terça-feira, dezembro 22, 2009

minha ânsia

fome por algo que me abale o badalo lógico do raciocínio que postula o mundo racional que nos envolve no dia a[pós] dia.

anseio por transformação através de algo que me faça mudar a rota, me faça enxergar as novas cores que preenchem o espaço.

não que esteja ruim, mas é que já vejo o fim do fio tênue de uma fase que se anuncia como finda, esgotada, massacrada pelo tempo.

preciso do choque, do susto, da estupefação consciente e latente numa sessão catártica de profundo mergulho.

preciso do não do óbvio, da porta aberta me revelando os poréns que ainda não vejo.

preciso de um jeito de me desvencilhar dessa toda a temperatura morna e confortável, lastreada do bem estar do não esforçar os músculos e apenas receber a ordenação da vida.

terça-feira, dezembro 15, 2009

A volta e o [re]corte

É estranho escrever um texto aqui depois de tanto tempo de silêncio. É mais estranho do que pegar o violão depois de um ano inteiro sem tocá-lo, rs.


Eu, que há tanto tempo divido minhas impressões do mundo neste espaço. Eu, que escrevo e descrevo sensações humanas me preocupando apenas com a livre expressão, mantive-me inexpressiva nos últimos meses. Outras atividades intensas e preocupações me afastaram do exercício da escrita livre. E agora, quando me vejo frente a essa tela branca e conhecida de tanto tempo, é estranha a sensação de falta de destreza para começar um texto bacana e falar de um assunto relevante. 



Com a estranheza em questão, coloco para vocês um pouquinho de um programa televisivo e extinto (saudades) considerado por muitos como estranho, mas praticamente perfeito por mim. [Re]corte Cultural pra mim foi um grande companheiro e motivo de briguinhas pelo controle remoto em casa. Uma grande referência de como se fazer um programa relevante culturalmente. Fica a dica.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Desagradável ser

Bem que reparei o olhar de cima e o andar de pontas.
Bem que pensei que desmerecia toda a atenção.
Bem que me segurei e não estendi a mão.
Bem que percebi seu ar de egoísmo.
Bem que me afastei a tempo.
Bem que não acreditei.
Bem que me recompus.
Bem que me encontrei.
Bem que longe estou.
Bem que tudo não passou de um momento.


sábado, novembro 07, 2009

Sonhos intrigantes


Sonhar, por si só, é uma experiência catártica. De profundo envolvimento. De sensações quase táteis. De impressões flutuantes e confusas.


Um sonho pode às vezes representar muito mais do que esperamos. É quando o subconsciente sobe ao palco, segura as rédeas e dirige a cena da forma mais inconveniente para a consciencia. Coisa mais contraditória, mas é verdade.

Podemos sonhar situações do cotidiano, com pessoas conhecidas ou aqueles desimportantes ou os inéditos. Nos sonhos podemos tomar outras formas, noutros corpos e em lugares inimagináveis. Situações que às vezes provam uma capacidade de imaginação antes desconhecida por nós mesmos, os "autores" da obra.


Mas, uma das coisas mais intrigantes do sonho é sua capacidade de nos confundir com a realidade. É tudo tão real, as sensações, os sentimentos, os sentidos (tato, olfato etc.), que dependendo do sonho podemos jurar de pés juntos que foi tudo verdade.

Outro dia eu sonhei um sonho desagradável. Ele havia me traido e me contava com a maior naturalidade de sua atitude. No sonho eu fiquei irada, rs. Normal minha reação, não? Acordei com ráiva e, ao mesmo tempo, profundamente decepcionada.

Porém, senti isso tudo por que a minha primeira interpretação do sonho, quando ainda estava acordando para o mundo real, aquele do "aqui-agora", considerou a situação do sonho como uma realidade vivida. Isso por que as sensações "vividas" e sentidas durante o sonho tiveram um grau de aproximação e verossimilhansa enorme em relação à realidade cotidiana. Mas então, quando me dei conta de que o sonho era apenas um sonho, tudo se desmanchou. Nada era mais real.

Me senti mais confortável com a conclusão. Mas não deixei de refletir o por que do meu subconsciente ter me feito sonhar aquilo e ter sentido todo o resto. Por que? 


Acho que o sonho é mesmo um emaranhado de todas as emoções ocultas. Aquelas que escondemos dos outros e as que escondemos de nós mesmos, mesmo sem sabermos. Emoções essas que podem até revelar-nos sentimentos que não compreendíamos. 

Acho que o sonho não mente. Ele é você em sua mais pura essência. Mas isso tudo eu só acho. Por observações próprias e reflexões a partir dos meus milhões de sonhos intrigantes.

sexta-feira, outubro 23, 2009

vastas emoções e corações imperfeitos

ai, se eu pudesse ter sido mais madura
talvez até mais inteligente
ter reparado em ti
quando passava por mim
por que hoje quando te olho
minhas pernas bambeiam
meus olhos brilham
meu dia se alumeia
e fica tudo mais leve

ah, se eu pudesse ter sido mais esperta
e ter te pegado antes
antes de termos sofrido tanto
com outros corações desmerecidos
e pudéssemos ter sido
desde então, há muito tempo,
só felizes sem perigos

ah, se eu pudesse ter tido...

se eu pudesse ter ido...
se eu pudesse...
voltar no tempo 
e ter me apaixonado por você
e pra sempre ter ficado...
mas como o tempo não volta
fiquemos daqui em diante
apaixonadamente eternos companheiros.

Feliz aniversárius!!

E olhe! O dia 17 de outubro passou eu nem estava lembrando que estamos fazendo 3 aninhos!! rs


Bolo e balão pra nos!! UHU!!!

sábado, outubro 17, 2009

Fofoca Erudita no Feira Moderna


Neste domingo, no programa Feira Moderna da Rede Minas, estaremos (Fofoca Erudita) de corpo e música no terceiro bloco do programa! Trata-se da transmissão do show da Fofoca Erudita, gravado na Casa de Ópera de Sabará no final de agosto no projeto Sabará Musical. E entre as canções vamos falar um pouco sobre o grupo e sua história.


Feira Moderna
Domingo, 18/10/09
às 15:30h
na Rede Minas (canal 9)

quarta-feira, outubro 14, 2009

diálogo íntimo

_ a nossa confiança um noutro não deixa nada sair do eixo.
_ fortalece.
_ temos de ser sempre assim.
_ te olhar nos olhos e ombros...
_ rs. te contar segredos de lençol.
_ te dizer sinceridades.
_ te bagunçar os cabelos.
_ que estão caindo... rs.
_ ah, nem vem! não é minha culpa!
_ eheheh... eu sei.

terça-feira, outubro 13, 2009

Dica musical_Moriarty

A descoberta do dia... Moriarty.



Me lembraram algo de cantores de rádio, de uma frança estilo "bicicletas de belleville"... e um longa metragem que vi no Indie deste ano, "Low, you may need a murderer", um doc sobre uma banda americana chamada Low. Gostei, apesar deles não rirem muito...

sábado, outubro 10, 2009

pulso

algo inconsequente pulsa por debaixo dos panos
extraviar condutas
desafiar pensamentos
horrorizar morais
brincar no interruptor

algo incandescente pulsa por debaixo dos olhos
extravasar normas
desprender desejos
desentender convenções
desanuviar corações

algo muito forte grita
e me deixa surda
me deixa muda
me paralisa
me petrifica


e me pesa 

a consciência

sexta-feira, outubro 02, 2009

"Passos" experimentais

Senhoras e senhores, apresento "Passos", meu primeiro vídeo experimental, rs.



Só pro caso de possíveis perguntas, no final está escrito "Realização Mariana Lima" por que eu realmente fiz tudo, tá bom?! Os pés são meus... o tênis encardido... a trilha... etc, rs.
 

