quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Nosso futuro

Imagine nossos corpos se curvando aos poucos
Imagine nossos ossos se enfraquecendo
Imagine nossas peles com a mesma tez
                      por termos um ao outro.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

O lugar dele

Ele não sabe. Não se dá nem o trabalho de dar valor. Justamente, é o conflito dele ser o que quer ser e o que simplesmente é. Puramente ele não é o que gostaria de ser. E em seu íntimo os pecados que pensa, que deseja pronunciar, lhe enfervecem ferozmente. Não há nada que o segure. Nem a lembrança da figura da mãe. Seu cabelo cuidadosamente penteado de lado com aquela goma de baixar fios. Nem a luz da manhã o segura. E a rotina da cidade que já começa com o cheiro de pão. Nada o segura. Nem a própria moral que insiste em bater o martelo toda vez que o ímpeto lhe ocorre. É mais forte. E ele quem na verdade é?

Aquele que abre frascos de azeitona, que pensa nela enquanto sente o doce aroma da pêra na feira. Aquele que sabe o número que ela calça e que às nove e meia faz-se sombra na janela. Não é ele. Ele pensa em outra. Abre outros potes de azeitona e come a fruta sem sentir o gosto. Tão voraz.

E ele se vê de frente, voltado para si sem saber o que dizer. O silêncio que permeia traz o mesmo incômodo de um casal que se desentende. Não se entende, não se sabe, não se controla. Achou que nunca tinha muito o que perder. Mas se perdeu no caminho e hoje não se conhece, não se reconhece. E, cada vez mais distante de si, mais distante dela também fica.


ps: quem disse que a maçã é a fruta do pecado?

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Video Na Divisa da Praia da Estação

Sim, todos já devem estar sabendo da Praia da Estação, né?! Se ainda não, leia o texto aí abaixo, pessoa!
E para não dizer que a autora deste estimado blog não participou ativamente da manifestação mais quente deste verão, vai aí o meu vídeo, carinhosamente editado apesar de estar um pouquinho atrasado... E não estaria se na na sexta passada, para resolver o problema (ou começar a resolver), a prefeitura municipal de Belo Horizonte não tivesse intituido uma Comissão de Regulamentação de Eventos na Praça da Estação. Mas, do que estou reclamando se a Praia surtiu algum efeito, rs?! Mas, parece que a comissão é só pra Praça da Estação, nada tem dito a respeito das outras praças... Mas, enfim, está aí uma resposta responsável à Praia.



Agora, parece que vamos ficar sem a Praia, que tava se tornando um happening bem bacana, aliás, rs. 

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Praia da Estação, de maiô e calção

Mês passado o Prefeito de Belo Horizonte e exercício, Márcio Lacerda, decretou a proibição de eventos de qualquer natureza a serem realizados na Praça da Estação, no centro da capital mineira. Inconformados com a decisão, os belorizontinos se organizaram em várias manifestações contra a arbitraria decisão de seu representante político. Uma dessas manifestações tem sido (por que terá várias edições até o decreto cair) a Praia da Estação. E para entender um pouco, republico aqui o texto que o comparsa Leo Santiago escreveu para o blog do Coletivo Fórceps (simpatizante e atuante da causa). E foi assim mesmo, rs.


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Praia da Estação, o hit do verão


Manhã ensolarada de sábado em Belo Horizonte. Na Praça da Estação, no centro da cidade, um pequeno grupo protesta contra a prefeitura reunido sob a sombra da única árvore do local. “Protesto?”, se surpreendem alguns transeuntes com a calmaria da manifestação. Sob o olhar atento e curioso da polícia e da guarda municipal, que ficam de longe, aos poucos mais gente vai chegando, carregando suas cadeiras e sombrinhas de praia. Estendem suas toalhas no chão da praça, tiram os shorts, as camisas e se cobrem de protetor solar. Um grupo começa a jogar peteca, outro frescobol. Alguém passa avisando que as fontes da praça serão ligadas às 11 horas. Ninguém sabe o que vai acontecer. A manifestação não tem líder. Nasceu na internet, fruto da indignação da população com a recente lei municipal que proíbe qualquer tipo de evento na praça e que, como um tiro no pé, acabou juntando os realizadores e frequentadores dos eventos na praça em torno de uma causa. As pessoas conversam, sugestões surgem e a “Praia da Estação” vai ganhando forma espontaneamente a cada minuto. A imprensa (Hoje em Dia, R7, Jornal Estado de Minas) fica sabendo e comparece. Instrumentos de percussão começam a surgir e por volta da hora do almoço a calmaria se perde em meio ao batuque e gritos de guerra como "Hey polícia, a praia é uma delícia" ou "Lacerda (prefeito da cidade), sua vida é uma merda".




