quarta-feira, maio 21, 2008

questão

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Kitsch. Eu sou. Você também.
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terça-feira, maio 20, 2008

natureza selvagem

É como um sonho. Largar tudo e fugir prum lugar calmo e livre. É negar uma vida por um ideal. Into The Wild é assim pra mim, livre como o vento e calmo, sempre calmo.

É ter consciência do que fazer, do que pode ser feito pra ser feliz enfim. Ele queria ser feliz, quem não quer? Largar as obrigações familiares, sociais, o trabalho. Todos esses vínculos na maioria desnecessários para ser feliz, mas exigidos pela vida social, que tem todas suas regras. Essas regras que deixam qualquer um sonhador de um mundo livre, sem burocracias, sem falsidades
sociais, sem meias palavras de uma vida de mentira. Não ter de vestir-se bem sempre, não precisar de um carro, de restaurante, de lojas, de consumir qualquer coisa desnecessária.

A vida é muito simples. É simplesmente viver. Para isso basta comer e manter a saúde sempre bem, e para isso não precisamos de vestidos caros, jóias, Mercedes, nada disso. Sentimos fome do mesmo jeito que um sem teto de baixo da ponte, a única diferença (e me incluo nessa) é que na maioria das vezes podemos comer quando estamos com fome, eles não. E por que isso? Por que não podem comer quando se rasgam por dentro de tanta fome? E emagrecem cada vez mais sem poder sustentar o próprio peso.

Voltamos ao antigo tema escolar, mas não menos importante ou recorrente na vida cotidiana: tudo é culpa do capitalismo? Será mesmo a melhor forma de viver? Será mesmo que tanta oferta, tanta “liberdade” de compra e venda é necessária? O problema é que a idéia desse modelo não previa um preceito humano, o da sobrevivência em detrimento de outro. Não somos uma espécie muito solidária, apesar de sempre vivermos em comunidades e dependermos sumariamente uns dos outros. Esse instinto de sobrevivência está atrelado a significados especificamente humanos e de um universo cruel. É preciso estar melhor perante o outro, não igual. Nunca igual. Queremos ser sempre superiores e isso é sobrevivência.

O que mais me embeleza os olhos quando vejo a trajetória de Chris é que ele não teve medo de “não sobreviver” e foi atrás de uma vida que era muito melhor. Renunciou objetos de valor e até mesmo o amor de outras pessoas. Renunciou o que achava falso, desnecessário e no fim descobriu a verdade nas entrelinhas da vida. Tudo poderia ser posto de lado, o material, mas as pessoas e o amor? Como poderia? Renunciar também ao amor? Não, o amor é além disso tudo. Muito além.

Christopher McCandless foi um jovem que realizou um sonho e descobriu como é a vida. Um poeta, filósofo, desbravador. Corajoso e boa fé. Não sei mais como descrevê-lo. Lindo, um rapaz lindo por dentro e por fora.

Aos 23 anos, logo depois de se formar na faculdade, que inclusive fez para satisfazer o pai, decide abandonar tudo e seguir o caminho que acha mais certo. Tem um destino, o Alaska. Faz uma mala, doa todo o dinheiro pra uma instituição de caridade e enfrenta a estrada. Queima os documentos e o resto do dinheiro. Escolhe um novo nome e decide enfrentar o destino. Conhece
grandes amigos, faz outros. Ensina e aprende muito. Ao chegar na natureza gélida refugia-se e então a maior reflexão sobre a vida. A solidão, a natureza, o frio. Sempre tudo escrito pelos cantos por onde passou. Mas, alguns deslizes o deixam à deriva e o fim é trágico, porém em paz no final das contas. Missão feita e literalmente finda.

O mais bacana, ou trágico, é que a história toda é real. Realmente aconteceu e veio ao saber do mundo via um jornalista alpinista que pesquisou sobre Chris. Jon Krakauer então escreveu o livro Natureza Selvagem que foi roteirizado por Sean Penn. E mais, minha avó, que adora livros de aventura reais (já leu todos do Amyr Klink), leu este do Jon há anos atrás e fez várias explanações durante vários almoços de sexta. Então eu já conhecia a história quando me disseram que tinham feito o filme. Achei incrível e na hora em que assisti a película amei mais ainda...