Ah, trilha é um trecho especialmente editado da canção "Todo Dia", da Fofoca Erudita, uma bonus track do cd que estamos lançando, "All Vivo".

terça-feira, setembro 29, 2009

Cinema infantil e teatro de objetos

Aproveitando o finalzinho do Festival Internacional de Cinema Infantil, no domingo, fomos conferir uma sessão que chamou a atenção da minha sobrinha. Corremos para pegar a sessão de "Os Três Ladrões", que tinha dublagem ao vivo (novidade pra mim!).

A história e o traço da animação nos agradaram bastante. Daquelas histórias sem grandes dramas, mocinhos e vilões que estamos acostumados com o cinema norte americano. Não. De origem alemã, com legendas em inglês e dublagem ao vivo (com vozes conhecidas), "Die drei Räuber" me surpreendeu por sua simplicidade e carisma. Com belos personagens e cheio de detalhes imagéticos, o filme devia entrar em cartaz nas salas de cinema fora qualquer festival.

Sinopse no site oficial do Festival:

"Aqueles três ladrões terríveis viviam na estrada rendendo e assaltando os inocentes viajantes.Um dia, uma órfã chamada Tiffany estava indo de carruagem para o asilo de sua tia malvada em um castelo nas montanhas. A menina não estava nada satisfeita e quando os ladrões atacaram, viu a grande chance de fugir. Ela diz aos ladrões que é uma princesa Indiana riquíssima e eles acham um bom negócio levar a menininha para a sua caverna. A partir daí, a vida dos bandidões vira de cabeça para baixo e de seqüestradores eles passam a reféns do encanto da garotinha."





Quanto à experiência de presenciar a dublagem ao vivo, foi muito legal ver como os atores trabalham. Somente duas pessoas, um homem e uma mulher, fizeram várias vozes no mesmo filme. Havia momentos em que vários personagens masculinos conversavam na cena e o ator mudava tão rapidamente os tons de voz que eu fiquei boba espantada. Se tiver a oportunidade de ir a uma sessão assim, não hesite.

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No mesmo dia, mais cedo, fomos conferir o Festival Internacional de Teatro de Objetos, na Serraria Souza Pinto (Beagába). Chegando lá, não conseguimos ver o final das filas de ingressos (todos gratuitos). Tudo muito cheio e os horários estavam tarde para uma programação com criança. Voltamos pra trás.

Para completar, diga-se de passagem, o festival não teve uma divulgação bacana pela web. Apesar dos vários cartazes espalhados pela cidade e ser citado em alguns newsletter que recebo pelo e-mail, foi difícil impossível achar na web os horários das peças ou mesmo o horário do evento. O festival não tem página própria e os outros sites que deram a programação do evento foram falhos. Tive de ligar pro local de realização para tirar a dúvida.

Fora isso, deve ter sido legal pra quem conseguiu ver alguma coisa. As fotos das peças, pelo menos, eram muito bacanas.


sem razão

sem razão me explodo em irritação
sem razão sou nada ouvidos às explicações

sem razão te xingo de idiota e medíocre
sem razão me apronto pra briga 
quem também não tem razão
mas que está doida pra acontecer
e eu poder gastar todo essa ráiva
sem razão

I realy feel it all

Uma das minhas músicas favoritas da Feist... Tem me acompanhado nas viagens de ônibus pra lá e pra cá, e em outros momentos rotineiros.



Esses fogos deram um bom efeito, mas pela festividade da canção senti falta de mais gente dançando...

domingo, setembro 27, 2009

o nascer avesso de uma canção verbal

uma canção qualquer ensaia nascer na cabeça
algumas notas tentam achar as palavras
aqueles versos que sambam
aquelas rimas atrapalhadas.

um verso quase pronto ameaça sair
com a ponta do pé pra fora de casa
ainda se apoiando na moldura da porta
escondendo com as mãos a própria cara.

uma palavra metida e safada entra na sala
se exibe toda de vestido minisaia
como se fosse salvar o mundo todo,
e por sua causa, tudo se enchesse de graça.

veio ali uma vírgula pra mudar tudo
deslocar as velhas palavras
o que era barulho ficou mudo
e de resto me sobrou nada...

sábado, setembro 26, 2009

notas curtas recentes

Como havia avisado há uns meses atrás, ando com o tempo meio muito atarefado ultimamente e por isso a escassez de textos neste espaço. Percebo que anda ridiculamente às moscas. E vai continuar assim durante um tempo ainda... É que a realidade aqui fora anda muito mais interessante, entendem?! rs. Mas se ainda assim quiserem saber de mim, follow me on twitter, ok?! Lá é mais fácil de estar.

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Indie 2009


Pude ver poucos filmes. O mais que gostei é Tokyo! Veja o trailer aqui e fique curioso, rs.



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Garimpo 2009

Entrei e saí. Motivos de força maior me impossibilitaram de assistir aos shows da noite de sexta. Mas os comparsas do Fórceps estavam lá e registraram tudo. Na foto, Wado!




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Lançamento do novo álbum do Arnaldo Antunes, "Iê Iê Iê"

Fomos. Lugar inédito para nós. Bacana. Banda de abertura tocando Tim Maia?! Ninguém merece. Me deu um sono terrível. E o Arnaldo nem tava tão bom assim. Fomos embora antes de acabar... (o clipe é meramente ilustrativo)



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Festival Internacional de Corais 2009

Fomos convidados para um palhinha depois de uma apresentação na nossa querida Sabará City. Mas, num deu. Imprevistos acontecem, não é? ... pra próxima...




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Congresso Fora do Eixo

Essa semana começou o congresso e os parceiros de Coletivo Fórceps estão lá. Está sendo transmitido para todo o país pela net. Vale a pena acompanhar alguma coisa. Segue por aqui.




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Estas foram as últimas noticias, amiguinhos. Espero vocês aqui da próxima vez. Beijinhos com muito carinho... rs

sexta-feira, setembro 04, 2009

video de Jujubas

Na quinta passada (sem ser ontem) a Fofoca Erudita (minha banda) fez um belo show no projeto Sabará Musical. O show foi filmado e estamos editando o melhor material. O primeiro é de Jujubas. Divirta-se!



Video da Fofoca Erudita no Sabará Musical tocando "Jujubas".

terça-feira, setembro 01, 2009

Festival Garimpo 2009

Começa nessa sexta o festival que tem como proposta fazer um resumo da cena independente com os nomes mais representativos na atualidade, apostando na diversidade da cena. Em sua terceira edição traz nomes importantes como Wado (AL), Nuda (PE), Violins (GO), Los Porongas (AC), entre outras interessantes e não menos importantes bandas.


Uma das boas coisas do festival é a oportunidade de conferir bandas boas por um preço nada salgado, comparado aos tantos eventos culturais que estão com a mania de "enfiar a faca" na gente. Não, com 20 conto no bolso você entra no esquema e curte um bom e nada medíocre som. E é isso que eu mais gosto da cena independente, rs.



O FESTIVAL GARIMPO 2009
4, 5, 6, 11 e 12 de setembro
no Studio Bar (Rua Guajajaras, 842, Centro)
sempre às 22:00
invariavelmente R$20,00


Sexta-feira dia 04/09
WADO (AL)
DECO LIMA E O COMBINADO (MG)
JULGAMENTO (MG)

Sábado, dia 05/09
MONNO (MG)
MOPHO (AL)
SUPERCORDAS (RJ)

Domingo, dia 06/09 (véspera de feriado)
VIOLINS (GO)
ROCKZ (RJ)
BLUESATAN (MG)

Sexta-feira, dia 11/09
EDDIE (PE)
NUDA (PE)
GRAVEOLA E O LIXO POLIFÔNICO (MG)

Sábado, dia 12/09
TRANSMISSOR (MG)
LOS PORONGAS (AC)
PELOS DE CACHORRO (MG)

Indie 2009 - mostra de cinema mundial

E vai começar mais uma edição da mostra de cinema que mais me agrada. Indie 2009 - Mostra de Cinema Mundial já divulgou a programação e as datas. Agora é só escolher os filmes, ou os dias e aproveitar cinema de graça e, na maioria das vezes, de boa qualidade.


