E se o tempo com toda sua relatividade fosse um só.
E se tudo o que queremos fosse além de imaginação.
Se tudo o que é se resume a química ou física.
Se o mundo se resume a únicas coisas como se os seres humanos fossem únicos.
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Se todos os dias fossem finais de semana.
E se não houvesse inverno nem verão.
Se Deus existisse e todos ainda fossem plantas.
E se o amor fosse fruto que se come e alimenta a fome.
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Se todos os acordes, sem sensibilidade, fossem calculados.
E se as rodas não existissem.
Nem os cremes hidratantes.
E se os dias tivessem trilha sonora.
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Se o sol rosa fosse.
Se as cores fugissem pro paraíso.
Se os pincéis fossem de pedra.
E se as palavras fossem todas vãs.
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E se o sorriso derretesse a cada passo.
Se o passo fosse um rasgo.
E a boca entre aberta comesse lesmas.
Se a chuva fosse inédita.
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E se as folhas não caíssem.
E se somente de costas andássemos.
Se os pássaros fossem paraplégicos.
Se os peixes fossem querubins.
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Se as antenas captassem o passado.
Se as línguas fossem todas cortadas.
E se o sono fosse profundo.
E se ninguém mais respirasse.
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Se tudo o que se sabe desaparecesse.
Se o futuro se misturasse.
E se fosse possível ser invencível.
Se todos se amassem.
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Se os livros fossem brancos.
Fossem assim todos os dias de qualquer vida.
De todo e qualquer ser.
E cantar fosse o único meio de livrar-se.
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Mais felizes, seríamos?
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