terça-feira, fevereiro 10, 2009

Dois dias

Já fazem dois dias que não o vejo. Saiu pela porta nervoso. Bateu com tanta força que achei que ia desfazê-la em migalhas. O meu coração ta assim, em migalhas. E pra piorar ele some.

É que brigamos, sabe. Feio. Acho que toda briga é feia, aliás. Sabe daquelas que num tem nem culpado e as partes saem igualmente machucadas? Pois é. Foi uma dessas. São as brigas mais difíceis. Mais dilacerantes.

A casa é nova. Não, não é propriamente nova, mas é nova pra mim. Acabei de me mudar. Não dava mais pra viver com aquelas meninas. Criavam muitos problemas pra mim. Já estava entrando em colapso quando vi o anúncio no jornal. Telefonei umas três vezes pra conseguir falar com o vendedor. Foi quando ouvi a voz dele pela primeira vez.

Ele parecia gentil, suave, sabe. De primeira só gostei da voz, mas quando nos encontramos, pra ele me mostrar a casa, foi outra coisa. Outra sensação, outra... Não sei descrever. Minha pulsação aumentou e minhas pupilas se abriram atentas. Uma adrenalina controlada e profundamente prazerosa. Não havia nunca experimentado tamanha sensação. O que foi isso?!...

Então conversamos um pouco. Ele me mostrou o ambiente e me falou da vizinhança. Sem perceber eu já estava deixando os cabelos me caírem sobre os olhos charmosamente. Minha postura mudara e meu modo de falar nunca esteve tão comedido. Nem percebi, mas fazia charme pro tal moço. E ele... ele percebia.

Ele é assim mais ou menos da minha altura. Os cabelos lisos despenteados e por cortar. A barba é realmente mal feita, creio que não haja tempo. O vestuário é simples. Calça jeans e camisa de uma cor só. Nesse dia era verde, minha cor predileta. Os olhos são um pouco caídos mas com um ar de brincadeira. Nada nele parece ser pesado ou sério demais. Nada nele parece ser difícil ou ruim.

Aí meu charme deu certo. Saímos algumas vezes. Outras mais e já estávamos o suficientemente íntimos, rs. Ele é uma graça. Faz coisas que nunca vi homem nenhum fazer. Quando vem pra cá sempre me traz uma florzinha que eu boto num vasinho na sala. A casa fica mais bonita quando ele vem. O tom de amarelo de fim de tarde permeia o ambiente. Fica lindo.

Mas, faz dois dias que não o vejo. Ontem me deu a sensação de que nunca mais o verei. Hoje o fim de tarde foi azul frio. E... Um minuto, a campainha tocou. Vou ver.

... Pronto! Num preciso mais me preocupar. Ele chegou. Vamos conversar e acertar as coisas. Depois mando notícias. Bejos.



Foto: Juliana Buli

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Este texto foi inspirado num ensaio fotográfico que minha irmã, Juliana Buli, fez no Prado, bairro onde mora em BH. Visite o site dela e descubra suas outras artes.


quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Mostra de Tirandentes 2009

Eu já tinha decidido ir pra mostra deste ano ainda no fim do ano passado. Aí fiz minha singela inscrição em uma das oficinas, e meio sem acreditar que seria selecionada esperei o veredicto. Por que é assim: a gente faz a inscrição, escreve um breve currículo e os interesses, e espera ser selecionado ou não para fazer a oficina. Então na segunda semana de janeiro recebi a resposta. Fui selecionada.

Ótimo! Muito bom mesmo! Era uma oficina de muito interesse meu e a primeira vez que ia baixar em Tiradentes para curtir a sua incrível Mostra de Cinema de Tiradentes. Então planejei segundo minha curta grana possibilitava. E fui.


A oficina foi de Trilha Sonora no Cinema, com o querido David Tygel (fala-se Daví Tigél mesmo, sem sotaque gringo). Uma ótima e enriquecedora experiência. Muitas dúvidas resolvidas e pessoas interessantes conhecidas.

Muito bem, era uma mostra de cinema. Também fui ao cinema, rs. Mas infelizmente posso dizer que os filmes que vi só mesmo um longa documental me satisfez e alguns curtas. O longa foi "Hotxuá", de Letícia Sabatella e Gringo Cárdia. Ótimo conteúdo estético e intelectual.