Eu, que tenho acompanhado o Festival nos últimos anos, posso recomenda-lo com propriedade. Filmes que não se baixa na web, que falam de assuntos incomuns, que propõem novas leituras audiovisuais, que te desconsertam, que podem ser amargos, ou doces. Filmes de países que nem sabia que se produzia cinema. Filmes bons, filmes ruins. Sessões gratuitas, pessoas interessantes e um clima de que algo realmente interessante está acontecendo. As principais características que devem existir num festival de cinema.
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A programação você confere aqui.
Pra conhecer as outras edições, clica aqui.


Indie 2009

03 a 10 de setembro
BELO HORIZONTE
Usina Unibanco de Cinema - Usiminas Belas Artes Cinema
Cineclube Unibanco Savassi - Cine Umberto Mauro
ENTRADA FRANCA

domingo, agosto 30, 2009

Fofocando no palco (e atrás dele)

Em casa posso dizer que sempre fui a filha mais musical da família. Quando meus pais recebiam amigos músicos sempre ficava na cola deles curiosa com suas músicas e instrumentos. O tempo passou, eu cresci e vivi muitas coisas que hora me aproximavam da música, hora me distanciavam dela. Mas nos últimos anos, desde que comecei a "fofocar" não pude mais deixar de lado parte tão forte na minha vida.

No começo deste ano gravei, bem caseiramente, algumas canções minhas numa experiência particular. Utilizei os instrumentos que estavam ao alcance. Desafinei, desritmei, gravei milhões de faixas só para compor um coral. Assim, deixei minha imaginação musical se concretizar aos poucos e sem vergonha de errar, rs.

O que não imaginava era que em seio familiar tais canções fizessem sucesso ou mesmo que despertassem a antiga vontade de ter de verdade uma carreira musical. Com as tais gravações fui conquistando mais ouvintes e surpreendendo antigos. E, percebendo a receptividade e reconhecendo a qualidade delas, resolvi levar adiante e mostrar cada vez mais para outras pessoas. Os frutos têm sido mesmo muito bons.

Alguns desses frutos foram as últimas apresentação da Fofoca Erudita. Uma foi no Festival Escambo e a outra foi o último show, no projeto que este blog acompanhou (e acompanha) nas últimas 3 edições. Trata-se do Sabará Musical.
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Na última quinta feira abrimos a apresentação do Coletivo América Contemporânea, uma iniciativa escabeçada pelo músico Benjamim Taubkin que "propôe um novo processo de interação e inspiração" entre as diversas culturas latino americanas. O grupo é formado por 9 músicos de 7 países da América do Sul e surgiu a partir de uma "inquietação com o isolamento do Brasil no continente".
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Tais apresentações foram frutos de uma parceria com o coletivo conterrâneo, o Fórceps. Parceria essa que nos permitiu enxergar e entender os novos horizontes da música independente atual.

Sobre o show... Todas as condições estavam favoráveis para nosso objetivo sonoro. Um ambiente em que o silêncio faz parte da performance artística e ajuda em todas as intenções musicais. O público, muito receptivo e caloroso. Os outros músicos, no backstage, todos simpáticos e interativos. Mais uma boa experiência, não menos.
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E os próximos passos fofoqueiros vão sendo traçados aos poucos. É só aguardar as cenas dos próximos capítulos.

terça-feira, agosto 25, 2009

a dois

e só ouço sua respiração
no afagar da madrugada que passa
como é bonito teu rosto na penumbra
e na pouca luz que resta, seu olhar brilha mais

a sombra das arvores dançam na parede
e tentam chamar a minha atenção que é sua
não imaginava que aceitaria meu convite
para viver sem pensar demais

sempre reparei teus cabelos
e eu amei quando sua barriguinha apertei
e rapidamente achou meus caminhos
por onde me perdi sem saber voltar

o que falta pra noite senão mais você?!
o vinho que por isso abandonamos
numa outra noite quase louca
e entornamos no descontrole de quem não resiste

te desejo todas as noites
e te anseio pelas tardes afora
manhãs que não te encontro
quase sempre lamento nos sonhos que tive

me explica o destino disso tudo
não há destino
nem um solo de guitarra
só o silêncio de respeito por nosso amor

vejo nos teus olhos irresistíveis
a vontade de nunca partir
vontade minha, não menos
como dois e dois, ficamos

sua respiração me alimenta
e ela se alimenta de sua existência
vem me dar teu corpo
e seremos felizes pela noite inteira.

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Poema criado com o parceiro Peco Ferger.


domingo, agosto 23, 2009

Nus

Corações que se disparam
Almas que se desprendem do corpo

Palavras que sobrevoam
A existência do incompreensível

Mentes em suspensão
Ao toque desencadeante
Do sublime estado de espírito


sexta-feira, agosto 21, 2009

Fofoca Erudita no Sabará Musical



Fofoca Erudita
no Sabará Musical!
Apresentação dia 27 de Agosto, quinta-feira.
Casa da Ópera, Sabará - Rua D. Pedro II, Centro
ENTRADA GRATUITA, horário: 20:30

Vamos abrir a apresentação do
Coletivo América Contemporânea

Retire seu cinvite no site:
www.bangaloproducoes.com.br

domingo, agosto 09, 2009

Cuba Feliz e Che

Ouço canções cubanas. Na memória aquele sentimento de extasiamento musical ao assistir Cuba Feliz e logo me embebedar mais um pouco do revolucionarismo cubano em Che. "Chan Chan", do Buena Vista Social Clube, inspira várias paródias, mas seu balanço é único, assim como as aventuras musicais de El Gallo.

Quem em sua adolescência nunca se sentiu revoltado e/ou simpático às causas revolucionárias cubanas? Quem nunca cultuou, mesmo que em íntimo, a figura de Che Guevara? Quem não se emocionou ao assistir "Diários de Motocicleta" (trilha lindíssima também)? Quem nunca quis resolver, ou que alguém pudesse resolver as dores do mundo?

Na última semana me senti mais próxima da ilha depois de assistir a duas produções audiovisuais que me tocaram bastante. Na primeira sessão quem tomou conta da tela foi Cuba Feliz. Um road movie estrelado por um dos cantores mais populares de Cuba, Miguel Del Morales, conhecido como El Gallo.

Percorrendo por cidades cubanas, movido pelos típicos rum e charuto, El Gallo se encontra com antigos e novos amigos em situações totalmente musicais. O filme é um grande sarau de melhor qualidade. As cantorias no passeio da rua, no quintal de casa, na cozinha e em outros tantos ambientes cotidianos me fez sentir muito aconchegada. Além disso, a improvisação dos cantores que inventavam na hora letras engraçadas e cheias de gracejos. Muito feliz o filme. Assisti sorrindo, rs, e com a mente dançante...

Logo depois, ainda contaminada pela língua espanhola, coloquei para rodar o longa que conta a parte revolucionária da história da ilha. Che. Uma grande produção não cubana dirigida por um diretor não cubano e estrelada por atores que não são cubanos. Mas, o sentimento... mesmo para mim que não sou cubana e nem conheço tantos cubanos assim, o sentimento que fica parece legitimamente cubano. O ideal de revolução e a vontade de trazer a um povo mais justiça e igualdade. Porém com um preço muito alto a se pagar. Numa revolução armada o que se faz na verdade é uma guerra. Não gosto de filmes de guerra. Ver gente morrendo e se sacrificando por uma nação não é lá uma coisa que me dê prazer de assistir. Sei também que as guerras acontecem no mundo todo e que muitos não podem fugir delas.

O que me inspira em Che é seu investimento em pessoas que ele não conhecia. Um povo que vivia dia após dia dificuldades de situação desumana. Me lembro das aulas de política, de neoliberalismo, de mídia e cultura na faculdade e das intermináveis discussões a respeito das diferenças sociais e culturais dos mais variados locais no mundo. Discussões que faziam vir à tona tantas opiniões diferentes e que, normalmente, não chegavam a lugar qualquer. Exatamente o que não vejo, bem no início do filme, quando Fidel e Che conversam sobre a situação do povo cubano e os primeiros planos para a tomada de poder. Taí a grande diferença.