Direção belíssima de Sean Penn. Trilha sonora original mais bela ainda de Eddie Vedder (ouço agora). Fotografia, atores, tudo. Perfeito. Ao menos pra me mostrar que os sonhos podem ser vividos e que ainda existe amor e jeito no mundo.

sexta-feira, maio 16, 2008

novas

Estou na maior correria dormindo 5 horas por dia. Acho que estou até meio pálida, rs. Mas isso é por pouco tempo. Pois estamos finalizando mais um espetáculo teatral. E até a quarta feira que vem ainda estarei no maior 'vuco-vuco', rs. Estou devendo um monte de conteúdo aqui, mas o tempo está realmente difícil.

Como no ano passado (quem se lembra da peça Hypólita - uma história de amor ), estamos novamente inseridos no projeto Mercantil do Brasil Cultural, percorrendo por 13 cidades mineiras. A peça se chama Milenium e, como Hypólita, também é da Cia de Yepocá.

Milenium, um lugar onde tudo e todos são bons de repente é tomado pelo mal. O egoísmo e a ganância contaminam todos os habitantes. Uma só pessoa resiste à essa mudança, a menina Lêni. Com a ajuda de um Ser de Luz ela vai tentar trazer a paz e harmonia de antes. Para isso, visita a Terra para entender o que pode ser feito. Assim, sabe como fazer para que Milenium volte a ser o que era. Mas, será que vai dar certo o seu plano?

Envolvendo teatro de sombra, cinema, musical e encenação, Milenium brinca com o público e emociona. Uma história mui bela contada com o peculiar humor do clown. Altamente recomendada para todas as idades.

A estréia será em Poços de Caldas, no dia 28.05, logo depois vamos para Varginha, no dia 29. As datas estarão sempre disponíveis na barra lateral deste blog. Se passarmos aí por perto, adoraria que fosse nos ver, rs.

É isso. Merda pra gente, muuuuita merda, rs. (um dia explico essa expressão, para aqueles que não conhecem)

** (fotos em breve! rs)

terça-feira, maio 13, 2008

questão

Nada além de esconderijo, tudo bem.

Houve uma época em que me escondia sempre. Aquela espressão intensa, séria demais. Nunca olhava ao lado, desviava os olhos dos outros. É, bem sei, tudo bem. E até houve quem disse que essa cara amarrada era só um jeito de viver na pior. Tudo bem, eu bem sei. Mas, o que me intriga mesmo é se aos outros olhos me mudei ou continuo escondendo-me. Tudo bem, pode dizer. Pode ferir ou não. Mas, tudo bem, eu sei... É nada além de esconderijo mesmo, rs.

*escutchê! Nada Além - Porongas (ótimas letras, ótimas canções)

sábado, maio 03, 2008

eu neguinha


o que fez de mim morbidamente só?
foi sol demais ou vento demais?
ainda não encherguei o mais além
pode ser que haja uma resposta
talvez seja só a ressaca

lembro do simulacro
de todas aquelas reflexões
e isso não é um poema
eu só gosto de escrever tudo separado
e eu queria praticar esportes

o que se faz para ser mais normal
saber conversar
não se guardar tanto
acompanhar o big brother
torcer no futebol

preciso emagrecer
preciso dormir
preciso beber ou fumar?
o que agrega as pessoas?
o que as faz aproximar?

é só mesmo uma sensação horrível
de que falta tudo, de que tudo foi
entre-safra, recuo da onda do mar
uma vontade de ser criança
e brigar por não querer comer abóbora

quanto tempo?
quanto resta pra me achar novamente
ou me perder?
eu guardo no bolso as histórias de D. Sinhá
talvez seja o momento de me atualizar...



* Cibelle - Minha Neguinha

quarta-feira, abril 23, 2008

Ratato o quê?

Eu nunca escondi meu amor pelos desenhos. Mesmo crescida, ou supostamente crescida, ainda gosto de deliciar um bom desenho. Pode ser longa, curta, não importa. Mas, o mais importante, é que tenha uma boa história.

