montamos tudo direitinho e rapidinho. Bora almoçar e poder morgar um pouco a mais no hotel, já que o h orário da apresentação era mais tarde neste dia. E aproveitar os breves momentos no hotel. É, por que não pudemos dormir nele... Voltando assim cada qual para deu aconchegante lar depois do evento.
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Mas antes disso, preciso dizer da platéia. Querida platéia... linda. Foi linda de dar aquela satisfação no final. Bem cheia e participativa. Assim as piadas já davam mais certo, encaixavam no final e as modificações propostas no dia anterior já estavam funcionando. Entre a platéia um ilustre amigo da trupe levou a melhor, tendo o espetáculo do dia dedicado a si.
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Então passamos num "fast-food" para não voltarmos de barriguinhas vazias para casa. Mas, infelizmente os pedidos vieram com uns temperos inesperados e discordando com as fotos ilustrativas do cardápio. Mas isso é normal né, rs. Acho que quando estamos com sono e o cansaço é demais perdemos certa noção das coisas, desdo pedido até a degustação, rs.
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Em casa e segura descansei como merecia acordando só mesmo para almoçar no dia seguinte. Como essas apresentações nos consome energia, meu Deus!
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23/08 - Belo Horizonte
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foto: Mariana Lima

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Enfim a capital e terra onde todos os amigos e parentes poderiam ver de perto o trabalho e dedicação. Como a apresentação estava marcada para mais cedo que de costume, fomos nós para a praça bem cedinho. Mas as coisas atrasaram e aproveitamos o dia gostoso para umas voltinhas na Praça da Liberdade.
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Almoço em outro "fast-food" que desta vez não nos surpreendeu tanto nos temperos e realmente foi rápido. Mas nada me agrada comer nesses locais. Mas fazer o que quando o mais importante é achar um local que emita a tal 'nota séire D' e que atenda o orçamento...
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Para o resto de montagem e dia a presença de um amigo foi muito boa. Para um certo desestresse de trabalho e distração mesmo. Ele que talvez tenha aproveitado mais, vendo de perto a montagem de um espetáculo e a passagem de som, maquiagme e figurino, como é ator e vai seguir sendo.
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À noite aquele frio especial na barriga. A responsabilidade. O nervoso todo. Apresentar prum público que te conhece bem fora do palco, que sabe de suas fraquesas. Apresentar prum público que já viu milhões de outras peças e é muito critico... Apresentar aqui é sempre difícil. Tive aquela sensação de desespero por alguns instantes durante o dia e na hora era meio difícil zuar e ficar tranquila como normalmente fico em outros locais. Mas as coisas foram bem.
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Enfim o primeiro tema com as mudanças deu um ar mais clown à peça já de cara. O ritmo estava bom e o jogo de cintura foi preciso. A platéia não muuito participativa dificultou em alguns momentos. E principalmente alguns elementos extra da peça tiraram a atenção da maioria fazendo alguns se levantarem e ir embora. Mas no todo foi tudo bem. De novo, rs. Que bom.
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Só uma pena no final. Meus amigos eu não ví... nem a maioria da família. Mas as desculpas já foram dadas e aceitas. E outra pena, de novo não conseguimos reunir o elenco todo (dessa peça e de outros trabalhos) para uma cerveja no bar e papo furado. Deve ser a lei inversa. Aquela que diz que quando um grupo de pessoas da certo nas saídas prum bar só serve pra isso mesmo. O nosso caso talvez seja justamente o contrário, rs. Damos muito certo trabalhando, mas pra uma cerveja ninguém se junta.... rs. Será isso bom ou ruim afinal?!
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Próximas e últimas cidades:
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- 10/09 - Governador Valadares
- 11/09 - Ipatinga
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Milenium é uma peça teatral da Cia de Yepocá. Foi patrocinada na sua montagem pelo Banco Mercantil do Brasil e está inserida no projeto itinerante Mercantil do Brasil Cultural 2008, se apresentando por todo estado de Minas Gerais.
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segunda-feira, agosto 25, 2008

'Tiros em Ruanda' e toda a coisa do mundo

Então onde está aquela linha imaginária de respeito ao próximo? Me pergunto. Você se pergunta? E o humanismo, o credo, a ideologia, a identidade, a tradição... Mas o quê que é isso tudo?