Hotxuá é uma espécie de sacerdote do bom humor. Uma figura que tem o papel de clown dentro da tribo. Que tribo é essa? São os Krahô, situados no estado de Tocantins. O mais interessante é que nunca tinha visto isso antes, o inovador sobre o assunto do documentário, que também trata dos antigos e já tradicionais problemas dos indígenas na terra de brancos. Mas essa parte a gente quase esquece quando entra na brincadeira e começa a se deliciar com as peripécias do Hotxuá. Suas brincadeiras e o sorriso são cativantes.

Até que em certo momento um clown branco chega na tribo e ele e o hotxuá trocam figurinhas. Um momento emocionante e muito bem construído pelos realizadores do filme.
Uma visão cultural que nunca tinha visto no cinema ou mesmo na TV. E é uma coisa tão doida ver que a mesma pessoa que faz uma papel numa medíocre novela global pode fazer um produto destes. Estão de parabéns.



Além deste também vi o tal premiado no Festival de Brasilia, "Filmefobia", de Kiko Goifman. Um filme desconcertante mas não muito construtivo ou transformador para minha pessoa. Trata-se da história de um cineasta que está há anos filmando um filme sobre uma espécie de verdade: o encontro do fóbico com sua fobia. Assim cria-se várias situações em que os fóbicos entram em contato direto com os objetos pelos quais têm fobia. Uma cobra, ratos, sangue, altura, borboletas e outras coisas mais. Algumas cenas perto do terror barato, outras de dar muito nervo mesmo.



No dia seguinte, na discussão sobre o filme, depois de falar muito sobre a fobia e pouco sobre o filme, a mensagem final é de que na verdade o filme é uma grande esculhambação. Isso mesmo... Agora, esculhambação com quem? Com quê? Com aqueles filmes de terror ou com eles mesmos? Que por falta de um roteiro melhor resolveram fazer uma coisa dessas? Minha conclusão é que é um filme que se discute a verdade da cena e da interpretação, nada mais. O tema poderia ser outro, mas escolheram a fobia... uhm...

A verdade mesmo é que num consegui assistir a muitos filmes. Gostaria de ter visto mais, mas o tempo foi curto e as distâncias dificultaram, já que fiquei numa pousada linda longe do centro da cidade. Além disso, o horário da oficina competia com algumas interessantes exibições.

Mas, não menos importante ou emocionante, além dos filmes rolou muita música! Principalmente choro e samba. Num bar se encontrava todo dia uma galera pra fazer um som muito bom. E eu, de quebra, aproveitava pra me divertir tocando pandeiro ou tamborins improvisados de latinhas, rs. Muito bom.

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As outras coisas à mostra

No hall da tenda, onde fizeram uma sala de cinema com capacidade para 600 pessoas, era um ambiente de descanso e de muita paquera. Deixe-me explicar. Uma figura muito singular, do sexo feminino e aparentando já ter passado há um bom tempo dos 40 anos. Ela percorria os metros de extensão do local à caça de moços bonitos. Ao avista-los, chegava junto. Sem medo nem piedade. Uns aceitavam por educação o seu papo. Outros nem se davam o trabalho. Outros ainda pareciam gostar de receberem certa atenção e conversavam durante muito tempo.

Fato é que de rapaz em rapaz ela levava um fora. Uns mais discretos. Outros com nenhuma pena. Outros ainda só ignoravam. O problema é que a cena se repetia, de fora em fora. No fim ela se contentava com as dezenas de cães que vagavam por entre os frequentadores do local. Na noite seguinte era a mesma luta e talvez o mesmo resultado.

Na minha última noite já tinha até me simpatizado com a jovem senhora. Sua persistência inabalável me surpreendia cada vez mais. Então bati esta foto. Mas, por razões éticas fica oculta a nossa personagem.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

graveolando

Foi num dia assim, daqueles que a gente fica meio sem fazer nada. Minha irmã me veio ao telefone chamando para ir a um show gratuito tal de uma banda de nome curioso. A banda eu conhecia de nome, e o lugar já era manjado. Nos encontramos lá e meu janeiro tinha a primeira boa notícia: Graveola e o Lixo Polifônico.