Me lembro de grandes desenhos que me acompanharam durante etapas da vida. Doug, Scooby Doo, X-Men... Mais tarde veio o Fantástico Mundo de Bob, As Meninas Super Poderosas, e outros que nem lembro mais. Os mais atuais, Três Espiãs, Jack Chan. Mas, voltemos aos longas.

Rei Leão, Toy Story, Mulan, Shrek, Tarzan, A Fuga das Galinhas, Os Incríveis... são tantos que nem me lembro de todos. E com o tempo eles também foram mudando. Todas as canções que antigamente tinham em quase toda mudança de cena não existe mais, talvez só na série Shrek e mesmo assim só pra criticar esse modelo. Cada vez estão parecidos com filmes. Não são direcionados mais só para crianças, como numa época isso era bem claro. Hoje o desenho é para toda a família. Faz piada para a mãe, o pai e para os filhos das mais variadas idades. Sempre discutem também questões sociais e sentimentais importantes e inerentes a todo e qualquer ser humano.

Mas, dessa vez, estou falando de um especial que me tocou em vários pontos que antes não tinham sido tocados. É normal pensarmos sempre numa história de amor que tenha um herói, ou pelo menos um anti-herói (Shrek?). Foi exatamente o que me chamou atenção neste longa. Essa falta de herói. E isso me encantou muito. Quando li a sinopse e vi o cartaz, pensei logo que fosse um ratinho que ajudava um cozinheiro num restaurante e que este seria o "salvador da história" salvando uma receita ou o emprego do rapaz. Estava enganada. Tudo se trata simplesmente de uma história de humildade e amizade. Sobre a capacidade de quem quer que seja de fazer as coisas, mesmo que todos digam que é impossível. E o nosso querido Remy prova que qualquer um realmente pode cozinhar. O mais lindo, pra mim...

Ratatouille é um filme singelo e incrível de cabo a rabo! As belas feições do ratinho (meu Deus, como se parece com minha cachorrinha!!), a linda trilha sonora... e o tema do enredo: culinária! Achei de uma sensibilidade mesmo incrível. Não vemos muitos filmes sobre culinária por aí. E isso no desenho é mesmo uma coisa muito bacana!

Para quem ainda não viu, o filme trata-se de um ratinho que vive uma vida de rato. Mas o que ele gosta mesmo é de cozinhar e é isso que ele quer fazer na vida. Mas, seu pai e família o reprimem pelo contato com os humanos. Entretanto devido a um incidente ele se separa de toda a família e vai parar justamente no restaurante de seu grande ídolo, e finado, chef, o Gusteau's. Eis a oportunidade de realizar um sonho...

Ah... mas não sei como dizer o resto da história sem prometer grandes expectativas ou dar falsas impressões. Apesar da minha memória estar revivendo praticamente todo o filme e estar ouvindo a belíssima trilha sonora, não posso entregar o ouro assim tão fácil, ham. E talvez seja por isso mesmo que me deliciei tanto com ele, pois não li nada além da sinopse atrás do DVD. Para sanar então essa minha falta de informação, recomendo mesmo é que assistam. É isso. E depois baixem a trilha também, rs.
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p.s.: logo vem o comentário do filme "Natureza Selvagem"... prometi, né... rs

terça-feira, abril 22, 2008

dose a dose


é preciso dosar a energia
dosar a força e a vontade

abre os braços, pule alto
dance ao ritmo ou sem ele

grite ou se debata
fale muito ou quase nada

mas dose tudo, dose tudo
para não sobrar nem faltar nada

domingo, abril 13, 2008

5ª frase da página 161

Recebi há um tempo do Howes a bacana brincadeira de pegar um livro [que goste ou não... que esteja lendo ou não...], abrir na página 161, e postar no blog a 5ª frase completa da página. Achei bacanésimo! Quem inventou foi feliz. Posto aqui:

"Meu cérebro estava tão empolgado pelas experiências de invisibilização que não levantei um dedo para lhe reabilitar a memória."