Logo verei a segundo filme que continua a história do líder revolucionário. E enquanto não vejo prefiro me divertir somente com as canções cubanas...

_no player_ Buena Vista Social Clube_"Dos Gardenias" e "Besa me mucho"

quinta-feira, agosto 06, 2009

Para se comportar

Que peso é esse que carrega
que te deixa assim de olhar caído?
Não há por que se entristecer
Não há por que ter medo de ser feliz
A gente não aprende a sentir
só sente e é
Esqueça as dificuldades
todas são passageiras
E o sorriso, que é fácil de estampar,
deixe-o à vista
pra nunca mais esquecer
de como se comportar.


quarta-feira, agosto 05, 2009

Escambo 2009

Depois de quase duas semanas da realização do grande festival anual do Coletivo Fórceps, o Escambo, venho dar meu singelo testemunho da experiência de participar desse acontecimento.

Como os leitores assíduos deste espaço já sabem, sou integrante do coletivo já há alguns meses, fazendo parte do núcleo de comunicação. Por isso uma das minhas funções no festival era de cobri-lo jornalísticamente. Além disso, também escrevi os textos de locução da apresentadora dos shows, ajudei na barraquinha e ainda toquei com a minha banda no derradeiro dia de programação. Por conta disso, uma ressaca me abateu nos dias seguintes ao evento, mas foi ressaca boa.

Estiveram presentes coletivos de todos os cantos do estado de Minas Gerais e ainda representantes de Mato Grosso, de São Paulo e Goiás. Depois de 1600 bandas inscritas, subiram ao palco 17 bandas em 3 dias.

E o que é um festival sem oficinas? Foram realizadas 8 oficinas com grandes nomes como Bruno Kayapy e Yanã Benthroldo do Macaco Bong e Kuru Lima da Produtora Cria Cultura.

Além disso teve cinema na rua com o Cinebrasa e ainda um seminário sobre políticas públicas culturais no interior de Minas, com a participação do Fora do Eixo Minas, a Superintendente de Interiorização da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais e o Secretário de Cultura de Sabará.

A cobertura alheia do festival ficou por conta da maioria dos coletivos que estiveram presentes. Por conta disso, não sentimos (comunicação do Fórceps) a necessidade latente de fazer mais do mesmo. Fizemos um vídeo sim, mas com um outro ângulo, talvez mais institucional. Confira abaixo e se prepare para a próxima edição no ano que vem!






segunda-feira, julho 13, 2009

Fofoca Erudita no Festival Escambo


Tá sabendo?
Vai ter show da Fofoca Erudita (minha banda) no Festival Escambo (o grande festival anual do Fórceps)!

Dia 26 de julho (domingo) às 17:00
na Praça Melo Viana, Centro - Sabará
Entrada Franca (ou franga?! ehe)

Ah, ainda não conhece a Fofoca?
Ouve aí: www.myspace.com/fofocaerudita


Se está com preguiça de ir lá no myspace, então aperte o play aí abaixo e curta Jujubas!!

sexta-feira, julho 10, 2009

inexplicável ser

Essa tela branca. A falta de inspiração.
Os acordes eternamente editados.
As vozes eternamente bifurcadas.
As possibilidades infinitas.
O tempo ínfimo.
A estratégia insegura.
A qualidade crescente.
A atividade mórbida.
A ansiedade efervescente.

sexta-feira, julho 03, 2009

No silêncio, milhões de coisas se passam


Ele

No quarto escuro, quase não havia vida. Ele esperava impaciente que alguma luz se acendesse, senão aquela na qual instalara em seu móvel. Queria que fosse uma luz dentro da alma, algo que o fizesse irromper aquele cubículo dentro de si mesmo e partir em direção a uma coisa que
o fizesse feliz.

Ele queria algo que o abrilhantasse. Porém, mal sabia que o brilho é próprio. Que, enquanto você pensa que o mundo melhorou por causa de alguém, nada mais é que você mesmo quem mudou de postura.

Enquanto não aprende, ele espera. E não há luz que se acenda senão o letreiro luminoso do bar em frente. Que pisca e o faz querer que se apague. Que suma. Que seja algo senão aquela solidão que ele sente. Apenas isso. Que não seja a solidão.

Mas nada acontece. Só a chuva que começa a cair e molha os vidros da janela onde ele se posta. E ele se recolhe à cama, sem novidades, sem nada mais esperar. Apenas com aquela vazia sensação de que amanhã tudo será como hoje: Um vazio que ele mal pode aguentar.


Ela

Na rua, ela vê os carros passarem. Passam rápido e ela parada pensando nas tantas vidas e rostos felizes que estão lá dentro. Que saem dos bares, das festas. Queria estar em algum desses lugares. Ter no rosto a felicidade sem saber que os rostos felizes carrega em si a tristeza de não sentir verdadeiramente a felicidade.

Olha o céu esperando ver algo diferente. Algo se movendo, caindo, algo surpreendente. Mas nem as estrelas. As luzes em volta ofuscam seu brilho. Ofuscam até seu desejo de se sentir melhor. Se são elas que te trazem o vazio.

Fecha os olhos. Para que os postes não possam mais te atingir. O vento que começa a soprar trazendo a chuva percorre seus cabelos soltos. Um arrepio lhe passa pela nuca nesse instante.

Subitamente abre os olhos e avista ao longe uma janela aberta e um vulto debruçado nela. A luz do letreiro do bar da frente da janela acende a apaga as feições do rapaz sem camisa. Seu olhar perdido chama tanto a sua atenção que logo não se sente mais tão só. Encontrou um rosto sem sorriso. Por isso mesmo foi que sorriu. Mas, por dentro. Apenas por dentro.

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Este texto foi escrito em parceira com Peco Ferger.
O crédito da foto é de Mariana Lima.

sexta-feira, junho 26, 2009

CINEOP 2009

Ainda não tive muitas oportunidades de experienciar diferentes festivais de cinema, mas taí uma programação que muito me agrada. Em BH sempre compareço e acompanho o Indie, e pelo estado mineiro a Mostra de Tiradentes e (desde esta edição) o Cineop.


No último final de semana (20, 21) estive na antiga capital mineira, Ouro Preto. Com toda sua pompa colonial e aquele frio de começo de inverno, a cidade recebeu para o evento mais de 20 mil pessoas. Público que acompanhou as exibições de 71 filmes, entre longas, médias e curtas em 6 dias de programação.

No pouco tempo disponível para a apreciação cinematográfica pude assistir a duas estréias (sim, por que aquelas exibições dos anos 70 já basta a programação do Canal Brasil, né?!), “Alphaville” e “Um Homem de Moral”. Dois documentários, o primeiro sobre um dos condomínios paulistas Alphaville e o segundo sobre o compositor Paulo Vanzolini.

“Alphaville” (dir. Luiza Campos - SP - 2009) se trata de um retrato em macro da vida monótona dos habitantes de um dos condomínio Alphaville, em São Paulo. Sempre achei esses condomínios um misto de prisão com conto de fadas. Onde a lógica de assepsia está em tudo, até nas pessoas. Para adentrar o local, 24h horas vigiado dentro e fora, é preciso passar por um processo minucioso de inspeção, em que os 'infectados' não passam. E os habitantes locais pensam viver num ambiente perfeito.

Não soube ao certo o que sentir. Um misto de dó e repugnância. Pessoas fugidas da violencia se auto-encurralando, deixando serem vigiadas e controladas por um suposto bem maior: a segurança. Me fez lembrar de vários outros filmes de ficção científica em que há sempre uma mente perversa que controla a todos. No final do média a diretora descreve bem o sentimento daquele povo, vivem com "medo do diferente". Se isolam e se padronizam com o terrível sentimento de medo do diferente. Não culpo aqueles que vivenciaram terríveis ocasiões com a violência (por exemplo), mas me pergunto, se não tivessem dinheiro suficiente para viver num lugar desses qual teria sido a melhor saída?!