O Teatro Francisco Nunes receberia casa cheia naquela noite. Posicionado num local confortável, o parque municipal, e sem interferências sonoras externas, é um dos teatros que mais gosto em BH. O show era de lançamento do disco do pessoal e parece que a divulgação foi boa, por que a cas
a simplesmente lotou.


E eu estava lá do lado de fora com minha irmã fazendo planos sonoros e imagéticos quando finalmente as portas foram abertas. Nos sentamos num lugar relativamente distante do palco, mas não menos bom. E aos primeiros acordes e efeitos sonoros já sentia que seria uma bela apresentação.

Foi assim, com o som do mar através de um teclado, sinserros e copinhos descartáveis... Imagens, filmes, fotos projetado ao fundo
acompanhando os sons. Um violão, uma flauta e o clima estava todo ali. Dando os primeiros passos de uma bela canção. "Do Alto" começou e eu arrepiei. Mas aquele arrepio bom, que a gente sente quando toca fundo... mesmo que seja do alto...

Foi assim... mas o que eu não podia imaginar (talvez por desconhecer a existência da banda e da personalidade de suas outras músicas) é que aquele clima não era para sempre. Soava muit
o sério. Não parecia, afinal, mais um lixo polifônico. Então vieram sambas, boleros e tangos... Muita escaleta e percussão pra não se botar defeito. Talvez seja essa a 'Graveola' do grupo...

Já o 'Lixo Polifônico' fiquei a matutar. Escutando o álbum em casa pude perceber algo mais que no show, em alguns momentos, passava despercebido. Trechos ou referencias gritantes de canções conhecidíssimas, como "Chovendo na Roseira" de Tom Jobim, tangos do Piazzola, "Garçom" do Reginaldo Rossi, canções de domínio popular e outras que nem sei agora... Ao ler algo a mais no site do pessoal essa conclusão ficou justificada com as próprias palavras dos gravioleiros.

Penso então se essa escolha sonora foi realmente uma coisa estudada e friamente calculada. Ou se transformou nisso pelo fato dos tais compositores perceberem tamanha presença de suas influencias sonoras nas respectivas composições. Assim, com medo de dar nome a algo que já existe
e chamar de seu resolveram dar essa justificativa... Penso. Não sei. E na verdade não quero saber. Deve ser daquelas coisas que descobrimos mesmo só em análise, rs. Mas gostei da idéia toda, rs...


Fato é que o som do Graveola é bom e altamente recomendável. É tudo de uma estética por mim invejável... rs. O cd então... tem uma capinha muito fofa, rs.

É isso. Ouçam. Comprem. Vão aos shows!

sábado, janeiro 31, 2009

outras notas

Mundo virado. Eu só não sei ainda o que escrever... Em breve. Sim?

terça-feira, janeiro 20, 2009

carta

é que seu chêro me tonteia. seu pelo, sua cor. então me explica por que, se tô aqui inteira e você parece não me ver. mesmo que me olhe sempre no fundo do olhos, intensamente. é que seu cheiro me tonteia. sua pele, sua cor. qual a química que te deixa assim? e eu quase me rendo toda. quase por que num sei ainda se posso. se você pode... ah, como eu queria que se rendesse logo a mim.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

notas

Segundo o meu amigo Bruno, já é hora de queimarmos a gordura. Tudo bem que quando ele falou, e eu pouco percebi, se referia aos pneuzinhos adquiridos comumente nas festas de fim de ano. E, reparando, não deixo de concordar, rs. Queimemos!

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Radiohead toca em Sampa e Rio. Los Hermanos abre o show. Não tenho grana. Não estou nem aí....

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Alanis Morrissete vem ao Brasil em uma cambada de cidade, inclusive a capital mineira. E vai ser num dos piores locais para acústica, visibilidade e confortabilidade da cidade. Não tenho grana. E tô nem aí...

A turnê é do novo álbum. Não ouvi... inda vou. Gosto dela.

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Israel X Palestina = outro holocausto.

Não assista jornal. Assista a debates. Assista cinema. Na maioria das vezes são mais fiéis à realidade do que o tal 'jornalismo'. [ex: Paradise Now]

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Prévias do Grito Rock [ festival de rock de acontece simultâneamente em inúmeras cidades latino-americanas na época do carnaval] acontecendo por aqui. Não fui em nenhuma. Não por falta de vontade, mas por falta de cabeça... Ainda têm três por vir. Irei em alguma com certeza.

