terça-feira, junho 09, 2009

A era da informação

Tenho pensado cada vez mais no assunto "fluxo e volume de informações". Sim, meus caros, isso me faz pensar... e muito. E as conclusões corriqueiras sempre chegam ao mesmo ponto, o mundo está cada vez mais cheio de informação desnecessária.

Como dizem os estudiosos, este é a era da informação. Notícias ao amanhecer, ao celular, na TV, no jantar. A todo momento, de todo lugar, sobre qualquer coisa, está ela lá. A danada da informação. Aquela que nem precisamos entremeando o dia-a-dia, os afazeres, as relações, tudo.

Os canais de notícia 24h, os programas com 'coberturas completas', o 'ao vivo' que sempre entra no ar. Dos menores aos maiores casos, tudo está na media, seja de forma oficial ou 'colaborativa'. Todos são produtores em potencial da informação. Todos opinam, todos informam, todos assistem, todos sabem. Todos estão conectados. Todos estão perdidos.

Meu dia costumava ter longas vinte e quatro horas, mas parece que se reduziu a cada hora que passava. 23... 22... nem sei mais às quantas andam os meus dias. Os textos mais curtos, as distâncias mais curtas, as facilidades mais acessíveis... o tempo mais curto.

No tempo da minha avó só existia um jornal que era lido por uma parcela muito pequena das pessoas. De sua casa à capital era um dia inteiro à cavalo ou carroça. As verduras plantava-se no quintal, onde também criava-se porco, galinha, ganso. A única venda da cidade dava conta dos outros artigos da vida diária.

Pego dois ônibus para ir e vir todos os dias. Algo como três horas diárias de transporte. O mp3 sempre no ouvido. Um livro. O jornal do ônibus. Os outdoors. Os busdoors. Os folhetos publicitários. Os popcards culturais. Os alto-falantes. Os narradores de ofertas. Músicas que tentam seduzir clientes nas lojas. Pessoas que conversam e comentam fatos diversos.

Eu me calo. Por que só quero um pouco de paz. Esvaziar a cabeça de coisas inúteis. Não vejo nem leio jornais há meses. Não perdi nada. As notícias mais alarmantes as pessoas me contam. E mesmo assim, estão muitas vezes longe, muito longe de mim.

Nessa era da informação é preciso muita atenção. Mas, não para captar tudo e saber de tudo e estar sempre atualizadíssimo. É preciso atenção para não se deixar seduzir por essa história de que a informação é essencialmente necessária em sua totalidade. É preciso atenção para filtrar, editar e às vezes simplesmente se recusar saber de algo.

É preciso desligar os aparelhos. Fechar os olhos e ouvir os sons naturais do mundo que ainda não mudou completamente de forma nem de tempo. Quem corre somos nós, não as coisas. Quem sofre com isso é só a gente mesmo.


2 comentários:

Roginho disse...

Boa!
Desligar os aparelhos... sim.
Fingir de morto para tudo o que vem e cuidar somente daquilo que interessa.

Informação demais gera conhecimento de menos.

Beijo, garota!

Hamilton disse...

Adorei o texto. acho que tenho a mesma preocupação...
Temos que fugir da angústia de não estarmos informados suficientemente.
Não é propaganda de blog, mas recentemente escrevi um texto chamado "Distopias" que trata disso:
www.hiperestesias.blogspot.com

Estou adorando o seu blog, vou ficar mais um pouquinho...