“Um Homem de Moral” (dir. Ricardo Dias - SP - 2009) me despertou lembranças e saudades da época de criança, quando a canção “Cuitelinho” era trilha sonora de encontros com amigos dos meus pais, quando a cantoria durava horas a fio. Descobrir que aquele homem foi quem fez as duas últimas estrofes dessa canção, que sempre me acompanhou, foi daquelas boas surpresas da vida.

Ao avançar do documentário pude conhecer um grande compositor que brincava com as palavras e histórias, sem levar muito a sério essa coisa de composição. Um filme muito simples e sensível feito por alguém que conviveu durante muito tempo com o personagem principal, e por isso mesmo colocou todo carinho na produção. Um filme para quem gosta de samba, de boas canções e boas histórias. Afinal, toda boa canção guarda uma boa história.

Com a temática focada na figura feminina dos anos 70, a Mostra intercalou produções setentístas e as impreteríveis estréias nacionais e mundiais. A presença da homenageada Zezé Mota foi um dos altos do evento, um dos acontecimentos que eu queria ter conferido de perto, mas que não me foi possível.

Final das contas, assisti a duas ótimas produções inéditas e fiquei satisfeita. Acho que é isso que qualquer produtor que se preze ia gostar de ouvir do público de seus eventos. Pois bem.

segunda-feira, junho 15, 2009

Nas divisas do twitter

Agora o Na Divisa pode ser acompanhado também através de seus pios na rede... Aí do lado (aqui ó, à esquerda...) estão as últimas atualizações.

Pode ser que fique parado às vezes, como aqui, mas é mais uma plataforma. E... 'nóis tá dentro, mano'.


terça-feira, junho 09, 2009

A era da informação

Tenho pensado cada vez mais no assunto "fluxo e volume de informações". Sim, meus caros, isso me faz pensar... e muito. E as conclusões corriqueiras sempre chegam ao mesmo ponto, o mundo está cada vez mais cheio de informação desnecessária.

Como dizem os estudiosos, este é a era da informação. Notícias ao amanhecer, ao celular, na TV, no jantar. A todo momento, de todo lugar, sobre qualquer coisa, está ela lá. A danada da informação. Aquela que nem precisamos entremeando o dia-a-dia, os afazeres, as relações, tudo.

Os canais de notícia 24h, os programas com 'coberturas completas', o 'ao vivo' que sempre entra no ar. Dos menores aos maiores casos, tudo está na media, seja de forma oficial ou 'colaborativa'. Todos são produtores em potencial da informação. Todos opinam, todos informam, todos assistem, todos sabem. Todos estão conectados. Todos estão perdidos.

Meu dia costumava ter longas vinte e quatro horas, mas parece que se reduziu a cada hora que passava. 23... 22... nem sei mais às quantas andam os meus dias. Os textos mais curtos, as distâncias mais curtas, as facilidades mais acessíveis... o tempo mais curto.

No tempo da minha avó só existia um jornal que era lido por uma parcela muito pequena das pessoas. De sua casa à capital era um dia inteiro à cavalo ou carroça. As verduras plantava-se no quintal, onde também criava-se porco, galinha, ganso. A única venda da cidade dava conta dos outros artigos da vida diária.

Pego dois ônibus para ir e vir todos os dias. Algo como três horas diárias de transporte. O mp3 sempre no ouvido. Um livro. O jornal do ônibus. Os outdoors. Os busdoors. Os folhetos publicitários. Os popcards culturais. Os alto-falantes. Os narradores de ofertas. Músicas que tentam seduzir clientes nas lojas. Pessoas que conversam e comentam fatos diversos.

Eu me calo. Por que só quero um pouco de paz. Esvaziar a cabeça de coisas inúteis. Não vejo nem leio jornais há meses. Não perdi nada. As notícias mais alarmantes as pessoas me contam. E mesmo assim, estão muitas vezes longe, muito longe de mim.

Nessa era da informação é preciso muita atenção. Mas, não para captar tudo e saber de tudo e estar sempre atualizadíssimo. É preciso atenção para não se deixar seduzir por essa história de que a informação é essencialmente necessária em sua totalidade. É preciso atenção para filtrar, editar e às vezes simplesmente se recusar saber de algo.

É preciso desligar os aparelhos. Fechar os olhos e ouvir os sons naturais do mundo que ainda não mudou completamente de forma nem de tempo. Quem corre somos nós, não as coisas. Quem sofre com isso é só a gente mesmo.


a fuga

me foge, fugídia
me escapa rindo
feito menina sapeca
me deixa despersa

quase sem argumento
deixo ir, não há tempo
nem convencimento
sou só e sem força

sem controle
dos próprios
dos meus
vejo-a ir

e ela só ri de mim
por detrás da porta
cantando versos maliciosos
dançando vitoriosa



sexta-feira, maio 29, 2009

quantificando as coisas

dois passos nas pontas dos pés
cinco palmos pra cair no chão

três voltas em volta de si
dez vezes mais tonta ficou

quatro dias sem comer rosquinhas
sete noites sem acender a luz

seis contos no bolso esquerdo
nove desejos sem solução

oito metros do fundo do poço
um minuto pra então se perder

sábado, maio 23, 2009

Critica de "O homem que conhecia as mulheres"

Por Peco Ferger


É um livro completamente diferente de tudo que eu já li. O caleidoscópio do caos. Além da linguagem objetiva, bem sensual de Marcelo Rubens Paiva que eu conheço por "Feliz ano velho", "Bala na agulha" e "Blecaute", a história se divide em diversas crônicas, uma completando a outra. Abusando de palavras de baixo calão e que muitas vezes descamba para a putaria generalizada, o autor manteve ao longo das histórias uma sensualidade curta, objetiva e veloz, adicionando ao livro aqueles ingredientes que prendem o leitor do início ao fim.

Assim que comecei a leitura, já queria saber quem era esse homem que conhecia as mulheres. Imaginei-me em uma festa e, na medida que fui entrando, pessoas foram se aproximando e se apresentando, formalmente. Eram todas mulheres. Cada uma com seu perfil, algumas sozinhas, outras acompanhadas por outras mulheres. Ouvi histórias, entendi e desentendi problemas, aflições e medos até que, chegando ao balcão e pedindo uma bebida, conheci o homem. Ao final de tudo, saí por uma porta onde vi a cidade de São Paulo ao fundo, contornando toda a beleza existente e tornando tudo mais fácil de admirar naquele antro de coisas ruins.

Resumindo, o livro é quase que uma festa. Há frequentadores de todos os tipos, histórias e diálogos para, no fim, chegar ao ponto-chave que é o homem que, de tanto conhecer as mulheres, perdeu o encanto por elas. Segundo ele, porque o encanto nada mais é que o mistério. Realmente! Você ficaria com alguém com quem não pudesse mais se surpreender?

Dentre as tantas histórias, não poderia faltar altas doses de humor. Coisas corriqueiras, cheias de ironias e críticas sociais nos fazem quase que imaginar o próprio autor em uma roda de bar, a contar os dizeres. Dentre os pontos altos, pude rir muito em meio à um diálogo:

A atendente de telemarketing ligou para o cara:
- Por favor, ajude a casa tal a sustentar o Jonas. Você pode doar 50, 100 ou 200 reais e o menino ficará feliz com sua doação. Ele tem fome.
O cara respondeu:
- Dá um biscoito pra ele.


Enfim, em meio a desgastes loucos, relações tortas, injustiças com graça e uma declaração de amor à cidade de São Paulo, o livro é imperdível. E nem pense em usá-lo para conhecer as mulheres. É fria. Isso, nem ouvindo as músicas do Chico.