O livro é "O Homem Invisível" de H. G. Wells [não conhecia até pegar o livro num sebo e compra-lo por 10 contos, e depois de uma pesquisa na rede descobri que se trata de Herbert George Wells, autor de outros sucessos como "A Máquina do Tempo" e "Guerra dos Mundos"], e tem tradução do nosso querido, e brasileiríssimo, Monteiro Lobato [acho que foi mais por causa deste que acabei me interessando pelo livro].

Não sei dizer muito sobre a história, ainda não o li, só mesmo ouvi alguns parágrafos na voz de minha mãe, que lia recostada na cama para a neta que se encontrava tristonha por não ter ido nadar por conta de um resfriado. E só sei de um homem que se hospedou numa cidade erma, onde neva muito. Tal este que despertou tamanha curiosidade nos nativos do lugar, pois se encontra totalmente enfaixado, literalmente da cabeça aos pés. E na sua bagagem trouxe inúmeros frascos estranhos para possíveis experiências científicas. Agora, vamos ver o que acontece... rs.


sexta-feira, abril 11, 2008

coisas

Eu ia fazer uma crítica sobre um filme que vi há um tempo e que achei muito, muito bonito mesmo. Aliás, acho que agora estou enrolando, por que antes era um processo de digestão, e agora já está digerido, rs. Mas, mesmo assim, sinto em dizer que não estou no clima neste momento. Para isso, teria de estar pelo menos ouvindo a bela trilha sonora de Eddie Vedder. E estou ouvindo o álbum Eco do Drexler e logo colocarei minha coletânea da Julieta Venegas. Completamente diferente, né?! Entretanto não precisa ficar triste, não. E nessa altura do campeonato deve até fazer uma idéia de que filme estou falando, não? Hum... não? Ok, eu conto.

Estou me referindo ao magnífico Into The Wild, ou em português, Natureza Selvagem. O filme é tão bom que nem mudaram a idéia do título original. A película ainda não foi lançada nos cinemas daqui, não que eu tenha ouvido falar. Tive a oportunidade de assisti-lo, digamos, de forma não oficial. Mas, chega. Isso tudo fica pra depois, se não falarei tudo que estou com preguiça de formular e vai ficar uma bosta...

Somente gostaria de compartilhar umas intimidades profissionais. Faço estágio toda tarde na Agência de Produção Jornalística da minha faculdade, e trabalho usando a todo momento o sistema da faculdade e a Internet. E num é que ontem, no dia de fechamento da revista na qual sou colaboradora, a energia simplesmente acaba?! Pois é. Sem Internet, sem sistema, sem luz, sem nada. Não houve como fazer nada!! Ficamos, eu e minha companheira, de acabar e mandar os textos hoje de manhã. Acabamos perdendo aula e eu perdi o maior bafafá do semestre! Uma 'coletiva' com o apresentador do programa televisivo Minas Urgente, da Rede Band Minas, Ricardo Sapia. Conhece o programa do Datena? Pois é, igual, mas o seu apresentador não tem escrúpulos de dizer suas absurdas opiniões a respeito de ética, que era o tema da conversa. E desviando a todo momento o foco do assunto para emitir (novamente) opiniões absurdas sobre a homossexualidade (colocou até as costelas de Adão em questão). Além de ter coragem de falar que fez faculdade de jornalismo para aprender a ler e escrever. Perdi e só sei disso tudo pelo que me disseram meus colegas.
Pois é queridos! Que coisa, não? Mas as matérias ficaram muito boas, depois coloco uma dela aqui. É sobre a Sociedade Independente da Música (SIM) e sobre seus detalhes.

sexta-feira, abril 04, 2008

um diálogo tal

_ e apesar de tudo, então? como vai ser?
_ como está indo.
_ num vai fazer nada?
_ não.
_ nada? vai ficar aí parada com o bundão na cadeira? toda confortável?
_ é...
_ não acredito! como pode?!!
_ é isso, não posso. não consigo, não posso.
_ uhm... pode. você só não quer querer.

domingo, março 30, 2008

sem titulo

Depois de outros exemplos e indicações, essa é minha letra... entrei na onda, rs.

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Bom, volta e meia me agaraciam com um prêmio, um selo. Mas nem sempre tenho tempo para posta-los aqui no blog. Portanto postei todos de uma vez aí à direita. São muitos! Que bom, quer dizer que gostam do que escrevo e que eu continue... hehe. Continuarei.

