sábado, novembro 10, 2007

culturamente falando...

Acho mesmo é que estou um pouco triste. Ainda não pude ir ao Teia 2007 e provavelmente nem irei. Sou assumidamente contra esse lance de encontros e festivais! É muita coisa boa em poucos dias, quase simultâneas e quase nos mesmos lugares. É impossível você escolher o mais bacana de se ver. É cruel ter de escolher. E é mais cruel ainda certas coisas acontecerem quando simplesmente não dá pra ir!!! Acho mesmo é que to puta com isso!!

Há um tempo quero escrever sobre os grandes shows que pude ir nos últimos meses, mas alguns fatores de organização mental me impediram. Creio que agora dê ao menos para citar exemplares trabalhos.

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Tive a oportunidade de ir a um show que talvez tenha mudado grande parte da minha visão a respeito da música e de como fazê-la. É verdade que para esses lados musicais desde que conheci, em 2002, a Orquestra Popular de Câmara, vinha tomando-a como referência. Mas eis que me surge em plena quinta-feira, no teatro da minha pacata cidade, a Suíte para os Orixás, uma junção perfeita de um dos meus músicos prediletos, Esdra Ferreira, com o grande flautista e arranjador Mauro Rodrigues. O que se pode dizer? Fico sem palavras. Sério, por isso a demora em escrever sobre.

Em miúdos, foi um sexteto no palco e talvez somente umas 100 pessoas de platéia. Neném (Esdra) Ferreira na bateria, Mauro Rodrigues na flauta, Kiko Mitre no baixo elétrico, Sérgio Aluotto no vibrafone, Ricardo Cheib na percussão e Guda na percussão. Era como se a cada canção fosse a última, assim quase impossível parar de bater palmas. Climas perfeitos, sentimentais, grandiosos e minimalistas. Detalhes, tudo era detalhes e ao olhar para o palco mal sabíamos em quem dar ênfase observativa. Seriam os contratempos da percussão ou os toques leves no vibrafone?! Nem pisquei. Nem pisquei.

No encarte uma breve explicação do que vem a ser o álbum e para cada orixá uma ilustração de acordo com sua personalidade.

"Esta música foi composta a partir de cantos originais de candomblé das nações de Keto e Angola. O material foi recolhido através de Neném, Ogã do terreiro de Santa Joana D'arc. Nas variações, improvisações e desenvolvimentos criados a partir desse material, tratamos de compor uma música que respeitosamente corresponda à identidade de cada orixá e suas relações." (texto dentro do encarte)

*Fica a preciosa dica:
"Suíte para os orixás" - Esdra Ferreira e Mauro Rodrigues - (2006)
"Orquestra Popular de Câmara" - Orquestra Popular de Câmara - (1998)
"Danças, Jogos e Canções" - Orquestra Popular de Câmara - (2003) [infelizmente ainda não pude ouvir ele todo]

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No mês seguinte e no mesmo teatro, também num quinta-feira, só que dessa vez chuvosa, presenciei "Paru" do Carlos Malta & Pife Muderno. Confesso que ao ler a programação do "Sabará Musical - Edição Sopros" [projeto que nos trouxe também a 'Suíte'] me ative a este show simplesmente por conter em sua ficha técnica o nome de Marcos Suzano, o mito do pandeiro.

E fui lá eu crente de que veria ali na frente o cara mais foda dos últimos tempos naquele instrumento precioso. Mas logo algumas músicas passaram, e eu me divertindo bastante, o 'líder' Carlos nos avisou prontamente que Marcos estava lá em algum lugar do mundo passando adiante todo seu virtuosismo pandeirístico e que acá estava um de seus aprendizes, Bernardo Aguiar. Tudo bem, pensei, adoro o som de pífanos mesmo... E num é que dali pra frente esse tal de Bernardo com cara de nerd fez miséria do couro e platinelas?! Arrepiei-me toda! O menino é mesmo bão e tiro o chapéu! Guardei o nome e saberei daqui pra frente, rs.