Um dos coletivos que está à frente do festival por aqui, mais precisamente em Sabará, é o Fórceps. Pelo blog da trupe é possível acompanhar as prévias e outros pormenores.

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Mostra de Tiradentes no fim do mês. Novidades do cinema brasileiro da melhor qualidade. Sessões gratuitas em plena praça. Oficinas, shows, palestras gratuitas. Tenho a grana. Vou demais!!! Tudo marcado.

Eu (fazendo meu possível) e uns amigos faremos a cobertura do festival. O melhor e o pior da 12ª Mostra de Tiradentes logo estará na Divisa.

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Preciso de um estágio remunerado. Doações? Qualquer coisa... rs. Trabalho remunerado. Urgente.

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domingo, janeiro 11, 2009

conte comigo

sábado, janeiro 10, 2009

questão

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a morte faz parte da vida

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www.anaclaragodinho.blogspot.com
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quinta-feira, janeiro 08, 2009

pra ela


é triste
é sim
você ir...
assim

não mais um sorriso
ou aquelas farras de criança
não mais uma nova palavra
ou desenhos, ou livrinhos

mas, sei
num bom lugar está
olhando pra cá
pra quem ficou e sente muito a sua falta

e nas fotos, o sorrisão
vai sempre nos fazer lembrar
de como é clara a tua alma
e como foi feliz por aqui

e ao ouvir tua canção
todos vão saber
de como era amada
tanto bem querer

voe alto por onde for
leve e linda
e se lembre sempre
daqueles que sempre vão te amar.



pra Aninha, de todo meu coração.

[foto: Bruno Godinho]

sábado, janeiro 03, 2009

reflexos


foto: Mariana Lima

quinta-feira, janeiro 01, 2009

O ano que passou por nós

Acho que nunca fui de ficar recordando o que fiz nos anos passados, rs. Essa coisa de fazer listas, top 5, top isso ou aquilo. Não que eu ache ruim, mas por que minha memória às vezes deixa de lado certas experiências que com certeza deveriam ficar nos tops... e também num tenho muita paciência de ranquear as coisas... Mas, fora os 'tops', hoje vou escrever um pouco sobre 2008, um ano de número muito agradável, gostoso de escrever e de falar.


Olhando assim pra trás e pensando cronologicamente parece que num fiz nada demais. Acho que a sensação é sempre essa. De que foi mais um ano e você num fez nada para melhorar sua vida. Mas lembrando do reveilon anterior e de como estava me sentindo, acho que a vida melhorou bastante.

Trabalhei bastante com coisas que gosto e os resultados foram ótimos. Conheci pessoas bacanas e pessoas chatas. Umas... amigas pra toda vida, outras... nunca mais. Me acabei com noites mal dormidas, com farras inacabaveis... Me alegrei com coisas pequenas e me engrandeci assim. Toquei violão pra xuxu e viola de cocho e percussão. Chorei de emoção. Perdi o fôlego ao ouvir canções. Fui a shows incríveis! Comprei cds ótimos (bons investimentos) e baixei milhões de outros pela web.


Perdi muito tempo fazendo nada. Faltou tempo para fazer algumas coisas. Não gripei forte, só brandamente. Não me apaixonei. Não me perdi, mas perdi alguns bens materiais. Não revi certas pessoas, outras nem vi de fato. Esperei demais outras, mas não vieram... e nem sei.

Compus muitas canções. Comecei a grava-las mais seriamente, mas descobri que gosto mesmo é de fazê-las. Cantei muito mas não perdi a voz. Viajei muito mas achei pouco. Engordei pouco mas achei muito. Comi muito... e foi muito, rs. E pra fechar esse ano redondo cortei radicalmente meu cabelo! Segundo minha irmã "mãos de tesoura", ficou moderníssimo... Ah... só falta eu me acostumar, rs


E para esse ano que começa hoje, espero que tudo continue bom e nesse caminho mesmo. Assim vai ser mais fácil me sentir feliz. Alegre ao menos, rs. Que os sonhos e desejos não realizados até então venham à realidade enfim. E que isso se estenda a todos na verdade, rs.

Uhu! rs

[Fotos: Mariana Lima]

sábado, dezembro 27, 2008

questões de pequeno ou grande porte

Estou achando isso tudo um pouco muito chato... ou triste. E na verdade nem sei se alguém vem até aqui e lê alguma coisa de fato... (?)