Praticamente todos foram dados pelas duas fofas da Amanda Bia e da Jaya, queridas companheira de blog e grandes garotas!! Adoro! Muito Obrigada!!! Beijosss.

E como sempre quem recebe o selo/prêmio respectivo, tem de indicar outros blogs para receberem... Eu indico todos os que estão linkados aqui na Divisa! Todos lindos maravilhosos! rs

Li - Desencontrando

Amanda Bia - É só saudade

João e Juh - Em um bar...

Carlos Howes - Pensamentos Circulares

Juliana Caribé - Quintal de Cores

Maria Renata - Vida Pública

É isso, inté!

quarta-feira, março 26, 2008

Irene e sua risada


"Eu quero ir, minha gente
eu não sou daqui
eu não tenho nada
quero ver Irene rir
quero ver Irene dar sua risada!"


Queria, quem sabe, conhecer Irene. Rir igualmente de sua risada. Risada gostosa que parece ser...

Balanço ao coco do balanço. Balanço a cabeça pra lá e pra cá, mas Irene... será que riu? Será que Irene é daqui ou de lá, de onde vem aquele? De onde é Irene? De onde vem, ou está? E como se ouve a sua risada? Assim, de perto, ao pé do ouvido? Em meio à algazarra da festança? De longe, na vizinhança? Assim, sozinhos na cozinha de madrugada enquanto se assalta a geladeira? Não sei. Não sei. Afinal, como foi parar aí e querer do fundo do coração ouvir a risada tal? Por quê?

Eu gostaria de conseguir ler em veículos em movimento. Sem tonteiras, sem vistas doloridas. Sem visão turva, embassada. Eu iria ler periódicos, romances e dramas. Histórias incríveis. Sim. Leria tudo que a cá minhas vontades me exigissem. Mas, infelizmente minha constituição física, meus aparatos físicos, não me possibilitam tal ação. Quanto tempo perdido. Imagine, passo em média, 3 horas por dia, ou mais, dentro de transportes públicos. Na maioria das viagens vou assentada. Ali, assentadinha esperando o tempo passar. Arrebatada pela monotoniedade, ou pelo cansaço que consome a atenção e a resistência do corpo. Os olhos cansados de ler e reler o jornalzinho do ônibus, uma folha A3 muito colorida e cheia de chamadas que fica colada no pseudo-vidro que separa as alas do coletivo, perto do trocador. Os ouvidos cansados à constante inserção de fones. A atenção sonora cansada pelo dia cheio e pelos barulhos de cidade grande e transito. Ah!

Eu também gostaria que não precisássemos de dinheiro pra viver. Que comêssemos aquilo que nos caísse à frente. Frutas, ervas, folhas... Índios. Acho que gostaria de ser índia. Preocupada em procriar, em tarefas para a comunidade, em rituais, nas guerras entre tribos, que poderiam até ser evitadas, dependendo da tribo. Eu iria ter o corpo todo malhado. Sem me preocupar em estar gorda, flácida, ou ter o cabelos despenteados. Não teria preocupações em raspar as pernas ou as axilas. Sem guarda-roupas, sem shoppings, sem grandes eventos de gala que exigem performances requintadas. Ainda poderia tocar alguns instrumentos, e quem sabe encenar algumas passagens ritualísticas? (...) Será que a vida era melhor? Fico pensando. Sem mercado, sem grandes nações, sem transito, sem telefone, sem absorvente! É... não sei. Sem preservativos... Sem café nem pão de queijo. Sem cinema, sem sorvete, sem chocolate. E se esse instinto de competição é realmente algo à priori do ser humano, teríamos outras competições, talvez até mais cruéis e viris. É... não sei.

Ainda quero ir e vir por aí. Muito. Pelos cantos todos que for possível passar. Pelos becos do mundo, suas periferias, seus hiper-centros. Sabe lá onde é mais interessante. Inda vou. Sozinha, ou não. De turbante e biquini, visitarei a Groelândia. Trarei um cachecol para você de lá. Esquiarei nas montanhas de areia com lenços indianos e saia havaiana. Nadarei no mar morto de gorro esquimó. Vou correr atrás do trio elétrico em Paris.

