quarta-feira, dezembro 13, 2006

all is full of love

No ônibus, uma garotinha estava em pé no corredor ao lado da cadeira que sua mãe estava sentada segurando a outra filha, ainda bebê, no colo. Não sei, 5 ou 6 anos no máximo. O rosto era inesprecivo e caído, como se aquilo fosse uma amarga rotina. Olhava para os lados sem rumo e às vezes pro consolo materno. A mãe só se preocupava com a vista da janela do veículo. Estavam separadas por um homem largo e alto.
O ar condicionado estava muito forte e eu sentia meus pés gelados entre os chinelos. Minha cabeça doía ao mínimos movimentos e o barulho do motor fazia piorar. Entre abrir e fechar meus olhos via a cena desfigurada. O pescoço doía pela noite mal dormida e sem jeito do banco.
O olho abre e algo incomoda. Uma pequena de olhar desamparado posta-se no meio do corredor segurando nos canos amarelos aos balanços da máquina. Não conseguem enxerga-la confusa em meio a tanto despreso. As demais pessoas do ônibus. Selvagerismo individual. Estudantes, assalariados, aposentados, donas de casa indo e vindo e tão invisível.
Meu lugar, tão temporário, não vale a pena se tiver de enxergar aquelas perninhas doerem de ficar em pé. Me lembro da infância e de como era protegida. Agora, crascida, sei que muitos não têm um terço do que tive. Saber disso dói tanto quanto ver aquela cena de indiferença.
Me levanto e ofereço a assento pra garota. Ela aceita ainda inespreciva e não sabe dizer obrigada. Não há um sorriso, nem mesmo um voto de confiança por mim. Somente senta e espera chegar o ponto de descer. A mãe nem percebe quando isso acontece. Talvez nem percebesse que é muito imcômodo pruma pequena criatura passar por testes físicos como andar de ônibus em pé.
Passamos por cima dos sentimentos e necessidades dos outros muito preocupados com o que queremos e o que é supostamente melhor para nós. Tudo nós, somente nós. "Eu, Mim".
soundtrack#1 All Is Full of Love Björk
programa: TVE Brasil em parceria com o Instituto Interamericano del Niño exibe uma série de sete vídeos para a promoção dos direitos das crianças. Nas vozes de Gilberto Gil, Fernanda Takai, Luiz Melodia, o coral "As Princesas de Petrópolis", Bruno Golvêia, Margareth Meneses, Joyce, Jorge Vercílio e Ná Ozétti as animações ganham vida e um poder incrível de significado. As animações podem ser vistas pelo site do programa ou durante a programação da TVE.
trilha#2Eu Quero AprenderFernanda Takai

2 comentários:

Man disse...

Pois é... é triste ver esse tipo de coisa. Tão pequena e já tem que passar por tudo isso!

Essa vida é um porre!

=*****

J.R disse...

o engraçado é que existe pessoas que acham que o contrário dos velhinhos curvados, já sem força até pra andar, são as crianças repletas de energias, para dar e vender...são absurdos herdados de uma sociedade criadora de especulações e teoremas sobre as coisas da vida...( não de onde tiram tanta imaginação...)