Dá 11 horas e as fontes não são ligadas. A prefeitura diz que elas “estão em manutenção”. O forte calor e a falta de água preocupam. Surge a idéia: vamos chamar um caminhão pipa! Uma garota passa arrecadando o dinheiro da vaquinha e cerca de 2 horas e R$ 150 reais depois, para delírio geral, um caminhão pipa realmente estaciona na caótica avenida Andradas, bem em frente à praça. Os automóveis na avenida diminuem a velocidade ao passar e as pessoas observam pela janela não acreditando no que estão vendo. Cerca de 300 pessoas de sunga e biquini estão sob a ducha de água pulando, tocando e gritando “Praia da Estação, o novo hit do verão! Toda semana!”. A cena é inacreditável. Um manequim apelidado de Lacerda é hostilizado enquanto uma faixa onde se pode ler a frase "A praça é do povo" é pregada no caminhão pipa. Gente voltando do trabalho adere à festa e para completar o cenário surreal um sujeito vestido de surfista em pleno centro da capital mineira chega carregando uma prancha e surfa sobre o público. Certamente uma das ações mais legais, honestas e criativas que Belo Horizonte já presenciou.

Sobre o decreto

O mais interessante é que quando a praça foi reformada no começo da década a prefeitura, que hoje afirma que a proibição foi adotada para preservar a praça, gastou uma fortuna reformando o local alegando que a obra iria promover "a revitalização do espaço público, dotando-o de infra-estrutura adequada para manifestações culturais com grande aglomeração de pessoas" (DOM de 2001)

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O decreto

DECRETO Nº 13.798 DE 09 DE DEZEMBRO DE 2009

O Prefeito de Belo Horizonte, no exercício de suas atribuições legais, em conformidade com o disposto no art. 31 da Lei Orgânica Municipal, considerando a dificuldade em limitar o número de pessoas e garantir a segurança pública decorrente da concentração e, ainda, a depredação do patrimônio público verificada em decorrência dos últimos eventos realizados na Praça da Estação, em Belo Horizonte,
DECRETA:

Art. 1º - Fica proibida a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação, nesta Capital.
Art. 2º - Este Decreto entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2010.
Belo Horizonte, 09 de dezembro de 2009
Marcio Araujo de Lacerda
Prefeito de Belo Horizonte

Fonte: DOM 10/12/2009

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A Praia da Estação toda semana!


quarta-feira, janeiro 20, 2010

fim de noite

Já é finzinho de noite. Eu no meu canto dos meus pensamentos. Afazeres inacabados, mas uma sensação de que as coisas andam bem, muito obrigada. O mundo? Lá fora um rebuliço. Gente no meio de terremoto, outros horrorizados com crimes hediondos. Alí, um povo pegando onda na mais nova praia da capital mineira. E eu? Às vezes nas nuvens...

Dizem que todo momento de transição é traumático. Deve ser. Ao nascer, ao arrancar um dente, ao levar o primeiro fora, ao ser reprovado no vestibular... Ao se ver de frente pro oceano sem saber nadar. É essa a sensação. Um misto de estasiamento e desespero. Não saber o que fazer não ajuda muito. Eu sei, o oceano dá mesmo medo.

Mas não era nada disso que eu queria dizer aqui... Talvez só expressar o silêncio que ouço no vazio da sala. O vento lá fora que ensaia talvez uma tempestade por vir. Não sei. Talvez é só a falta do meu companheiro, que pelos motivos óbvios não pode estar comigo sempre. 



Portanto, fim de noite, peço licença que eu vou me recolher. E a noite já quase foi sem mesmo se despedir de mim. E eu me despedindo de ti sem muito o que dizer, pois os rebuliços continuam e só me resta fugir da chuva que se arma lá fora. Té.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

trilha de verão Na Divisa

Essa é a primeira playlist deste singelo blog. Inspirada pelo sufocante calor do dia, misturei umas canções e fiz isso aí. Ouçam no trabalho, estudando, ou sei lá, navegando pela net.

Ah, a segunda música é da minha banda Fofoca Erudita. Curtam bastante, rs.

Quem dança melhor do que eles?

As palavras do Xico Sá são sábias. Quem é que dança melhor... do que os românticos inconformados e cheios de amor pra dar?

terça-feira, janeiro 12, 2010

O Jumento Santo

Nem adianta explicar muito aqui do que se trata. Mas, é que Deus resolveu criar o mundo, que daí veio a noite e o dia, os animais e os homi. Então o cajuzeiro. Ô fruta desgraçada... Mas então desce do céu um jumento santo pra colocar ordem na bagunça toda, e no meio de uma chuva muita faz a paz voltar pro lugar, que nem cidade ainda era. E chega de de papo e vê se vê o curta abaixo.



sexta-feira, janeiro 08, 2010

Fofoca Erudita abre show de Celso Moreira



E atacamos fofocamos novamente, para alegria dos homens de bom coração. Dessa vez, depois de um convite bem bacana de um conhecido, o violonista Celso Moreira. Vamos abrir um de seus shows da turnê do seu primeiro cd "Autoral", que percorrerá por algumas cidades mineiras neste ano.


Não delongando muito, e convidando a todos, o show de entrada franga e muita música boa pra curtir com namorado, animais de estimação, família, vizinho, sogra, amigo novo ou antigo, gente desconhecida ou mesmo sozinho, rs. Não se acanhem e apareçam!