Irei e voltarei. Esperarás por mim? Irene também? Quero conhecê-la. Ouvi-la. Vê-la. Enquanto isso... estou a cá.

cd player: Caetano Veloso - 1969

quinta-feira, março 20, 2008

deixe estar

Sabe lá o que anda pensando. Tive um sonho hoje. Mas era só seu nome nele. Graças a Deus. Na verdade nem me lembro bem o que disse. Nem eu, nem você. Veio e nem uma palavra. Mal um olhar. Me veio aquela ponta de decepção, confesso. Rendeu-me um monólogo longe dali. Andando por aí falanda sozinha e os que passavam do lado estranhavando. A cabeça em completo turbilhão. E quando nos encontrar novamente não sei como será. Um olhar ou uma palavra. Pode tudo desandar ou simlesmente continuar como estamos. Engraçado, mas incomoda. Deixe estar. Ninguém é perfeito. Não é? Ai ai.


Gal Costa - Divino Maravilhoso

sexta-feira, março 07, 2008

Notinha:
Puderam perceber que colori imagens nos posts antigos, né? Pois é... Tava tão tedioso isso aqui só com letrinhas... rs. Agora fica mais agradável.

quarta-feira, março 05, 2008

fome tropical

Andei saciando uma fome antiga, aquela tropicalista. E eu que nem sabia que tinha, descobri há uns bons tempos quando me revelaram o nome para aquilo tudo que ouvia desde criança. Já sabia que era fã de Gilberto Gil e que Caetano era pai de canções lindas que já permeavam meu inconsciente. Então a ficha caiu que isso tudo era tropicalista. No meu intenso verão tropical interior, eis que tenho em mãos material suficiente para entender melhor o que foi aquilo tudo, aquilo tudo que sempre me tocou profundamente e tão simplesmente. Convido-os a conhecer o Tropicalismo, e meus ídolos de sempre.

Mas, antes ainda da degustação indicativa, umas palavras. Ao meu entender, e olha cá que não sou estudiosa do caso, nem profunda conhecedora. Direi somente o que sinto, o que para mim é a mais importante interpretação de uma obra. Não sou crítica e desde já não tenho essa pretensão, apesar de talvez lá em certo momento da vida possa a mim surgir esse rótulo.

O Tropicalismo para mim significa a vontade de incomodar, inda mais pela época em que surgiu. Serve para o questionamento, uma pergunta sem resposta redonda, de onde podem sair outras várias perguntas. Textos sem nexo e uma musicalidade que pode ser maravilhosamente redonda quanto cheia de quinas e nada agradável. Cores fortes ou insossas, curvas insinuantes. Nus artísticos e promíscuos. Cabelos sem penteado e o simples sentido de ser, sem parecer com outros, apesar de suas influencias por aí... e que digamos a verdade! Não há na história da humanidade algo simplesmente inventada do nada, tudo é fruto de épocas, e de tudo à sua volta. Tropicalismo pode ser a total loucura, como a mais intensa compreensão das coisas, uma maturidade para além das performances infantis. Uma despreocupação com a estética tradicional, uma nova estética, mas mais relaxada, mais pela diversão do que pela perfeição.

Tropicalismo é ser mutante, ser á-gil e veloso, inventando-se zé sem sair do tom, e rugindo como um leão!


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Para aqueles que não entendem, não conhecem, nunca ouviram... uns poucos discos:

.'Tropicália ou Panis et Circencis' - Mutantes - 1968
.'Caetano Veloso' - Caetano Veloso - 1968
.'Expresso 2222' - Gilberto Gil - 1972
.'Transa' - Caetano Veloso - 1972
.'Gal Costa' - Gal Costa - 1969
.'Tom Zé' - Tom Zé - 1970
.'A Banda Tropicalista do Duprat' - Rogério Duprat - 1968
.'Doces Barbaros' - Gil, Caetano, Gal e Bethania

Recomendo baixar pelo ótimo 4shared .
Outras muitas coisas sobre o movimento, sobre as pessoas, a época e o resto, visite a Tropicália.