Mas não só o pandeiro me encantou. Como disse, adoro o som de um pife, de dois ainda... Incrível, incrível mesmo! A musicalidade que pode sair de tão simples instrumentos. Mas não só as flautas de bambú nordestinas permearam a apresentação, às vezes flauta transversa baixo e as duas grandes indígenas, de nome Uruá.

Durval Pereira na sua dança alegre com a zabumba esperta. Foi a que mais me diverti, quase pulei da cadeira pra dançar e as palmas da mão ficaram muito vermelhas de bate-las. Afinal, 'Durval é o bicho!'

Ao fim de tudo lá vem o Malta, só. Agora o tom é sério e é preciso fôlego. Uma breve história a respeito da Uruá e de toda sua significância pessoal. Dedicatórias e os sons, masculino e feminino. Lindo e profundo. De arrepiar e bater muita palma, não menos.

Mas antes de acabar tudo ainda, nós, o público, queríamos mais e mais! O quinteto voltou ao palco e começou um cortejo em direção à entrada do teatro. Tudo ali acústico e à flor da pele. A expressão mais viva do popular, da interação com o público, o mais bacana que poderia acontecer. Muito bom. Nem pisquei. Nem pisquei.

*Fica a preciosa dica:

"Paru" - Carlos Malta & Pife Muderno - (2005)


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Belo Horizonte
Evento: Encontros Musicais - João Donato, Naná Vasconcelos, Juarez Moreira e Toninho Ferragutti
Data: 5 e 6 de novembro
Horário: Segunda e terça-feira, às 21h
Local: Palácio das Artes , no Grande Teatro

Ouvi no rádio que o maior percussionista de todos os tempos iria vir a BH assim, de graça, não pude perder. Tudo bem que tinha muita coisa a fazer de faculdade, mas a oportunidade era única... e gratuita.

Fui lá eu na segunda, com irmã e cunhado. Cada um tocou duas canções solo e as outras junto numa permutação organizada, apesar das confusões de Juarez. Cada um no seu estilo e nuances incríveis. Ao fim, todos juntos, tocaram a minha preferida do Juarez, 'Baião Barroco'. Imagine! Muito bom... Áh, nem pisquei, rs.

*Fica a preciosa dica:
"Bom Dia" - Juarez Moreira - (1989) [Neném e Kiko Mitre estão junto de Juarez já há vários anos no trio Juarez Moreira Trio]
"Sanfonemas" - Tonihno Ferragutti - (1998) [Toninho participou do álbum homônimo da Orquestra Popular de Câmara]
"Chegada" - Naná Vasconcelos - (2005) [Naná também participou do álbum homônimo da Orquestra Popular de Câmara]

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Por enquanto é só, ufah.

4 comentários:

Amanda_Bia disse...

só?! e vc acha pouco! imagina o que é muito! hehehe!
beijos!

' Jaya . disse...

Ufa? Ufa digo eeeeeeeeeeeeeu, que fico me contorcendo aqui lendo esses teus comentários sobre música BOA e morrendo de vontade de conhecer, porque grande parte desses não me foram apresentados assim, "a la Mariana". E aí eu vou lendo tudo e querendo a trilha sonora pra acompanhar. Rs.

Muito bom, muito bom, muito boooom!

Ôoooo trem bão! Rs.

Beeeeeijo, Marianaaaaaaaaa!
=*

P.S.: Pão de queijo é uma das maravilhas do mundo. Mas igual ao de Minas não se encontra em lugar algum! Só indo aí dar um jeito nisso.

Carlos Howes disse...

Você deveria fazer de "Nem pisquei" uma marca registrada, sabia? hahahahahahaha.

Bel disse...

Eita, que eu dei uma passada em vários posts e fiquei aqui babando pelo ambiente cultural!!! Eu moro numa cidade 'de ponta de mapa", onde a cultura foi enterrada junto com uma cabeça de jegue, assim reza a lenda.
Gostei de tua visita, e vou voltar por aqui!!!
Bjo!