---


Peco Ferger é amante da literatura e escreve poesias nos momentos de inspiração. Ainda não tem um blog, mas terá em breve, colocando no ar outros pensamentos e devaneios. A meu convite, escreveu essa crítica especialmente pro Na Divisa.

sexta-feira, maio 22, 2009

questão respondida

Penso, logo persisto.

quarta-feira, maio 20, 2009

Curta temporada de Hypólita - uma história de amor

A peça Hypólita - uma história de amor, na qual atuo e sou responsável pela direção musical, além de ser co-compositora da trilha sonora, está de volta!! A Cia De Yepocá estréia curta temporada no Teatro Marília com o espetáculo cênico musical nos dias 1, 2 e 3 de junho (segunda, terça e quarta).


Concebido para o projeto Mercantil do Brasil Cultural 2007, circulou por 13 cidades mineiras em 2007, encantando público e crítica.

Hypólita - uma história de amor
comédia musical - classificação livre
1, 2 e 3 de junho
R$ 16,00 (inteira), R$ 8,00 (meia),
R$ 6,00 (convênio_contato com a produção ou apresentação do flyer)
Teatro Marília - Av. Alfredo Balena, 586, Centro - BH
(31) 3277.4697




Um homem é acusado por um crime aparentemente banal: a retirada de uma flor que, segundo especialistas da imaginária Gaia, desencadeará um desequilíbrio ambiental de proporção mundial. Como se trata de uma situação que envolve o futuro daquele lugar, será realizado um julgamento para decidir o destino do homem, que apenas colheu aquela singela flor para oferecer a uma desconhecida e bela mulher. Agora será de responsabilidade dos magistrados e, principalmente, do público presente, julgar se ele é culpado ou inocente.
.
Um espetáculo cênico-musical que fala de coisas sérias, mas c
om um tom lúdico. A peça tem como proposta usar várias linguagens teatrais, com uma divertida interação entre atores e os nossos “espectadores-jurados”, que terão um papel decisivo no desfecho da história.



Conheça mais sobre a peça lendo o diário de bordo da turnê Mercantil do Brasil Cultural 2007 aqui. E, te espero por lá!!

quinta-feira, maio 07, 2009

Entrei na dança coletiva


No último dia 18 entrei para um dos coletivos mais atuantes na cena independente de BH e região, o Fórceps. Sim, é mesmo o nome. A princípio estranhamos, principalmente as mulheres, mas não há nada de ruim no lance.

Como está no próprio site do coletivo, "O Instituto Cultural Fórceps é um instrumento de valorização da produção cultural realizada de forma independente". Com o objetivo de promover o desenvolvimento da cena cultural independente, "fazer com que a população tenha acesso à produção cultural realizada fora dos grandes centros e que as pessoas envolvidas nessa cadeia produtiva se aproximem, troquem experiências visando a evolução coletiva e consigam obter renda com seus trabalhos, além de se inserirem no circuito cultural nacional."

Assim, entrei pra dança de mala e cuia. Eu e a Fofoca Erudita, meu projeto musical. Faço parte do núcleo de comunicação do coletivo, atualizando sempre que possível o blog. E logo logo teremos mais fofoca no ar... rs.

Entre as ações do coletivo, está o Festival Escambo, o Cinebrasa, a realização de várias festas, com show de bandas parceiras, e ações de fomento à cena independente.

Para conhecer mais o Fórceps, acompanhe o blog.

quarta-feira, maio 06, 2009

Mostra de cinema Outras Europas

Começou ontem a mostra de cinema Outras Europas, que acontece no Centro Cultural da UFMG, de 05 a 20/05. As sessões são gratuitas e acontecem às 19h, e logo depois comentadas por professores da UFMG.

Com espírito de transgressão, os filmes reunidos vão mostrar uma Europa muito além das fronteiras atuais, sejam ela políticas, culturais ou geográficas. Desta maneira, proporcionando um olhar diferente sobre o "velho continente" de hoje e convidando a uma reflexão sobre a Europa de amanhã.


Dentro da mostra acontece no dia 09 (sábado) a FESTA OROPA, com músicas da Europa e do mundo. Antes da festa, às 19 horas, será exibido o longa "Um dia na Europa" e logo depois, durante a festa, a coletânea de curtas "25 visões da Europa". Ingressos a R$10,00, no local.

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Mostra OUTRAS EUROPAS
De 5 a 20/05, às 19h
Entrada Franca
No Centro Cultural da UFMG
(Av. Santos Dumont, 174, Centro - BH - MG)



5 de maio (3a)
Europa é a nossa história (Europe, c'est Notre Histoire, França 1996, dir. F. Feron, J. M. Meurice, 58min) - Conferência: Prof. Leonardo Nemer (CEDIN), Prof. Leonardo Avritzer (FAFICH/UFMG), Prof. Georg Wink (DAAD-FALE/UFMG) - Coquetel (cortesia do Cônsul Honorário da Alemanha em Belo Horizonte e da Associação Cultural Ítalo-Brasileira de Minas Gerais - ACIBRA)

6 de maio (4a)
Terra Estrangeira (Brasil 1996, dir. Walter Salles, Daniela Thomas, 110min).
Comentário: Prof. João Pinto Furtado (FAFICH/UFMG)

7 de maio (5a)
O novo mundo
(Nuovo mondo, Itália 2006, dir. Emanuele Crialese, 120min).
Comentário: Prof. Tommaso Raso (FALE/UFMG)

8 de maio (6a)

Documentário Na-Masserìzie (Itália/Brasil, dir. Simone Cupello, 1993, 13min) e vídeo-instalação Del Cinemá na entrada do Centro Cultural, na presença da diretora e artista Simone Cupello Anansi, o sonho da Europa (Anansi, der Traum von Europa, Alemanha 2002, dir. Fritz Baumann, 80min). Comentário: Prof. César Guimarães (FAFICH/UFMG)

9 de maio (sáb) (repetição: 24 de maio)
Um dia na Europa (One day in Europe, Alemanha/Espanha 2005, dir. Hannes Stöhr, 95min)
Comentário: Prof. Georg Wink (DAAD-FALE/UFMG)

20h: "Festa Oropa: Música da Europa e do Mundo“ (djs Hassan & Al-Man) com vídeo-instalação "25 visões da Europa"

10 de maio (dom) 18h
Um olhar a cada dia (Le regard d'Ulysse, França/Grécia/Itália 1995, dir. Theo Angelopoulos, 170min) Comentário: Prof. Antônio O. Lopes (FALE/UFMG)

11 de maio (2a)
Desde que Otar partiu (Depuis qu’Otar est parti, Bélgica/França 2003, dir. Julie Bertucelli, 103min). Comentário: Prof. Wellington Costa (Presidente da Associação dos Professores de Francês de Minas Gerais FALE/UFMG)

12 de maio (3a) (repetição: 31 de maio)
Guerra dos Outros (Beautiful People, Reino Unido 1999, dir. Jasmin Dizdar, 107min)
Comentário: Prof. Élcio Cornelsen (FALE/UFMG)

13 de maio (4a)
Do outro lado (Auf der anderen Seite, Alemanha/Turquia 2007, dir. Fatih Akın, 122min)
Comentário: Prof. Georg Wink (DAAD-FALE/UFMG)

18 de maio (2a)
O Centro (Die Mitte, Alemanha/Polônia 2004, dir. Stanislaw Mucha, 85min)
Comentário: Prof. Georg Wink (DAAD-FALE/UFMG)

19 de maio (3a) (repetição: 30 de maio)
Expresso do Sul
(Sud Express, Espanha/Portugal 2005, Chema de la Peña, Gabriel Velázquez, 102 min). Comentário: Profa. Elisa Amorim (FALE/UFMG)

20 de maio (4a) (repetição: 23 de maio)
Exílios (Exils, França/Japão 2004, dir. Tony Gatlif, 104min)
Comentário: Prof. Wellington Costa (Presidente da Associação dos Professores de Francês de Minas Gerais FALE/UFMG)

quarta-feira, abril 29, 2009

abraçar

querer abraçar-te
aconchegar -me
agora
assim
não dá
mas tudo bem
guardo a vontade
pra virar saudade
e quando te ver
prender-me no teu jeito
perder-me nos teus braços
pra tudo ficar bem
e a saudade passar ligeira
como se o tempo parasse
só para nos ver abraçar.

segunda-feira, abril 27, 2009

Conexão 'Viva' e Festa 'animal'


Há uma semana atrás, exatamente na segunda passada, acontecia um encontro histórico na música independente. A primeira festa promovida pelo Circuito Mineiro de Música Independente reuniu no mesmo palco duas bandas de peso animal. Se tratava da Macaco Bong (MT) e Burro Morto (PB).