Nos últimos meses investi muito em tornar esse espaço numa coisa respeitável, mas acho que não tive muito êxito. De que adianta se ninguém vem até aqui? Aliás, até cadastrei naqueles sites que abrigam milhões de blogs, mas minha paciência é restrita no que diz respeito a explorar esses serviços.

Também ando me sentindo um tanto triste e impaciente comigo mesma. Tenho muitas coisas a serem feitas mas não tenho saco para fazê-las. Acho que sempre fico meio assim no final do ano. É como se num tivesse jeito de melhorar as coisas que fiz durante o ano, por que ele simplesmente está acabando.

E também tem essas festas e todas as pessoas gastando todas suas economias para presentear outras que nem se sabe se vão valorizar o presente. Aff... Tem também os compromissos de família. Obrigatórios...

Tem as festas que você ouve de longe e que sempre parecem mais animadas e mais interessantes que a sua. Isso se você estiver ou tiver um... Tem a chuva e um clima chato pra cacete.

Aí você vê um filme... fica andando de meias dentro de casa... lê um livro inteiro... Come muuuito chocolate, panetone, chocotone, pernil, lombo, peru... etc. Ou seja, você engorda! E isso é deprimente... rs... mas é gostoso, rs.

Então se lembra que se tivesse alguém realmente importante e amável, e amada e que te amasse por perto, poderia compartilhar essas sensações... ou com o furor do amor não senti-las.

Mas como estou só, não espero sentir nada além desse gosto de tédio. E já começar a marcar os compromissos para janeiro... Que, querendo ou não, promete boas coisas já de começo (mesmo que isso seja só ilusão). Veremos.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

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um momento de silêncio.
não pelos outros
por mim.

é que às vezes fica pesado demais.
e nem sei o que mais pesa
deve ser eu...

nem um capuccino
nem um bom filme
me curou.

talvez só mesmo
esse ficar sozinha
sem ruído nem vento

apesar da chuva
da água
do clima

por isso, silêncio!
que meus pensamentos
já me ensurdecem.



sexta-feira, dezembro 05, 2008

O mudo no cinema

Nos primórdios do cinema, final do sec XIX, a 7ª arte ainda não dispunha de recursos para empregar o som no filme, só a imagem. Mas nem por isso as exibições se passavam em completo silêncio. A trilha sonora era tocada ao vivo nas salas de exibição por pequenas orquestras ou por um pianista. Esse elemento externo dava mais sentido e emoção às cenas, levando o público à compreensão total da história. Esse era o “Cinema Mudo”.


Quem não se lembra de Charlie Chaplin e todo seu encanto mudo? Chaplin foi um dos poucos que resistiu ao emprego do som em seus filmes. Ao mesmo tempo em que essa nova tecnologia era febre nos EUA, Chaplin ainda fazia filmes mudos e nem por isso deixou de emocionar platéias fazendo grande sucesso. Além disso, com tanta destreza corporal, fazendo-se entender pelos movimentos do corpo, quem necessitaria de ouvir o que ele falava com a voz? Seu primeiro filme sonorizado foi Tempos Modernos, em 1936, mas muito timidamente. A sonorização era somente em alguns momentos, talvez para criticar justamente a falta de voz nas máquinas.


Até hoje, é fácil repararmos em elementos que nasceram junto do cinema mudo. As legendas são um exemplo. Como não era possível ouvir as falas dos personagens, o recurso de legendas era utilizado para auxiliar a compreensão do público para coisas que não fosse possível a mímica.

Mas, além disso, talvez o sentido do silêncio tenha se expandido com o passar dos tempos. Quantas cenas utilizam do absoluto silêncio para extremar sensações, emoções. O silêncio é muito utilizado em cenas de profunda comoção. Com tanta informação sonora de hoje em dia o emprego do silêncio absoluto pode causar mais impacto do que grandes produções sonoras. Me lembro do filme “O Demolidor”, adaptação dos quadrinhos para cinema. Quando o personagem principal fica cego na infância a cena do fato transcorre em profundo silêncio. O impacto que isso causa é muito interessante, pois o personagem estava ficando cego naquele momento, não surdo, porém para o espectador vê-lo ficar cego é mais importante do que ouvi-lo ficar cego, por isso o contraponto dos dois elementos.

