quarta-feira, novembro 05, 2008

Marcelo Camelo em BH

Acabo de pisar em casa e a vontade de descrever a experiência é tamanha que nem vou esperar o amanhã, com todo o meu ar descansado. Não, vai agora mesmo, rs.

Belo Horizonte, Minas Gerais - 05/11/2008
Show de Marcelo Camelo - Lançamento do álbum Sou
Palácio das Artes, 21:00h.
Grande teatro. Platéia II, fila II, cadeira 3.

Muitas pessoas conversando, procurando seus assentos. Amizades revistas, beijos trocados, fofocas contadas, piadinhas sem graça, expectativas à flor das peles. Um burburinho ensurdecedor. As luzes se apagam e mesmo antes de qualquer pessoa subir ao palco, os mais excitados já bradam suas tietagens.



Somente as luzes do centro estão acesas. Todas convertidas a um banco atrás de um microfone. Então entra a razão da noite. Marcelo, um cara magro e um pouco curvado, anda até o banco iluminado e pega seu violão. A imagem é linda e singela. Delicada, assim como o moço, que com tanta barba é difícil ver sorriso ou qualquer outra expressão assim delicada. E era pra ser aquele momento de profunda concentração no silencio oco do teatro, mas infelizmente alguns muitos da platéia pouco deixavam o show começar. Os gritos e palmas fora de hora chegaram a ser profundamente irritantes.

A principio a sensação total, em relação à tamanha manifestação do público, era de que aquele cara ali era realmente ovacionado e até idolatrado por alguns. Mas o tempo passou e o artista tentando fazer o seu papel, mas esses agitadores simplesmente não deixavam o espetáculo rolar. Queriam aparecer mais que o artista. Os gritos e os intermináveis aplausos atrapalhavam e deixavam o músico até sem jeito. Mas pouco a pouco esses foram se calando e deixando o moço falar e tocar... e cantar. É, em alguns momentos...


Apesar disso, devo dizer que Marcelo Camelo é um cara muito carismático em toda sua simplicidade e na tal timidez. Mas isso eu já tinha comprovado em outras ocasiões. O novo aqui, pra mim, foi a energia ao lado de uma banda muito diferente da Los Hermanos. Com sons mais delicados o Hurtmold ajudou a moldar a atmosfera do show e do disco, dando uma cara realmente nova para o trabalho do Camelo.

O disco Sou foi tocado quase que de cabo a rabo. Algumas do Hermanos, como não poderia ser diferente, fizeram parte do set list, para delírio dos tietes de plantão. E mais uma, que talvez tenha dado o clima mais intenso e incrível de todo o show, Despedida (nessa os aplausos e contorias super alvoroçadas sessaram um bocado... será que não sabiam a letra?).


Quase todas (quando eu digo todas é verdade!!) foram entoadas pelo forte coro animadíssimo (às vezes até frenético demais) da animada platéia. Canções como Janta, Copacabana, Menina Bordada, Vida Doce, Morena, Moça e as outras muitas. Às vezes era até impossível ouvir a voz do moço lá no palco, o que me deu até um pouco de raiva. Pô, tinha ido ali pra ver a performance dele, não de outros desconhecidos e desafinados que faziam questão de gritar as poesias... Sinseramente, me senti profundamente desrespeitada com platéia. E a sensação que tenho em relação ao Camelo é de que ele também não achou assim tão do caraleo essa intromissão do público...

Assim foi o show todo, que foi até rápido. No final algumas canções para finalizar de violão e voz mesmo. Mas aí todas as vozes estavam no meio, inclusive a minha. Pelo menos metade das pessoas deixaram seus assentos e foram se aproximando do palco. Cantando, dançando. Uma catarse carnavalesca em coletivo, rs. E pronto, ele se despediu e foi indo embora. Aí foi que aconteceu o que eu nem de longe previa. Os tietes subiram no palco atrás do ídolo... Achei deseducado... Fiquei sem entender...


Por fim teve bom, mas poderia ter sido melhor se aquela parte do público respeitasse a apresentação. E fico aqui tentando analisar o por quê de tamanho frisson... Uhm...


**fotos do companheiro de guerra João Pé de Feijão

2 comentários:

João Rafael disse...

Nuussa! Já vou linkar-te para complementar minha visão (que estava um tanto quanto próxima da sua!)Beijos

Amanda Bia disse...

eu vou no show dele dia 15. vamos ver se o povo de são paulo é mais educado...
beijo!