Na verdade não sei por onde começar. Nesta manhã, assim meio desprevenida, assisti ao filme "Tiros em Ruanda". Trata-se do genocídio de 1994 em Ruanda, em que o povo Hutu massacrou Tutsis com facões a sangue frio, sem poupar viva alma. A ONU que tinha uma tropa considerável no olho do conflito preferiu se abster de qualquer responsabilidade e bater em retirada, deixando um povo inteiro à mercê do ódio. E isso foi há somente 14 anos! O nazismo e toda sua barbárie ninguém esquece. Por quê? Por serem brancos? Por terem morrido lentamente? Por quê os negros pobres de terceiro mundo não são lembrados?


E, por quê? Qual razão de ódio mortal naqueles dias? São tantas razões que desconheço e outras muitas que simplesmente não conseguiria descrever aqui. Meu lado aqui assistindo à história reproduzida por sobreviventes do massacre é tão distante de tudo isso. Não posso dizer nada além daquilo que leio em livros e vejo em filmes. E se não fossem tais meios de comunicação provavelmente não saberia de nada.

Quando estamos na escola estudamos e conversamos sobre a África um milhão de vezes. Na minha época foi assim. Sempre esbarrávamos nas questões humanitárias, sanitárias e econômicas. Entretanto nunca houve uma real delimitação teórica quanto ao território, o povo, e o tempo de que tanto discutíamos. Afinal, o que é a África? Onde fica? ... África é só o continente onde habitam mais de 800 milhões de pessoas em 53 países. Países que em suas histórias existem muitos conflitos étnicos brutais e pseudo-independências.

Aí vem uma pessoa e fala que temos de acabar com a fome na África e que é preciso conter a proliferação do HIV, mas logo está num shopping fazendo comprinhas tolas e comendo uma casquinha do Mc Donalds. Bem sei que fazer algo assim como civil sozinho é impossível, mas contribuir para as diferenças de classe e consequentemente à toda desgraceira do mundo é muito mais fácil. Basta consumir o quanto mais der conta. Eu mesma estou nesse grupo, mas tento todo dia sair do esquema.

Não quero culpar ninguém dizendo essas coisas, só mesmo externar aquele sentimento de revolta quando enxergamos por míseros segundos que há alguém realmente sofrendo enquanto há outro totalmente alheio a tudo isso. Me pergunto o que posso eu fazer. Alias, só consigo me perguntar isso. Não sei. Às vezes penso que é pela minha imaturidade, ou quem sabe minha impotência política, ou mesmo minha falta de vontade. Preguiça.

No fundo somos mesmo preguiçosos e egoístas. É a tal da história de identidade cultural que comentei no início. Essa enorme aldeia global nos pluralizou de uma forma muito nova e pouco assimilada ainda. Digo, sei que vêm a este blog pessoas de outros países, e que talvez sejam brasileiros espalhados pelo mundo. Mas por que sei isso? E como chegam aqui? Por que estamos interligados por um sistema de comunicação que permite essa troca de informações. Dessa forma é fácil saber em minutos de uma guerra que acabou de acontecer do outro lado do mundo. Em Ruanda não existia isso e ainda em muitos locais do continente africano nem sabem o que é um bom sistema telefônico...

E nessa aldeia mundial, enorme como ela só, a quem nos apegamos nas horas difíceis? Aos compatriotas? À família... aos amigos de Internet? Cada vez mais percebo uma falta terrível de identidade, de unidade civil, social. Mas somos ocidentais e em desenvolvimento, não somos a única realidade do mundo. O continente africano quando dividiu seus territórios, em acordos políticos, se esqueceram das etnias e de suas rivalidades. Por isso de tantas guerras civis, tanto ódio e desrespeito. Mas se resumisse a somente isso ainda teria uma esperança de resolver as coisas mais facilmente. Era só redividir os territórios... Mas a história, meus caros, é muito mais complicada. Me faz pensar também que se estivéssemos em guerra por aqui de que lado eu estaria...

Para terminar essa minha verborragia, digo que não me isento de qualquer responsabilidade que me couber como uma jovem cidadã brasileira. O que em tempos de paz pode significar nada. Mas me sinto cada vez mais perdida no espaço sem me identificar com nada nem lugar nenhum além de específicas pessoas a quem dedico amor. E por fim, se a quem leu isso aqui for de alguma valia...