Também o silêncio pode ser usado na construção de personagens que se deslocam na trama sem proferir mais do que 10 palavras. Me lembro da história do jardineiro do “Muito além do jardim”. Na história o personagem principal, Peter Sellers, praticamente não fala e é justamente esse seu silêncio que causa nas pessoas as mais variadas reações e interpretações. Ali o silêncio vale como 1000 palavras. O engraçado no filme, é que o jardineiro é uma pessoa que não entende do mundo, parece uma criança. Isso porque viveu a vida inteira até seus 40 anos na casa do patrão tendo somente a televisão como fonte de informação e o próprio patrão. Quando o patrão morre, ele se vê sozinho tendo de se virar. Daí começam as interpretações erradas das pessoas. Pensam que ele é isso ou aquilo. Ninguém pergunta e espera a resposta, e assim transcorre a história, cheia de interpretações errôneas.

Por outro lado, o silêncio pode ser esquecido completamente, como na maioria dos filmes de ação dos dias de hoje. O volume de informação sonora é tão grande que, às vezes, deixa de causar impacto no espectador, como julgo ser o intuito desses filmes. São barulhos e bombas, de motores automotivos, de socos, de gritos. Além das músicas frenéticas de conteúdo rítmico apenas com a intenção de excitar o espectador, deixando-o atento à toda ação. Nesses filmes os cortes de imagem geralmente acompanham a trilha sonora frenética, dando mais ênfase à excitação.

Esse uso exagerado da trilha sonora é também percebido no Expressionismo Alemão, quando a intenção era justamente impressionar o espectador. No Expressionismo as músicas são sempre muito grandiosas e tocadas por orquestras, eliminando os detalhes pequenos de um solo. As canções são intensas para não dispersar a atenção do público. Alguns críticos dizem esse elemento foi justamente usado dessa forma para que outras culturas entendessem melhor o que o filme propunha, pois nem todos iriam entender certos elementos típicos da cultura alemã. É certo que as músicas dessa escola impressionaram o público.

Alguns elementos da composição do cinema mudo ditaram e ditam até hoje certos climas para certos tipos de personagem. Por exemplo, sabemos bem a estrutura de acordes que são compostos quando um vilão aparece em cena. Geralmente o tom sombrio e perigoso é bem representado por tons menores, graves e mais lentos. O mesmo pode acontecer com sensações de medo, ou nesse caso, dependendo do medo, algo mais excitante. Um exemplo clássico para essa sensação é a trilha da cena do assassinado no chuveiro de “Psicose” de Hitchcock. Aqueles violinos frenéticos e ascendentes impressionam até hoje. Já para as sensações de alegria e amor os tons são maiores, mais agudos e cheios de vida no ritmo. As emoções foram muito bem representadas no Cinema Mudo justamente pela falta de falas dos personagens. E hoje, a mesma estrutura é percebida nos mais variados segmentos de representação. Mas, claro, sempre há exceções. No filme “Laranja Mecânica”, por exemplo, a 9ª Sinfonia de Beethoven vira a música do vilão sem respeitar essa estrutura básica, entretanto não tira a sensação de perigo quando ouvimos a composição na película.

O certo, até hoje, e talvez isso nunca mude, é que tanto o silêncio quanto os mais variados elementos sonoros são partes importantíssimas do cinema. Sem eles, talvez o cinema não fosse capaz de passar tanta emoção e causar tanta catarse. Que bom...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

outra divisa

Talvez pelo certo cansaço, talvez pelo tédio que anda acontecendo. Um vazio esgotante enche as horas e é como se passassem em branco. Um branco pastoso, denso e impenetrável. Será o vento de chuva? Será as últimas notas da canção na cabeça? Será mesmo só a sensação de uma nova divisa em nada e tudo é. Um vale, uma cerca









viva, um buraco no chão que deixa bem claro os esforços para ultrapassa-lo. O fim de mais um estágio e o presságio de um novo. Uma nova rotina, novas prioridades, novo prisma. E isso por que começa uma nova fase e continua uma velha que por mágica são separadas e unidas como nunca. Mais uma divisa e a dificil parte












de assimila-la e adptar a ela. Até que passe e venham novas renovadoras...


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