quinta-feira, fevereiro 07, 2008

então, o amor contagioso?!

Quem iria pensar em não enfrentar filas quilométricas na porta de um hospital enquanto sofre de males que necessitam de cuidados urgentes? Ou pagar um preço salgado para passar na frente da fila e ser atendido por uma quase máquina, um robô? Aqui é assim e talvez em todo o mundo... menos no Instituto Gesundheit do Dr. Patch Adams.

Uma vida por um mundo melhor, por igualdades, por melhores condições e qualidade de vida, por melhores relações entre as pessoas, principalmente entre médico e paciente. Uma fé inabalável e uma confiança incrível nas pessoas e no amor, é o que fazem de Hunter Patch Adams um cara a se respeitar e admirar.

Sessenta e poucos anos, cabelos grisalhos longos, roupas multicoloridas e uma língua afiada. Humor e seriedade equilibrados nas medidas ideais, nas medidas para a cura. É assim que vejo aquele médico meio amalucado que tanto gostei pelo filme que leva teu nome. Era no corpo de Robin Williams o incrível. Como pode alguém fazer o sonho de um paciente se realizar numa piscina de macarrão para nadar? Mas isso é só um pouco do que aquele homem é... incrível é a palavra, rs.

Foi no Roda Viva que o conheci “pessoalmente”, na última terça, quando reprisaram um programa exibido em novembro passado. Ele ali não deixando nenhum espaço, nenhuma brecha, respondendo tudo e esclarecendo tudo a todos. Sua filosofia, suas ações, seu caráter e opiniões. Fez-me enxergar que não sou a única a sonhar num mundo melhor, muito melhor para todos. Mas, diferente dele, que sabe o que fazer, como e onde, ainda não tinha descoberto minha utilidade, minha função, meu papel. Não sabia como intervir, como fazer com que algo aconteça enfim.

Entretanto, algo que ele citou me fez animar novamente. Disse ter uma enorme biblioteca e que todos pensariam ter nela livros de ciência e filosofias avançadas. Mas, não. Ele tem poesia, tem romances, tem arte. Ele se alimenta disso por que são coisas que foram feitas para, pelo, por, e do amor. Amor. É o que move tudo, e principalmente a cura. A chave para tudo, para o que se pensa utópico, para o que se diz sonho e impossível. E é possível e está em toda parte, em todas as pessoas, em todo lugar, bastando a nós enxergá-lo.

Então tudo se resume ao amor. E o que é o amor? Pecamos ao tentar defini-lo, e é aí que realmente falhamos. Ao tentar delineá-lo esquecemos de vive-lo. E quanto tempo perdido! Perdemos tempo tentando nos enriquecer, tentando ser o que está além do que realmente somos. Tentando ter o que somente interessa aos desejos. Esquecemos dos significados mais tenros dos sentimentos. Dos ‘bons dias’ e ‘obrigados’. Mas, o que nos fez assim? Por que somos assim? Haverá jeito de não ser desse modo, afinal??

Essa sociedade de consumo que consome tudo, até a falsa saúde. Não precisa necessitar, apenas consumir para se parecer com algo que definitivamente não é. Então acaba resultando em algo artificial, sem significado. Sem nada. Sem conteúdo, sem recheio, sem nada. E estes não pensam, por que se pensassem, “oras, por que vou ter um plano de saúde se consigo manter minha vida saudável?”, não se sentiriam infelizes. É preciso pensar antes de qualquer coisa, antes de comprar, antes de falar, antes de ver, antes de qualquer coisa. Pense. Pensemos mais.

Por pensar, e que seja pouco ou muito, escrevo isso tudo aqui. E não estou mais tão intrigada com meu papel nesse objetivo de melhorar o mundo. Não. Sei exatamente o que tenho a fazer. Arte. Simples não? Rs. Arte... música... continuarei cantando e escrevendo histórias de amor, jornalisticamente ou não. Tocando não somente para alegrar as pessoas, mas para levá-las um pouco de conforto e paz. Um pouco mais de razão e mágica para se sentirem bem, e para contagiar os outros assim sucessivamente. E sei que não ganharei rios de dinheiro com isso, mas sei que será o suficiente. Sim, o amor suficiente para amar.

Agora sei por que os Doutores da Alegria tanto me cativaram, e Patch Adams também. Sei o que tenho de fazer. Sei. E diria a todos para pensar também e acharem seus afazeres, suas funções pra melhorar as coisas, pra melhorar o mundo, mesmo que isso pareça tão utópico, tão impossível. Pensem.


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Àqueles que querem conhecer Patch Adams, visitem:
Entrevista da Veja com patch Adams
Patch Adams & the Gesundheit! Institute
Comissão Organizadora do Patch - COPatch
Patch Adams, O Amor é Contagioso - o filme
Patch Adams - Wikipédia

4 comentários:

Carlos Howes disse...

Eu me admiro com o Patch Adams. E sim, acredito no amor. Mas acho que junto a ele está algo bem importante chamado "respeito ao próximo", e sinto que falta isso na nossa cultura "devoradora".

Amanda Bia disse...

esse cara é maravilhoso! assisti um pedaço do Roda Viva! me encantei com tudo que ouvi ele falar! o cara é um gênio! e tem o maior coração do mundo!
lindo texto! fez minha noite mais feliz!
beijos!

Juliana Caribé disse...

E nao tem nada melhor que poesia, romance e arte. Nada!

Obrigada pela visita! Apareca mais vezes, para enfeitar o meu jardim...

Beijos.

Fernando Luís Fonseca disse...

Adorei seu post!! E esse cara merece muito mais que um filme não é mesmo!?