quarta-feira, abril 04, 2007

mania de escritora

Nunca me senti uma escritora. Sempre tive muita dificuldade em discorrer sobre um assunto por folhas e folhas. Daí me auto defini, também como uma forma de me justificar, como concisa e simples [tudo bem, nem todas as vezes sou simples... mas...]. É verdade que poucas pessoas ouviram ou leram isso de mim. Prefiro não me definir em hora nenhuma, mas é imprescindível quando nos auto avaliamos e queremos algumas respostas...

Uma vez fui escrever um texto prum concurso desses que tem por aí. Uma das premissas era de que o texto teria de ter dez páginas. Minha vida de escritora era tão curta e relapsa que o desafio foi muito grande. Tudo bem, eu não sabia disso e mesmo assim assentei-me em frente à tela e usei toda minha criatividade para discorrer sobre o assunto, que diga-se de passagem não fui eu quem o escolheu, claro, era um concurso. Como mal consegui preencher as dez folhas foi daí que me veio a idéia de que eu nunca conseguiria escrever um romance. De que só sirvo para escrever pequeninos contos, e nada mais. Ainda penso assim, mas talvez seja mais pelo fato de que não tenho muita paciência de ficar parada em frente à maquina simplesmente escrevendo.

Sabe, sempre escrevi quando me dava vontade, sem aquela obrigação [seja qual for...]. Escrevia simplesmente para me esvaziar, colocar coisas no papel tais que não saía falando por aí, coisas que não teria com quem falar. Escrevia poemas depressivos demais para conseguir ler depois. Contos estranhos como filmes do Tarantino. Escrevia, escrevia, sozinha no meu canto, fosse na sala de aula, fosse no meu quarto em casa. Uma caneta tinteiro preta que sempre entupia, um papel, fosse qual fosse. Escrevia assim e minha adolescência esvaia-se junto com a tinta preta. O bom, ou menos ruim, é que esse meu estilo foi por um tempo curto. Com quatorze anos a gente é meio boba demais sabe.

Então permeei-me no mundo virtual com um blog. Fui abandonando a caneta, mesmo por que ela não desentupia mais e não tinha mais a vontade de me recolher aos cantos para ficar escrevendo pensamentos depressivos. Descobri outras coisas, assim como a poesia inventiva. Como eu nunca consegui entender as vertentes literárias, inventei meu estilo de escrever, tal que deve se encaixar logicamente em algum estilo, mas que eu nunca me dei o trabalho de descobrir ou limitar-me a este. Afinal, como uma forma de arte se limita em estilos? Digo, a arte é libertadora ou não? Ou escrever literatura não é arte? É como na música, aquele que se limita a um estilo só musical é besta, por que é justamente limitado demais para criar coisas novas. Artista que é artista não se limita, ora. Ele pode sim ser classificado dentro de um estilo, mas isso só depois de todas as obras feitas e avaliadas. Creio que ele não se preocupa com isso ao fazer, creio que nem se preocupe com isso nunca. Quem tem esse encargo são aqueles coitados dos críticos de arte.

Não tenho qualquer pretensão em me determinar como escritora. Estudo jornalismo e isso é o bastante para me fomentar a escrever e enfim escrevinhar. Tudo bem que nessa função a gente escreve muita coisa que não quer. Sobre assuntos que não nos interessamos e que não vemos quem se interesse por isso, mas continuamos ali, escrevendo. Pelo menos como desafio próprio, do tipo 'meu deus, será que vou conseguir fazer um texto bom com esse tema tão ruim?'. Entretanto me limitar somente a este tipo de fomento é um tanto castrante. Prefiro continuar a escrever sobre frivolidades e importâncias minhas. Assim pelo menos nunca vou me render somente ao factual jornalístico. Tenho imaginação também...

Enfim, não sou escritora, mas escrevo. E isso será o suficiente? Por enquanto... E só escrevi isso tudo por causa de um texto do Steve Martin que li no site da revista Piauí. ... aiai...
*ouvidos seleção indie rock para fomentar os miolos

2 comentários:

Amanda_Bia disse...

eu queria ter feito jornalismo! e acho que não importa o que se escreva, mesmo que seja textos curtos, quem escreve pode se considerar um tipo de escritor sim! e eu gosto do que vc escrever!
bejus!

Albini disse...

Bacana, gostei ! ! !
Muito bom ! ! !