Primeiro a Burro dava suas notas de ritmos envolventes e uma vontade de dançar sem rumo me subia. Depois veio o estonteante show dos Macacos, mandando todo o 'bong' possível. Há muito não presenciava tamanha presença de palco (no caso, do guitarrista do Macaco Bong) e, de um modo geral, uma festa tão 'porrada'. Pra descarrego de qualquer pessoa que goste ao menos um pouco d
e peso.



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Na última semana aconteceu na capital mineira a maratona do Conexão Vivo, recheada de shows bacanas, oficinas e seminário. Tudo isso em nove derradeiros dias. Um pouco difícil de acompanhar, mas dentre a programação paralela e os compromissos profissionais, estive lá quando pude.

Na vasta programação consegui ir de fato em dois dias de show, duas oficinas e em uma das discussões do Seminário Internacional Música & Movimento. Entre aulas, ensaios teatrais, de enfrentar filas de ficar muito cansada conferi pedaços de shows, esbarrei em muita gente e conversei com outras.

O que ficou pra mim foi a incrível experiência de estar "nas mãos" do mestre Naná Vansconcelos no seu 'Orgânico Workshop', onde e quando reuniu muita gente à sua volta formando uma grande orquestra de vozes, palmas e pisadas pulsantes. Uma prova de que a música pode acontecer assim num jardim, sem precisar de partituras mas sim daquela dose boa de espontaneidade e criatividade.

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Fora essa semana agitadíssima, ando um bocado atarefada, o que justifica ao menos um pouco a falta de textos nesse espaço. Mas não se preocupe, mais cedo ou mais tarde eu sempre volto. rs

Fotos_Mariana Lima

segunda-feira, abril 13, 2009

diálogo fofo

- hoje acordei com o pensamento em ti.
- pensamento bom ou ruim?
- bom, claro, hehe.
- e eu fico com o pensamento em ti o tempo todo.
- ah, fofo!
- fofa! rs

(beijinhos...)

domingo, abril 12, 2009

Ser ou não ser cultural...

São comuns as indagações sobre o que é cultura, ou cultural. Toma-se, normalmente, por base a análise de alguns produtos culturais. Compara-se, por exemplo, um filme de grande sucesso popular, como "ET", e um mais "cult", como "Invasões Bárbaras". E as respostas e ponderações variam entre "esse é cultura, o outro não" e "o que é cultural ou não?". E a confusão é normal e recorrente nos mais variados meios sociais.


Partindo dessa discussão penso cá como a indústria cultural distorce as coisas. Como as pessoas não se permitem consumir produtos bons com medo de estarem se distanciando de suas raízes culturais. Ou mesmo não se permitem por acharem que é coisa chique e não pertence à sua classe social. Ok, deixe-me explicar.

Assim como pensar que "ET" não é cultura, é comum atribuir a expressão 'cult' àqueles que gostam de arte sem apelo popular. Mas, onde há a diferença entre um e outro produto? O que torna um produto mais 'cultural' que o outro? Ou o que faz pensar que existe cultura em algumas coisas e em outras não?


E a resposta está na ponta da língua. É... nada! Todos são produtos culturais. E além disso, o produto cultural não se prende à produção artística. A cultura está em todos os âmbitos e esferas sociais. E faz parte também de nossa cultura achar que um produto é ou não cultural. Então o problema aí está na noção do que é cultura.

Cultura é tudo aquilo que envolve a sociedade. Seus costumes, suas maneiras, os preconceitos, a postura diante de qualquer coisa. Tudo o que fazemos e pensamos é de acordo com a cultura na qual estamos inseridos e que ajudamos a construir e transformar. A cultura nunca está estática, sempre muda com as evoluções, o tempo e as pessoas que nela viveram e fizeram suas contribuições culturais.

Assim, não há diferenças em termos de 'quantidade' de cultura em um produto. Ou se ele é ou não é cultural. O que pode haver são diferenças em qualidade, o que não torna um produto mais cultural que o outro. E este quesito é amplamente discutido entre os mais variados meios sociais, levando muitas vezes o gosto pessoal como o critério de avaliação que mais pesa, tornando a discussão inacabável e pessoal.

Portanto (e para finalizar), recomendo a boa paciência e a mente sempre aberta. Não só para conhecer produtos culturais novos (artísticos) como também para entender o sucesso e a existência de produtos que não gostamos. Assim, coexistindo pacificamente com outras culturas e gostos culturais artísticos.

Assista "X-Men", "Todo Mundo Em pânico", "Volver", "O Exorcista" ou "9 Canções". Ouça Calipso, Pink Floyd, Chico Buarque ou Elvis presley. Conhecendo de tudo um pouco é que vamos construindo nosso senso crítico sobre o que é um bom produto cultural e o que não é. E não se sinta acanhado em dizer que um produto é bom ou ruim, afinal os critérios de avaliação são sempre pessoais (até dos críticos mais renomados!).


terça-feira, abril 07, 2009

carta ao leitor

Há um tempo um amigo reparou que este blog já teve tempos mais jornalísticos e que passa por uma fase meio carente dessas coisas. E é verdade. E pra falar francamente, nem sei bem por que... acho que ando meio sem tempo mesmo para refletir e escrever sobre fatos e coisas, culturais ou não.

Bom, esse post é só pra justificar minha falta de textos críticos e analíticos sobre cultura e mundo. Mas, se estiver sentindo falta de algo assim, sugiro clicar aqui à direita, um pouco mais pra baixo, na Editoria de Cinema, ou mesmo na Recomendo Mesmo e aproveitar minhas dicas na área.

Enquanto isso... vou indo. Quanto às atualizações jornalísticas, espero que em breve consiga postar algo à altura por aqui.

o mal do meu quarto

vou pintar meu quarto
mudar o armário
trocar os sapatos
mudar a luz.

tudo ali me deprime
tudo me torna mais pesada
me fecha num labirinto
numa sensação triste e morna
de que o dia já acabou
mesmo antes de se anunciar.

não há muito ânimo para novos acordes
la dentro novas cores não têm ar
minha cama vou girar
minha mesa vou arrastar
o lustre vou limpar
e o que estiver solto e sujo... já era.

terça-feira, março 31, 2009

meu espaço

no meu quarto tem um quadro
no canto da parede teias de aranha
em cima do armário um rádio
um livro do meu lado
um violão encostado
um pensamento inacabado

no meu quarto a luz entra toda pela manhã
uma pilha de roupas espera minha atenção
calçantes espalhados pelo caminho
poemas para possíveis amantes
papéis cheios de recados e lembretes
uma vontade imensa de ser além do que já sou



[ ]

segunda-feira, março 30, 2009

incômodo

estou cansada
um cansaço quase inexplicável
quase sem razão
quase sem tempo de não ser
estou machucada e nem sei
nem sei por que
onde, como foi que fiz
ou como me curar
me sinto sem forças
sem energia
como se só a correnteza
fosse mais forte
e me levasse sem regras
pra qualquer lugar
me sinto sonolenta
sem saber o que acontece
enquanto nos sonhos
vivo algo morno
não sei o porque
de estar aqui e fazer
assim ou assado
e nem o novo me encanta tanto mais
se não consigo desatar-me do velho.

sábado, março 28, 2009

poeta meu

meu poeta meu
só pra mim poetiza
meus cabelos
meus perfumes

poeta meu
diz coisas tão lindas
aconchegantes
umas delícias

escreve
e descreve
o que nos comove
o que nos fascina

e quando ao vivo
começa a acanhar
não deixo
um beijo no queixo
e pronto
um sorriso me dá

quarta-feira, março 25, 2009

depois de um tempo...