Fofoca Erudita abre Celso Moreira
dia 16/01 às 20:00h
Entrada Franga
na Casa da Ópera de Sabará
[Rua Dom Pedro II, Centro - Sabará - MG]

quinta-feira, janeiro 07, 2010

o problema é do planeta ou das pessoas?

No fundo, o problema é como vemos o problema da existência.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

...

idéias
ideias
idem
ítens
déias
id
as

terça-feira, dezembro 22, 2009

minha ânsia

fome por algo que me abale o badalo lógico do raciocínio que postula o mundo racional que nos envolve no dia a[pós] dia.

anseio por transformação através de algo que me faça mudar a rota, me faça enxergar as novas cores que preenchem o espaço.

não que esteja ruim, mas é que já vejo o fim do fio tênue de uma fase que se anuncia como finda, esgotada, massacrada pelo tempo.

preciso do choque, do susto, da estupefação consciente e latente numa sessão catártica de profundo mergulho.

preciso do não do óbvio, da porta aberta me revelando os poréns que ainda não vejo.

preciso de um jeito de me desvencilhar dessa toda a temperatura morna e confortável, lastreada do bem estar do não esforçar os músculos e apenas receber a ordenação da vida.

terça-feira, dezembro 15, 2009

A volta e o [re]corte

É estranho escrever um texto aqui depois de tanto tempo de silêncio. É mais estranho do que pegar o violão depois de um ano inteiro sem tocá-lo, rs.


Eu, que há tanto tempo divido minhas impressões do mundo neste espaço. Eu, que escrevo e descrevo sensações humanas me preocupando apenas com a livre expressão, mantive-me inexpressiva nos últimos meses. Outras atividades intensas e preocupações me afastaram do exercício da escrita livre. E agora, quando me vejo frente a essa tela branca e conhecida de tanto tempo, é estranha a sensação de falta de destreza para começar um texto bacana e falar de um assunto relevante. 



Com a estranheza em questão, coloco para vocês um pouquinho de um programa televisivo e extinto (saudades) considerado por muitos como estranho, mas praticamente perfeito por mim. [Re]corte Cultural pra mim foi um grande companheiro e motivo de briguinhas pelo controle remoto em casa. Uma grande referência de como se fazer um programa relevante culturalmente. Fica a dica.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Desagradável ser

Bem que reparei o olhar de cima e o andar de pontas.
Bem que pensei que desmerecia toda a atenção.
Bem que me segurei e não estendi a mão.
Bem que percebi seu ar de egoísmo.
Bem que me afastei a tempo.
Bem que não acreditei.
Bem que me recompus.
Bem que me encontrei.
Bem que longe estou.
Bem que tudo não passou de um momento.


sábado, novembro 07, 2009

Sonhos intrigantes


Sonhar, por si só, é uma experiência catártica. De profundo envolvimento. De sensações quase táteis. De impressões flutuantes e confusas.


Um sonho pode às vezes representar muito mais do que esperamos. É quando o subconsciente sobe ao palco, segura as rédeas e dirige a cena da forma mais inconveniente para a consciencia. Coisa mais contraditória, mas é verdade.

Podemos sonhar situações do cotidiano, com pessoas conhecidas ou aqueles desimportantes ou os inéditos. Nos sonhos podemos tomar outras formas, noutros corpos e em lugares inimagináveis. Situações que às vezes provam uma capacidade de imaginação antes desconhecida por nós mesmos, os "autores" da obra.


Mas, uma das coisas mais intrigantes do sonho é sua capacidade de nos confundir com a realidade. É tudo tão real, as sensações, os sentimentos, os sentidos (tato, olfato etc.), que dependendo do sonho podemos jurar de pés juntos que foi tudo verdade.

Outro dia eu sonhei um sonho desagradável. Ele havia me traido e me contava com a maior naturalidade de sua atitude. No sonho eu fiquei irada, rs. Normal minha reação, não? Acordei com ráiva e, ao mesmo tempo, profundamente decepcionada.

Porém, senti isso tudo por que a minha primeira interpretação do sonho, quando ainda estava acordando para o mundo real, aquele do "aqui-agora", considerou a situação do sonho como uma realidade vivida. Isso por que as sensações "vividas" e sentidas durante o sonho tiveram um grau de aproximação e verossimilhansa enorme em relação à realidade cotidiana. Mas então, quando me dei conta de que o sonho era apenas um sonho, tudo se desmanchou. Nada era mais real.

Me senti mais confortável com a conclusão. Mas não deixei de refletir o por que do meu subconsciente ter me feito sonhar aquilo e ter sentido todo o resto. Por que? 


Acho que o sonho é mesmo um emaranhado de todas as emoções ocultas. Aquelas que escondemos dos outros e as que escondemos de nós mesmos, mesmo sem sabermos. Emoções essas que podem até revelar-nos sentimentos que não compreendíamos. 

Acho que o sonho não mente. Ele é você em sua mais pura essência. Mas isso tudo eu só acho. Por observações próprias e reflexões a partir dos meus milhões de sonhos intrigantes.