quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Mostra de Tirandentes 2009

Eu já tinha decidido ir pra mostra deste ano ainda no fim do ano passado. Aí fiz minha singela inscrição em uma das oficinas, e meio sem acreditar que seria selecionada esperei o veredicto. Por que é assim: a gente faz a inscrição, escreve um breve currículo e os interesses, e espera ser selecionado ou não para fazer a oficina. Então na segunda semana de janeiro recebi a resposta. Fui selecionada.

Ótimo! Muito bom mesmo! Era uma oficina de muito interesse meu e a primeira vez que ia baixar em Tiradentes para curtir a sua incrível Mostra de Cinema de Tiradentes. Então planejei segundo minha curta grana possibilitava. E fui.


A oficina foi de Trilha Sonora no Cinema, com o querido David Tygel (fala-se Daví Tigél mesmo, sem sotaque gringo). Uma ótima e enriquecedora experiência. Muitas dúvidas resolvidas e pessoas interessantes conhecidas.

Muito bem, era uma mostra de cinema. Também fui ao cinema, rs. Mas infelizmente posso dizer que os filmes que vi só mesmo um longa documental me satisfez e alguns curtas. O longa foi "Hotxuá", de Letícia Sabatella e Gringo Cárdia. Ótimo conteúdo estético e intelectual.

Hotxuá é uma espécie de sacerdote do bom humor. Uma figura que tem o papel de clown dentro da tribo. Que tribo é essa? São os Krahô, situados no estado de Tocantins. O mais interessante é que nunca tinha visto isso antes, o inovador sobre o assunto do documentário, que também trata dos antigos e já tradicionais problemas dos indígenas na terra de brancos. Mas essa parte a gente quase esquece quando entra na brincadeira e começa a se deliciar com as peripécias do Hotxuá. Suas brincadeiras e o sorriso são cativantes.

Até que em certo momento um clown branco chega na tribo e ele e o hotxuá trocam figurinhas. Um momento emocionante e muito bem construído pelos realizadores do filme.
Uma visão cultural que nunca tinha visto no cinema ou mesmo na TV. E é uma coisa tão doida ver que a mesma pessoa que faz uma papel numa medíocre novela global pode fazer um produto destes. Estão de parabéns.



Além deste também vi o tal premiado no Festival de Brasilia, "Filmefobia", de Kiko Goifman. Um filme desconcertante mas não muito construtivo ou transformador para minha pessoa. Trata-se da história de um cineasta que está há anos filmando um filme sobre uma espécie de verdade: o encontro do fóbico com sua fobia. Assim cria-se várias situações em que os fóbicos entram em contato direto com os objetos pelos quais têm fobia. Uma cobra, ratos, sangue, altura, borboletas e outras coisas mais. Algumas cenas perto do terror barato, outras de dar muito nervo mesmo.



No dia seguinte, na discussão sobre o filme, depois de falar muito sobre a fobia e pouco sobre o filme, a mensagem final é de que na verdade o filme é uma grande esculhambação. Isso mesmo... Agora, esculhambação com quem? Com quê? Com aqueles filmes de terror ou com eles mesmos? Que por falta de um roteiro melhor resolveram fazer uma coisa dessas? Minha conclusão é que é um filme que se discute a verdade da cena e da interpretação, nada mais. O tema poderia ser outro, mas escolheram a fobia... uhm...

A verdade mesmo é que num consegui assistir a muitos filmes. Gostaria de ter visto mais, mas o tempo foi curto e as distâncias dificultaram, já que fiquei numa pousada linda longe do centro da cidade. Além disso, o horário da oficina competia com algumas interessantes exibições.

Mas, não menos importante ou emocionante, além dos filmes rolou muita música! Principalmente choro e samba. Num bar se encontrava todo dia uma galera pra fazer um som muito bom. E eu, de quebra, aproveitava pra me divertir tocando pandeiro ou tamborins improvisados de latinhas, rs. Muito bom.

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As outras coisas à mostra

No hall da tenda, onde fizeram uma sala de cinema com capacidade para 600 pessoas, era um ambiente de descanso e de muita paquera. Deixe-me explicar. Uma figura muito singular, do sexo feminino e aparentando já ter passado há um bom tempo dos 40 anos. Ela percorria os metros de extensão do local à caça de moços bonitos. Ao avista-los, chegava junto. Sem medo nem piedade. Uns aceitavam por educação o seu papo. Outros nem se davam o trabalho. Outros ainda pareciam gostar de receberem certa atenção e conversavam durante muito tempo.

Fato é que de rapaz em rapaz ela levava um fora. Uns mais discretos. Outros com nenhuma pena. Outros ainda só ignoravam. O problema é que a cena se repetia, de fora em fora. No fim ela se contentava com as dezenas de cães que vagavam por entre os frequentadores do local. Na noite seguinte era a mesma luta e talvez o mesmo resultado.

Na minha última noite já tinha até me simpatizado com a jovem senhora. Sua persistência inabalável me surpreendia cada vez mais. Então bati esta foto. Mas, por razões éticas fica oculta a nossa personagem.

4 comentários:

Anônimo disse...

A minha perspectiva foi bastante mais romantizada, será por que? O que interessa é que ando amalgamando impressões sobre dois longas que assisti, um da mostra aurora, primeiro filme do cara (ai, o brilho da inexperiência) e o aclamadissimo (no meu ponto de vista) Loki. Aguarda que já envio a vc!
bjooo

Raquel. disse...

ops, faltou nome, rs

Jaya disse...

Mariana,

Que delíciaaaaaaa!
Adorei você contando os detalhes.

Sorri ao final...
Estranho, não?
Rs.

Mineira, saudades!

Vou te escrever um e-mail contando que a viagem por tuas bandas foi adiada.

Beeeeeeijos de saudades.

Ana Clara Otoni disse...

Gosto de ler suas impressões sobre artes, música e cinema. Você tem a sensibilidade de uma artista e a maturidade de uma crítica. Parabéns!