- O que está olhando?
- Seus olhos.
- O que tem eles?
- Tem algo aí que ainda não entendo.
- Uhm... descobriu meu segredo.
- Só não sei direito. Conte-me.
- Não há o que contar. Isso é timidez.
- Ah... ainda?
- É.
- Não precisa... Eu não mordo.



domingo, março 22, 2009

Modus Online

Depois de uma conversa com um amigo, e as nossas considerações a respeito...

"Não sei onde as pessoas querem chegar com cada vez mais contatos virtuais. Eu mesmo, muitas vezes, estou a conversar por aqui com minha irmã quando ela está a apenas dois cômodos de distância! E temos assuntos que nunca discutimos pessoalmente! Tornou-se um vício quase incontrolável, uma tatuagem terrível de carregar, completamente exposta."


Leia o texto completo aqui.

vida solitária - o quarto

ouvia a canção final do meu quarto. não, a canção não é do meu quarto. só estava lá. a canção vinha da tv. e imaginava ali o que acontecia naquela trama. seria coisa boa? ja que era tão intensa, como se a cantora fosse morrer de tristeza ou profunda alegria inenarrável. será que entendo bem a intesão dessa canção? acho que não sei.

logo irei dormir. pra mais um dia, amanhã, ter mais sono e dormir. parece que só durmo. sempre assim. sono. e as coisas a serem feitas vão sendo deixadas de lado. ao lado da cama. na cabeceira. no chão. pra quando acordar eu olha-las e fazê-las. pura besteira. num deu certo essa tática.

assento aqui e não sei o que mais fazer. essa tela. essa teia de informações. as vezes encontro alguém. mas logo me vou. pro meu quarto. pra dormir.

entra um inseto no quarto. pela janela ainda aberta. já é tarde e ainda está aberta. o inseto é barulhento. ou venenoso. ou vacilante. ou indeciso. ou multicolorido. ou desconfiado. ou duvidoso. ele entra. insiste em ficar. espanto. volta. espanto de novo. pronto. apago a última luz e me recolho ao sonho.

sexta-feira, março 20, 2009

poder de atração

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queria saber
o que o mosquito na luz vê

será miragem?...
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;
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questão (a la twitter... )



Um pouquinho de medo me dá essa tal de monografia.
Devo desesperar-me? rs




terça-feira, março 17, 2009

Vida coletiva II - o garoto e a mãe

Com o balanço do coletivo, ainda antes da roleta, tentava tirar as moedas do bolso e da-las ao homem carrancudo que me olhava por de trás daquela bacadinha. Sempre fui um pouco desajeitada nessas situações. A mão gruda no bolso da calça, o olhar do homem me deixa nervosa, o balanço do ônibus... Mas consegui a quantia tal e passei a roleta.

Não havia lugar para se sentar. Nem era meio dia ainda e o veículo já estava relativamente cheio. Tudo bem, essa viajem era mais curta afinal. Encostei-me ali perto da roleta a deixar meu corpo pender sobre o corrimão vertical. Então reparei em dois passageiros ali perto.

Uma mulher, devia ter lá seus quase 50 anos, e um garoto, com lá seus 7 anos. Se não eram mãe e filho parentes bem próximos eram com certeza. Se pareciam muito, pelo pouco que vi, pois não se pode reparar por muito tempo nos detalhes alheios nessas ocasiões. Sempre desviamos o olhar em locais públicos quando percebem nossa observação. E não gostamos de ser observados! rs

No primeiro momento me deu até raiva aquele garoto ali sentado no lugar de uma pessoa que pagou a passagem. A mãe podia muito bem leva-lo no colo. Mas logo deixei de pensar nisso. Algo que me incomodou nos dois me fez querer ficar na posição de observadora apenas.

O garoto parecia cansado, e, presumo, talvez estivessem voltando do médico. Suas expressões não eram boas, nem leves, ou era somente de cansaço? Os olhos pesados da mãe faziam-na aparentar estar pesando uma tonelada. O olhar do menino era menos pesado, mais preocupado talvez. Com um ar de que carregava em si um grande fardo, mas fardo esse que não só era seu, mas grande parte da mãe.

Em certo momento ele recostou no colo da mulher. Assim como criança faz quando está cansadinha e quer um pouco de aconchego. A senhora, de braços semi-cruzados segurando sacolas, não se mexeu. A cabeça do garoto encima dos braços duros e mal posicionados e ela nem se mexeu. Mal olhou pro garoto.

Passaram alguns minutos e o garoto, decepcionado, levantou a cabeça e olhou a mãe com a mesma expressão pesada. Voltou a seu assento olhando pela janela o que passava de paisagem. Nem mesmo uma palavra trocaram enquanto pude observa-los. Nem meia.

Acho que não vale a pena levar tão a sério todo o peso da vida. Mesmo em dias difíceis.

é tempo de sair

é tempo
tempo de sair
do aconchego
da sombra
do sofá
do pão
do café
do sono bom
dos papéis espalhados
da tela plana
do tempo feio
da era moderna
da vida morna

e passa-se...
perde-se o trem
a beleza
a cor
o som
o ser
e estar


domingo, março 15, 2009

show da Fofoca na Pierrot

Foi um show inesperado, mas muito bem vindo. Num lugar desconhecido, mas muito aconchegante. Num evento bacana que vai entrar na agenda aqui.

Bazar de Histórias! Apesar da acústica não ajudar muito, fomos lá e mostramos o nosso lado mais fofoqueiro possível. É... por que erudito mesmo só no nome, rs.

O pessoal dançou, bateu palma, cantou e curtiu mesmo. Bom, pelo menos foi a minha impressão dali do palco improvisado, rs. E nós também adoramos de montão! Assim, de boca cheia. E nos próximos, se não nos convidarem... entraremos de gaiato!! rs

Um beijo grande da Fofoca Erudita pro pessoal da Pierrot Lunar e pro supervivo Luiz Rocha!!

---

Essa semana entraremos em estúdio novamente para a gravação de mais uma leva de canções. Desta vez com participações amigas. Portanto, este espaço pode ser deixado de lado... Mas, calma, o resultado vai ser compensador.

Se ainda não ouviu nem viu a Fofoca entre no myspace fofoqueiro e divirta-se!!!

terça-feira, março 10, 2009

Novas da Fofoca Erudita

A minha banda, Fofoca Erudita, passou por algumas transformações nos últimos tempos. E entramos em uma nova fase. Não abandonando as antigas canções próprias, mas agregando a elas novas e mais novas.

Nessas férias montei meu, ainda precário, home studio e gravei algumas músicas. Vocês podem ouvi-las no myspace fofoqueiro: myspace.com/fofocaerudita e podem baixar as músicas no perfil da banda no Trama Virtual.

Bom, as gravações dessas músicas deram-se inteiramente dentro do meu quarto, levando horas e horas de clausura e concentração. Detalhe, toquei tudo sozinha, o que me deu mais trabalho ainda, rs. Mas foi legal, divertido até. Espero que gostem.

Estas músicas integram a Demo Solomilique Batigodé, que é um apanhado das múltiplas facetas fofoqueiras. Em breve ele também existirá fisicamente, aí vocês poderão adiquiri-lo prontamente, rs.


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Show

Neste próximo sábado, dia 14, faremos um show no Bazar de Histórias, promovido pela Cia Pierrot Lunar. Além de música, o evento ainda oferece intervenções teatrais, feirinha de guloseimas e vestimentas.
A entrada é gratuita e vai começar às 15:00h.


. Bazar de Histórias
. 14 de março
. A partir das 15h

. Entrada franca
Rua Ipiranga, 137 - Floresta
BH . MG . info: (31) 9970.6521
www.ciapierrotlunar.blogspot.com



Espero você por lá!!